Institucionalização da juventude pobre no Brasil: questões históricas, problemas atuais

Marianne de Camargo Barbosa, Danichi Hausen Mizoguchi

Resumo


Em tempos de retrocesso, nos quais discursos pela institucionalização da juventude pobre e
negra ganham cada vez mais força, faz sentido questionar seus atravessamentos. Tais discursos atualizam o caráter tutelar e punitivo construído historicamente sobre essa juventude e nos provocam inquietações quanto a medidas de abrigamento e internação psiquiátrica. Sendo assim, o presente artigo busca tecer análises sobre os discursos que levam à institucionalização do público mencionado. A passagem por dois serviços destinados ao cuidado de crianças e adolescentes evidenciou a semelhança entre as justiicativas que recorrem ao abrigamento e à internação psiquiátrica dos jovens. As histórias encontradas em ambos os serviços servem de palco a questões sobre a institucionalização da juventude – em abrigos e hospitais psiquiátricos – hoje. Confrontando as histórias e a legislação atual sobre o cuidado com o p’blico infantojuvenil, propomos questionamentos que reletem as marcas deixadas por um longo tempo de criminalização da juventude brasileira e pobre ainda hoje.
Palavras-chave: juventude, abrigamento, internação psiquiátrica, políticas p’blicas.


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