O conceito de phantasía kathaléptiké na lógica estóica

Autores

  • Mariângela Areal Guimarães UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.59488/itaca.v0i15.282

Resumo

Resumo: A proposta deste artigo consiste em analisar o conceito de phantasía kataléptiké, termo traduzido por “representação compreensiva”, qualificada como critério de verdade, na teoria do conhecimento estóica. Esta análise irá nos conduzir a um dos problemas centrais da lógica no antigo estoicismo, principal alvo dos críticos de sua epistemologia. Trata-se da oscilação entre o objetivismo e o subjetivismo do critério de verdade. Este artigo examinará essa possível ambigüidade ao se tratar especificamente do modo como o homem conhece, segundo a teoria estóica do conhecimento. A questão será desenvolvida tendo em vista que, por um lado, o processo cognitivo reflete a idéia de um estado passivo da alma imposto pela evidência objetiva; e, por outro lado, a atividade da alma é caracterizada como uma articulação do pensamento, que resulta de uma relação de forças entre a alma e o objeto. Assim sendo, encontramos dois aspectos que apontam para a oscilação supracitada, obscurecendo a relação em que se encontram. Primeiro, um aspecto empírico em que o conhecimento resulta das experiências sensíveis, o que leva a uma característica objetiva. Segundo, um logos que é causa dos sentidos, aspecto indicativo de subjetividade. Para o desenvolvimento dessa pesquisa, inicialmente será feita uma abordagem acerca da caracterização da lógica estóica, essencialmente como elemento constitutivo para elaboração e fundação do critério de verdade. Em seguida, será analisado o processo do conhecimento, indicando que tendo a representação compreensiva como critério de verdade, o conhecimento é possível. Finalmente, pretende-se verificar que, ao contrário do que possa parecer, o critério de verdade constitui-se por uma síntese entre o sensível e o inteligível, descaracterizando assim, sua suposta ambigüidade.

Palavras-chave: representação compreensiva; estoicismo; lógica; critério de verdade; alma

Abstract: The aim of this paper is to analyse the concept of phantasía kataléptiké, term usually translated as “cognitive presentation”, qualified as a criterion of truth, in the stoic theory of knowledge. This analysis will lead us to one of the central problems of logic in ancient stoicism, considered the main target of critics to this epistemology, namely, the oscillation between objectivism and subjectivism of the criterion of truth. This paper will examine this possible ambiguity when dealing specifically the issue of how the man knows, according to the stoic theory of knowledge. The subject will be developed keeping in mind that on the one hand, the cognitive process reflects a passive state of the soul imposed by objective evidence and, moreover, the soul's activity is characterized as an articulation of thought, which results in a balance of power between the soul and the object. Thus, we find two aspects that point to the oscillation above, obscuring the relationship between them. First, an empirical aspect which is that knowledge results of sensory experiences, which leads to an objective characteristic. Second, a logos that is the cause of sense, an aspect indicative of subjectivity. For the development of this research, there will initially be an approach on the characterization of stoic logic, mainly as a constitutive element for the working out and foundation of the criterion of truth. Then, it will be analyzed the process of knowledge, indicating that having a cognitive presentation as a criterion of truth, knowledge is possible. Finally, we intend to verify that, contrary to what it may seem, the criterion of truth is constituted by a synthesis between the sensible and intelligible, thus depriving, this relationship of its supposed ambiguity.

Key words: cognitive presentation; stoicism; logic; criterion of truth; soul

Biografia do Autor

Mariângela Areal Guimarães, UFRJ

Doutoranda em Filosofia pelo PPGF-UFRJ/Bolsista da CAPES

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Publicado

2010-10-10

Edição

Seção

Artigos