Redescrições do pragmatismo: o pragmatismo retórico

Narbal de Marsillac

Resumo


Resumo:

Cada vez mais tem ficado clara a relação de proximidade que se pode verificar entre o Pragmatismo e a Retórica Clássica, o que Schiller, no início do século passado, com o advento do então recente movimento americano, ousou chamar de pragmatismo retórico. Vários são os autores que têm procurado mostrar que ambos se encontram e se revitalizam mutuamente, na medida em que a arte da persuasão não pode ser pensada sem o caráter eminentemente pragmático dos resultados concretos esperados sobre um determinado auditório, muito menos uma reflexão que parte do chamado princípio pragmático, onde são as consequências práticas que guiam as idéias e não o contrário poderia desprezar a retoricidade do discurso. Em ambos se percebe a mesma ruptura com uma concepção meramente teorética da filosofia ainda preocupada com a fundamentação das teses postuladas, partindo do princípio que são as crenças, bem alicerçadas em razões, que devem guiar as ações, crendo ser possível encontrar esquemas praxeológicos em geral para o agir. Na perspectiva pragmático-retórica, é o agir ou o movere dos antigos que guiam as crenças e, portanto, não há a preocupação com verdades definitivas, mas esforço em encontrar instrumental aplicável a problemas variados e concretos, próprios de cada situação efetiva. Neste sentido, o pluralismo é regra e, por conseguinte, a tolerância, a única exigência ética passível de ser sustentada por todos. O presente trabalho visa refletir sobre as consequências desse encontro entre o muito antigo e o que ainda pode ser considerado como recente, ou seja, da tradição retórica com a tradição pragmatista, e como o princípio que rege esta última e as diferentes estratégias argumentativas podem se preencher mutuamente.

Palavras-chave: Pragmatismo. Retórica. Sofística. Persuasão. Humanismo.


Abstract:

It has become increasingly clear the relationship of proximity that can be seen between pragmatism and classical rhetoric. Schiller, at the beginning of last century, with the advent of the recent american movement then, dared to call rhetorical pragmatism. There are several authors who have tried to show that both revitalise each other mutually, insofar as the art of persuasion cannot be thought without the eminently pragmatic character of concrete results expected over a particular auditorium, on other hand, a reflection that come from the so-called pragmatic principle, according which are the practical consequences that guide the ideas and not the opposite, could discard the retoricity of the discourse. In both we can realize the same gap between a theoretical conception of philosophy, worried about the rational foundations of the postulated theses, assuming that the beliefs, based on reasons, should guide the actions, believing that praxiological schemas can be found. In pragmatic-rhetoric perspective, the act or the movere that guide the beliefs and so there is no worry about definitive truths, but effort in finding instrumental apply to solve varying and concrete problems, specific to each situation effectively. In this sense, the pluralism is the rule and, therefore, tolerance, the only ethic requirement that can be sustained by everyone. This work seeks to reflect on the consequences of this meeting between the very ancient and what can still be regarded as recent, i.e. rhetoric tradition with the pragmatist tradition, and how the principle that governs this last one and the different argumentative strategies can help each other.

Keywords: Pragmatism. Rhetoric. Sofhistry. Persuasion. Humanism.


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