A Radiodifusão e os Coronéis da Mídia: uma Discussão Conceitual Acerca do “Coronelismo Eletrônico”

Otavio Pieranti

Resumo


Este artigo tem por objetivo proceder a uma discussão conceitual do termo “coronelismo eletrônico”. No fim da década de 1940, Victor Nunes Leal instaurou debate, que dura até o presente, acerca de um conceito -- o coronelismo. Tratava-se esse, sucintamente, de um sistema marcado pela manutenção de relações de compromisso entre atores públicos e privados. O conceito de coronelismo inspirou diversas adaptações, como o fenômeno que se convencionou chamar de “coronelismo eletrônico”. Esse termo, já largamente utilizado em pesquisas acadêmicas nas áreas das Ciências Sociais e Humanas, tem sido compreendido como um sistema no qual empresários ligados à radiodifusão fazem uso, em sua relação com o Estado, de práticas e compromissos similares àqueles inerentes à lógica do coronelismo tradicional. A partir de uma discussão acerca do conceito original de coronelismo, da expansão da radiodifusão, analisada com base em princípios do método histórico,  e do novo conceito de “coronelismo eletrônico”, chega-se à conclusão de que esse é empregado de forma imprecisa, dado o enfraquecimento das condicionantes que embasavam o coronelismo original. Ainda assim, reconhece-se a existência de coronéis também na contemporaneidade.


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DOI: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v11i1.1005

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