QUANDO A LETRA FALTA, O DIGITAL FAL[H]A: A FUNÇÃO DO ESCRITO

Lucas Nascimento

Resumo


O artigo apresenta o trabalho de escrita em textualidade digital, por meio de esforços linguísticos para produzir escrita e para colocar “ordem” discursiva de dois alunos do ensino fundamental, do 8º ano, e de um aluno do 3º ano do ensino médio. A finalidade é estudar a função do escrito na materialidade do sentido e sua relação com o funcionamento da memória discursiva na ordem dos discursos, por meio de dois processos: a repetição e a metaforiconimização. A partir destas duas incursões à produção escrita, os textos consistem em dois estilos ao agenciar singularidade. O estudo se justifica pelas mudanças na ordem discursiva oriundas da revolução do texto digital, no que se refere à técnica de difusão da escrita, à relação com os textos e à nova forma de inscrição (Chartier, 2002), com ênfase à produção de sentidos e à criação no ato de escrever. A hipótese é que a subjetividade na textualidade digital materializa facilmente a memória discursiva, dificultando o agenciamento de raciocínios mais elaborados, próximo a originalidade argumentativa e textual, o que não difere no texto manuscrito. Os procedimentos da Análise do Discurso de linha francesa (a partir de estudos de M. Pêcheux) e a interface que articula estudos em Linguística, Psicanálise e Educação são adotados como metodologia de trabalho.


Palavras-chave


Escrita. Função do escrito. Subjetividade. Textualidade digital. Memória discursiva.

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Referências


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