Filosofia e fantasia privada: Derrida por Richard Rorty versus Derrida por ele mesmo

Lucas Nogueira do Rego Villa Lages

Resumo


Resumo:

Este artigo busca analisar a leitura feita por Richard Rorty, na obra “Contingência, Ironia e Solidariedade”, acerca do pensamento final do filósofo francês Jacques Derrida, comparando-a com a leitura que este filósofo, posteriormente, faria de si mesmo em conferência proferida com o tema “Desconstrução e Pragmatismo”. Rorty parece sugerir que Derrida, definitivamente, rompe com os limites entre filosofia e literatura, abandonando a preocupação com a esfera pública e lançando seu pensamento em uma audaciosa aventura pela fantasia privada. O próprio Derrida, no entanto, em resposta a esta leitura feita de sua obra pelo filósofo americano, refuta-a, assumindo seu compromisso com a filosofia e afirmando a impossibilidade de separar o filosofar de um compromisso com a dimensão pública. O Derrida de Rorty, aquele preocupado com a criação de um novo vocabulário e desprendido da lógica e da argumentação racional, embora contrário à leitura que Derrida faz de si mesmo, pareceria um pensador melhor encaixado no contexto da contemporaneidade.

Palavras-chave: Rorty. Derrida. Desconstrução. Ironia. Fantasia Privada.

Abstract:

This article tries to analyze the Richard Rorty's interpretation, at “Contingency, Irony and Solidarity”, of Jacque Derrida's last philosophy, comparing it with Derrida's self-interpretation. Rorty sugest that Derrida definitely breaks the bounds between philosophy and literature, abandoning the concern about the public sphere and throwing his thought in an adventure over the private fantasy. Derrida himself, however, replying Rorty's reading, assume his commitment with philosophy and the impossibility of divide it from the public dimension. Rorty's Derrida, the one concerned about the creation of a new vocabulary and defying logic and rational argumentation, looks like a thinker more framed at the contemporary context.

Keywords: Rorty. Derrida. Deconstruction. Irony. Private Fantasy.


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