Verdade e ficção na produção jornalística: entrevista e memória

Agnes Francine de Carvalho Mariano

Resumo


O objetivo aqui será analisar a tensão entre verdade e ficção no jornalismo. A entrevista é o procedimento básico de coleta de dados no jornalismo. Não há dúvida então que as principais fontes para a elaboração de reportagens e notícias são as declarações e relatos orais dos entrevistados. Acontece que toda entrevista lida com a rememoração oral e a memória é sempre seletiva e imaginativa. Assim, o jornalismo, ao mesmo tempo que promete mostrar a “verdade”, de forma objetiva, imparcial, transparente, não pode escapar da fecundidade das fontes que utiliza. Esquecimentos, eliminações, recriações, resignificações. Tentaremos recuperar aqui algumas discussões sobre o papel do jornalismo e dialogar com reflexões de outros campos que também enfrentam a mesma tensão. Essas reflexões apontam na direção de um entendimento dos textos como facilitadores da empatia, possibilidades de contato com “experiências” de vida, com mitobiografias. O que transcenderia, portanto, o papel informativo. PALAVRAS-CHAVE: Entrevista; jornalismo; memória.

Texto completo:

PDF

Referências


BARBOSA, Marialva. Jornalistas, “senhores da memória”? In: Intercom -- Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 27., 2004, Porto Alegre. Anais eletrônicos... Porto Alegre: PUC do RS, 2006. Disponível em:. Acesso em: 22 out. 2013.

BÉDARIDA, François. Tempo presente e presença da história. In: AMADO, J.; FERREIRA, M.(Orgs.). Usos & abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. p. 219-229.

BENJAMIN, Walter. O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: ______. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 197-221.

BIRD, Elizabeth S.; DARDENNE, Robert W. Mito, registo e “estórias”: explorando as qualidades narrativas das notícias. In: TRAQUINA, N. (Org.). Jornalismo: questões, teorias e “estórias”. Lisboa: Vega, 2. ed., 1999. p. 263-277.

BUBER, Martin. Diálogo. In: ______. Do diálogo e do dialógico. São Paulo: Perspectiva, 1982. p. 33-75.

FÁVERO, Leonor Lopes. A entrevista na fala e na escrita. In: PRETI, D. (Org.). Fala e escrita em questão. São Paulo: Humanitas / FFLCH / USP, 2000. p. 79-97.

LAGE, Nilson. A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística. Rio de Janeiro: Record, 2001.

______. Ideologia e técnica da notícia. Petrópolis: Vozes, 1979.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

MACIEL, Suely. O estatuto da História Oral e as fronteiras com o Jornalismo: possibilidade metodológica e proposta de um novo fazer. In: SBPJor - Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, 4., 2006, Porto Alegre. Anais eletrônicos... Porto Alegre: UFRGS, 2006. Disponível em:. Acesso em: 21 nov. 2012.

MARCONDES FILHO, Ciro. Comunicação e jornalismo: a saga dos cães perdidos. São Paulo: Hacker Editores, 2002.

MAROCCO, Beatriz. Entrevista jornalística, confissão e as neoconfissões na mídia brasileira. In: SBPJor - VI Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, 6., 2008, São Paulo. Anais eletrônicos... São Paulo: UMESP, 2008. Disponível em:

admjor/arquivos/coordenada2beatrizmarocco.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2012.

MARQUES, José. Estivador que afirmou ter visto corpo de Campos diz que “fantasiou”. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 ago. 2014. Poder. Disponível em: . Acesso em: 11 set. 2014.

MEDINA, Cremilda. Entrevista, o diálogo possível. São Paulo: Ática, 1995.

MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de história oral. São Paulo: Loyola, 2002.

MORIN, Edgar. A entrevista nas ciências sociais no rádio e televisão. In: MOLES, Abraham et al. Linguagem da cultura de massas: televisão e canção. Petrópolis: Editora Vozes, 1973. p. 115-135.

PALACIOS, Marcos. Convergência e memória: jornalismo, contexto e história. Matrizes, São Paulo, ano 4, n. 1, p. 37-50, jul./dez. 2010.

PARK, Robert E. The natural history of the newspaper. The American Journal of Sociology, Chicago, v. 29, n. 3, p. 273-289, nov. 1923. Disponível em:

HistoryOfTheNewspaper#page/n0/mode/2up/search/popular>. Acesso em: 18 set. 2014.

PASSERINI, Luisa. Mitobiografia em história oral. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 29-39, dez. 1993.

ROUSSO, Henry. A memória não é mais o que era. In: AMADO, J.; FERREIRA, M. (Orgs.). Usos & abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. p. 93-101.

SANTOS, Marli dos. Histórias de vida na grande reportagem: um encontro entre jornalismo e história oral. Comunicação & Informação, Goiânia, v. 12, n. 2, p. 21-32, jul./dez. 2009.

SOUSA, Jorge Pedro. Elementos de jornalismo impresso. Covilhã: Biblioteca Online de Ciências da Comunicação (BOCC), 2001. Disponível em: . Acesso em: 22 nov. 2012.

______ . Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media. Covilhã: Biblioteca Online de Ciências da Comunicação (BOCC), 2006. Disponível em: . Acesso em: 22 nov. 2012.

SUNWOLF, J. D. Era uma vez, para a alma. Comunicação & Educação, São Paulo, ano 10, n. 3, p. 305-325, set./dez. 2005.

THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

THOMSON, Alistair; FRISCH, Michael; HAMILTON, Paula. Os debates sobre memória e história: alguns aspectos internacionais. In: AMADO, J.; FERREIRA, M. (Orgs.). Usos & abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. p. 65-91.

TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo: porque as notícias são como são. Florianópolis: Insular, 2. ed., 2005.

TUCHMAN, G. A objetividade como ritual estratégico: uma análise das noções de objetividade dos jornalistas. In: TRAQUINA, N. (Org.). Jornalismo: questões, teorias e “estórias”. Lisboa: Vega, 2. ed., 1999. p. 74-90.

______. Contando “estórias”. In: TRAQUINA, N. (Org.). Jornalismo: questões, teorias e “estórias”. Lisboa: Vega, 2. ed., 1999. p. 258-262.

VILAS BOAS, Sergio. Biografias & biógrafos. São Paulo: Summus, 2002.




DOI: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v18i2.1402

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.