Antropofagia, corpo e espírito: anotação ao Manifesto Antropófago

Rodrigo Octávio Cardoso

Resumo


O tema da antropofagia tem emergido e retornado insistentemente nos discursos sobre a arte e sobre a história brasileira desde o descobrimento e a demonização dos costumes indígenas pelos jesuítas, à glorificação idealizada do heroísmo tupi no “I-Juca Pirama” de Gonçalves Dias e de maneira mais contundente e complexa no Manifesto
Antropófago de Oswald de Andrade e em todo o movimento da antropofagia que se seguiu, do modernismo à tropicália. Se esta questão retorna tão insistentemente, é porque, talvez, seja tão insistentemente recalcada. Resquícios de uma cultura antropofágica abundam no território e na história brasileiros, aparecendo sempre em vias de extinção, dos povos indígenas que lutam contra o capital pecuarista pela demarcação de suas terras à proibição da língua-geral tupi pelo Marquês de Pombal no final do século XVIII, falada então pela maioria da população brasileira. A psicanálise explicaria a necessidade de se falar da antropofagia: aos inúmeros recalcamentos, deveria-se um insistente retorno do recalcado ou, como escrevem Deleuze e Guattari: “O que é recalcado é a produção desejante. Recalcado é aquilo que, desta produção, não passa para a produção ou reprodução sociais, é o que aí introduziria desordem e revolução. Os fluxos não codificados do desejo.” (DELEUZE e GUATTARI, 2010, p.229).

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