A DIMENSÃO ESTÉTICA DA MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO NA PRODUÇÃO EDITORIAL DA FUNDAÇÃO ESTADUAL DE SAÚDE (FUNESA) DO ESTADO DE SERGIPE: ASPECTOS semióticos
THE AESTHETIC DIMENSION OF INFORMATION MEDIATION ON THE EDITORIAL PRODUCTION OF THE STATE HEALTH FOUNDATION (FUNESA) OF THE STATE OF SERGIPE: SEMIOTIC ASPECTS
Fernando de Jesus Caldas
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4788-6825
Mestre em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Sergipe (PPGI/UFS), Brasil.
E-mail: fernando-caldas@hotmail.com
Vinícios Souza de Menezes
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4511-4477
Doutor em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) em convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil.
Docente da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Brasil. Coordenador do PPGCI da UFS, Brasil.
E-mail: menezes.vinicios@gmail.com
RESUMO: A Fundação Estadual de Saúde (FUNESA) em Sergipe desenvolve materiais educativos voltados para a saúde pública. Esta pesquisa analisa os produtos editoriais da FUNESA considerando aspectos da semiótica de Peirce, explorando como a estética dos materiais influencia a mediação da informação em saúde e a interação entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a sociedade. A metodologia do estudo adota a abordagem da pesquisa qualitativa, centrada na análise da produção editorial da FUNESA. Realizou-se uma pesquisa documental no site da FUNESA, onde foram coletados materiais em acesso aberto e analisadas as estéticas das respectivas capas dos 43 produtos identificados através dos critérios: normas da ABNT, formatos, ilustrações, legibilidade e linguagem. O estudo destaca a importância da produção editorial da FUNESA na disseminação de informações sobre saúde pública em Sergipe, evidenciando como a estética e uma linguagem acessível contribuem para a construção dos materiais. Além disso, a inclusão de elementos regionais fortalece a conexão com o público, enquanto as imagens ilustrativas atuam como instrumentos de mediação da informação técnica para um formato acessível.
PALAVRAS-CHAVE: Mediação da informação; Semiótica; Produção editorial; Comunicação visual; Saúde pública.
ABSTRACT: The State Health Foundation (FUNESA) in Sergipe develops educational materials focused on public health. This research analyzes FUNESA’s editorial products considering aspects of Peirce’s semiotics, exploring how the aesthetics of the materials influence the mediation of health information and the interaction between the Unified Health System (SUS) and society. The methodology adopted is qualitative, centered on the analysis of FUNESA’s editorial production. A documentary research was conducted on FUNESA’s website, where open access materials were collected and the aesthetics of the respective covers of the 43 products identified through the following criteria: ABNT standards, formats, illustrations, readability and language. The study highlights the importance of FUNESA’s editorial production in the dissemination of information about public health in Sergipe, evidencing how aesthetics and accessible language contribute to the construction of the materials. In addition, the inclusion of regional elements strengthens the connection with the public, while the illustrative images act as instruments of mediation of technical information into an accessible format.
Keywords: Information mediation; Semiotics; Editorial production; Visual communication; Public health.
1 INTRODUÇÃO
A comunicação humana é uma das ferramentas essenciais para a convivência em sociedade. Desde as primeiras organizações sociais, as interações entre os indivíduos exigiram o estabelecimento de códigos, regras e formas de entendimento mútuo. As trocas informacionais são fundamentais para o desenvolvimento humano, a transmissão de conhecimento e a resolução de conflitos.
Inicialmente, estudos arqueológicos apontam que os humanos empregavam formas rudimentares de comunicação, como gestos e sons. Com o avanço da organização social e da cognição, surgiu a necessidade de registros mais duradouros e sistemáticos. Desenhos rupestres, inscrições em pedras, pinturas e, posteriormente, a escrita formalizada em materiais como papiros e pergaminhos são exemplos de como o ser humano buscou perpetuar seu pensamento. Esses registros visuais e textuais não somente serviram como memória das sociedades, como também possibilitaram às gerações posteriores o acesso ao conhecimento acumulado.
Com o passar do tempo, a invenção de novas tecnologias gramaticais, como a prensa de Gutenberg no século XV, revolucionou a produção de textos e a disseminação de informações. O livro, em especial, consolidou-se como um dos mais importantes veículos de conhecimento, transcendendo o simples registro de informações. Desde sua criação, destacou-se como uma ferramenta de difusão de ideias e inscrição do pensamento humano.
Além dos livros, outros produtos bibliográficos, como revistas, boletins e jornais, desempenharam papéis significativos na história dos registros informacionais. Esses meios comunicacionais ampliaram o acesso à informação e transformaram as formas de circulação dos saberes, a partir das mudanças tecnológicas e culturais que atravessam os públicos em suas épocas. Cada tipo de publicação visa atender às demandas específicas do público a que se destina, seja na educação, no entretenimento ou na informação cotidiana.
O avanço dessas formas de comunicação transformou o estudo das produções bibliográficas em uma área de grande interesse acadêmico e científico. Diversas disciplinas se dedicam a analisar as características, o impacto e os modos de organização desses produtos, destacando-se a biblioteconomia e a ciência da informação, que se concentram nos processos de produção, organização, preservação e disseminação da informação nos materiais informacionais. Essas áreas desempenham um papel fundamental na garantia da preservação e acesso do patrimônio bibliográfico da humanidade.
Deste modo, uma das tarefas possíveis para o profissional da informação é a gestão e a produção editorial da informação. A produção editorial relaciona-se com a mediação da informação, bem como com a produção, normalização e organização documentária. Essa produção abrange um conjunto de práticas que podem ser exploradas em diferentes pontos, encontrando na mediação da informação uma forma de manifestação. Segundo Almeida Júnior (2015), a mediação da informação é uma ação de intervenção promovida por um profissional da informação, que pode ser direta ou indireta, consciente ou inconsciente, singular ou plural, individual ou coletiva, em um processo ou na ambiência de instituições informacionais diversas. Essa mediação visa a apropriação da informação.
Considerando que a mediação da informação pode ser tanto explícita quanto implícita (Almeida Júnior, 2020), a segunda opção é a que desperta o interesse desta pesquisa. Os materiais informacionais incorporam elementos implícitos construídos através de uma dimensão estética da mediação, como a linguagem, os significados e os signos, que podem ser interpretados segundo a semiótica. Nesse contexto, estão presentes elementos como capas, ilustrações e diagramação, sendo a primeira, o elemento analítico adotado pela pesquisa. A relação entre o profissional da informação e a semiótica é um campo pouco abordado, entretanto, segundo Almeida (2009), com um potencial significativo para pesquisas.
No que diz respeito à saúde pública no estado de Sergipe, esta é regida pela Secretaria da Saúde (SES), que atua através de duas fundações: a Fundação Estadual de Saúde (FUNESA) e a Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH). Prestadora de serviços da SES, a FUNESA é responsável pela criação de conteúdos educacionais e científicos, produzidos pela Coordenação de Gestão Editorial (COGED), que funciona através do selo “Editora Funesa”, registrado na Câmara Brasileira do Livro (CBL). O trabalho da COGED é produzir produtos bibliográficos que atuem como suportes informacionais da produção científica em saúde no estado de Sergipe.
Especializada na área da saúde coletiva, a produção da FUNESA apresenta uma delimitação de identidade e significado, o que traz especificidades semióticas em seus produtos. Esses aspectos são analisados neste trabalho conforme a semiótica de Peirce, em especial, através da proposta de Almeida (2009) sobre a particularidade informacional dos estudos de Peirce sobre o signo na Ciência da Informação.
A proposta semiótica de Peirce é processual e analisa a natureza dos diversos tipos de signo, não se limitando ao símbolo, uma derivação das convenções. A semiótica peirceana aborda a evolução dos significados e o processo de geração e fixação de novas ideias, sendo a convenção apenas um estado e não o princípio que regula a vida dos signos. A característica fundante dos signos é o crescimento (Almeida, 2009). A partir desta perspectiva, surge a questão da pesquisa: como os elementos estéticos das capas da produção editorial da Fundação Estadual da Saúde mediam a informação sobre saúde para a população sergipana?
O objetivo geral da pesquisa é analisar a produção editorial da FUNESA a partir do contexto da semiótica de Peirce e da dimensão estética da mediação da informação implícita. Os objetivos específicos são: i) mapear a produção editorial em acesso aberto da FUNESA, ii) examinar semioticamente as capas dos produtos bibliográficos selecionados, e iii) demarcar a interação entre a semiótica peirceana e a mediação da informação presente nas capas dos produtos editoriais da FUNESA.
A produção editorial da FUNESA articula as estratégias de comunicação e mediação da informação que fortalecem a relação entre o SUS e a sociedade. Essa pesquisa se alinha à perspectiva da informação como um direito fundamental no exercício da cidadania, especialmente no contexto da saúde pública. Assim, compreender o impacto estético dos materiais produzidos pela FUNESA não só justifica a eficácia desses conteúdos no apoio à saúde, como também reforça a integração entre a informação e os serviços públicos de saúde.
Todo o material produzido pela FUNESA tem como foco a saúde pública. Considerando esse aspecto, o estudo da produção editorial realizada pela COGED justifica-se por sua atuação como suporte ao SUS e ao bem-estar da população sergipana. O SUS foi criado em 1988 pela Constituição Federal Brasileira, com o dever de garantir o direito universal à saúde a todos os cidadãos brasileiros. Portanto, estudar a produção editorial da FUNESA em Sergipe é analisar, também, a partir do campo estético-editorial, como a saúde pública sergipana vem sendo disseminada em favor dos cuidados da população.
2 A DIMENSÃO SEMIÓTICA DA MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO NA PRODUÇÃO EDITORIAL: ELEMENTOS TEÓRICOS
A pesquisa busca investigar as temáticas de mediação informacional, produção editorial e semiótica de forma interdisciplinar. A interdisciplinaridade, segundo González de Gómez (2003), possibilita a geração de conhecimentos por meio da interação entre diferentes áreas do saber, promovendo a integração de conceitos, métodos e abordagens epistemológicas. Para articular essa abordagem interdisciplinar, três eixos temáticos foram estabelecidos para o referencial teórico: 2.1 Semiótica; 2.2 Mediação da informação; 2.3 Produção editorial.
2.1 Semiótica
A semiótica é o estudo dos signos e da significação. A abordagem semiótica de Charles Sanders Peirce (2015) propõe uma classificação de signos que inclui ícones, índices e símbolos, cada um desempenhando um papel distinto na comunicação. Santaella (2000) argumenta que a semiótica não se limita ao estudo dos signos em si, mas também envolve a análise das relações entre eles e os contextos em que são usados. Essa categorização auxilia no entendimento de como os materiais produzidos pela FUNESA podem ser estruturados de modo a facilitar a compreensão das informações complexas da área da saúde.
A importância da semiótica na organização da informação é enfatizada por Almeida (2009) ao argumentar que a semiótica não é apenas uma teoria dos signos, mas uma ferramenta em apoio à estruturação e interpretação de conteúdos. Ao aplicar essa perspectiva à produção editorial da FUNESA, pode-se perceber como os signos utilizados nos materiais informativos são escolhidos para maximizar a clareza e a eficácia da comunicação.
Sob esta perspectiva, a semiótica conecta-se com a mediação da informação, enquanto um processo dinâmico que envolve a interação entre mediadores e receptores, Almeida Júnior e Bortolin (2007). A função do mediador é crucial para a interpretação e a disseminação eficaz da informação. Essa mediação não se limita à transmissão de dados, mas envolve também a construção de significados que possam conectar-se com a experiência e o contexto dos leitores.
Henriette Ferreira Gomes (2020) destaca a dimensão estética da mediação da informação. Trata-se não apenas de apresentação visual de materiais, mas também de promoção de diálogo com os leitores. A estética na produção editorial da FUNESA é fundamental, posto que um design atraente e acessível pode facilitar a leitura e a compreensão, transformando informações técnicas em mensagens mais facilmente apropriadas pelo público. Essa atenção à estética e ao design gráfico é essencial para a eficácia da comunicação em saúde.
A interdisciplinaridade entre a semiótica e a produção editorial é central na compreensão das complexidades da mediação da informação. Ao unir conhecimentos de diferentes saberes, como psicologia, comunicação e ciência da informação, a análise torna-se mais robusta e abrangente. Essa abordagem ajuda a identificar estratégias inovadoras na produção de materiais que atendam melhor às necessidades da população, considerando a diversidade cultural e social.
Conforme detalhado no Relatório de Gestão (2022), os produtos bibliográficos da FUNESA são exemplos concretos de aplicação semiótica. Materiais como folhetos, cartazes e guias educativos são elaborados com o intuito de informar e educar, de modo que os signos utilizados transmitam as mensagens de forma clara e direta. Essa atenção aos detalhes – na escolha de cores, das tipografias e das ilustrações – é uma demonstração da relevância da semiótica na criação de conteúdos que visam impactar a recepção e a interpretação das informações junto à população.
Conforme discutido por Nunes et al. (2021), a mediação editorial é um elemento essencial da comunicação científica. Esta prática envolve a curadoria e a apresentação de informações acessíveis ao público, facilitando a compreensão de conceitos complexos. Na FUNESA, essa prática se reflete na criação de conteúdos que não apenas informam, mas também educam, promovendo um entendimento mais amplo sobre a saúde e suas implicações.
A semiótica pode ser ainda uma ferramenta crítica para avaliar os desafios enfrentados na mediação da informação em saúde. Ao identificar como os signos são construídos e interpretados, é possível detectar lacunas na comunicação e oportunidades de melhoria. A semiótica desempenha um papel importante na análise crítica das mensagens. Através da análise dos signos, é possível identificar estereótipos, preconceitos e simplificações que podem distorcer a realidade da saúde pública. Ao criticar essas representações, a FUNESA se posiciona de forma ética e responsável, promovendo uma comunicação que respeite a diversidade e complexidade das experiências da população. Almeida (2009) enfatiza que uma análise semiótica pode revelar não apenas falhas, mas também caminhos para aprimorar a organização da informação, assegurando que os materiais editoriais cumpram seu papel educativo e inclusivo, por meio de valores semióticos como a acessibilidade, a relevância e a ressonância.
A comunicação em saúde deve considerar as diferenças de entendimento e interpretação que podem surgir devido a fatores como idade, nível educacional e contexto social. Peirce (2015) propõe que a compreensão dos signos está intrinsecamente ligada à experiência e ao contexto do receptor. Tais considerações reforçam a necessidade da mediação estética da informação na criação de materiais informativos que sejam inclusivos.
A mediação da informação é fundamental para o êxito das iniciativas da FUNESA. Conectada à mediação estética, Gomes (2020) enfatiza a importância das dimensões dialógica e formativa na mediação. A comunicação é um processo bidirecional, em que o público não apenas recebe informações, mas também participa ativamente da construção de significados. Essa perspectiva dialógica é essencial para promover a saúde, visto que permite que os indivíduos façam parte do processo e possam realizar escolhas informadas sobre suas vidas.
A semiótica possui uma capacidade de decifrar processos de percepção e interpretação das mensagens. A recepção de um material informativo pode variar significativamente de acordo com a familiaridade do público com os signos e símbolos utilizados. Deste modo, a avaliação da produção editorial, à luz da semiótica, permite uma revisão crítica dos objetivos e estratégias utilizadas pela FUNESA. Compreender como os signos impactam a percepção da comunidade em torno da saúde pública pode levar a ajustes significativos na forma como a informação é apresentada. A eficácia da comunicação pode ser medida pelo grau de compreensão e aceitabilidade dos signos pelo público (Peirce, 2015). A criatividade na utilização de signos pode resultar em materiais que se destacam e atraem a atenção do público, facilitando a disseminação de informações essenciais.
2.2 Mediação da Informação
A mediação da informação é um campo nuclear na Ciência da Informação. Envolve a intermediação entre a informação e os indivíduos, permitindo que o conhecimento se torne acessível e compreensível. Segundo Gomes (2020), a mediação não é apenas um ato de transmissão de dados, mas um processo complexo que envolve a interação entre mediadores, usuários e conteúdos informacionais, promovendo uma comunicação significativa.
Um dos papéis da mediação da informação é facilitar a compreensão e o uso das informações. Almeida Júnior e Bortolin (2007) destacam que a mediação se associa a um conjunto de práticas que auxiliam na formação da experiência do usuário, transformando dados brutos em informações significativas. Essa transformação é vital em ambientes como a saúde, onde a interpretação correta das informações impacta diretamente na vida das pessoas.
Os mediadores da informação desempenham uma função crítica ao interpretar e contextualizar conteúdos para o público. Gomes (2020) enfatiza que a atuação dos mediadores deve ser dialógica, permitindo que os usuários expressem suas dúvidas e contribuições. Essa interação cria um espaço de aprendizado colaborativo, onde a informação não é vista como um produto estático, mas como um processo dinâmico. Na prática, a mediação da informação se desdobra em diversas dimensões, incluindo a ética e a estética. A ética na mediação implica um compromisso com a veracidade e a responsabilidade na disseminação de informações. Henriette Gomes (2020) sugere que a mediação ética é fundamental para promover a justiça social e o protagonismo dos usuários, especialmente em contextos de vulnerabilidade. A estética, por outro lado, se relaciona à apresentação da informação e ao uso de recursos visuais e narrativos que facilitam a compreensão. A construção de uma narrativa visual clara e relevante potencializa o entendimento e a atenção do público. A mediação estética é, portanto, uma estratégia para engajar os usuários na busca pela aquisição de conhecimento.
Outra dimensão da mediação da informação é a formativa, associada às competências informacionais nos usuários. A formação contínua é crucial para garantir que os indivíduos saibam como buscar, avaliar e utilizar informações de maneira eficaz. Segundo Nunes, Lopes e Veloso (2021), a mediação formativa ajuda a construir cidadãos críticos e informados, capacitados para navegar em um mundo saturado de dados.
Em ambientes de saúde, a mediação da informação torna-se ainda mais estratégica. As informações sobre saúde precisam ser precisas, acessíveis e adequadas ao nível de compreensão dos usuários. O Relatório de Gestão da FUNESA (2022) enfatiza a importância de materiais informativos que dialoguem com a população, promovendo a saúde. Nesse contexto, a mediação da informação é crucial para desmistificar informações técnicas e promover a educação em saúde. Através de campanhas informativas e ações de mediação, é possível aumentar a conscientização sobre temas relevantes e incentivar comportamentos saudáveis.
A avaliação da mediação da informação é outro aspecto que merece atenção. É fundamental mensurar o impacto das práticas de mediação na compreensão e uso das informações pelos usuários. Através de pesquisas e feedbacks, é possível identificar áreas de melhoria e adaptar as estratégias de mediação para atender melhor às necessidades do público. A mediação da informação deve ser vista como um processo colaborativo que envolve a participação ativa dos usuários. Gomes (2020) propõe que a mediação deve promover a construção coletiva do conhecimento, onde os usuários não sejam apenas receptores, mas também agentes ativos na criação e difusão do conhecimento e das informações. Sob este sentido, a mediação pode incluir a promoção da saúde comunitária, uma instância de articulação entre as instituições de saúde e a comunidade. Essa abordagem busca empoderar os indivíduos e grupos, proporcionando-lhes o conhecimento necessário para tomar decisões informadas. Por fim, a mediação da informação deve ser integrada às políticas públicas de saúde, garantindo que a comunicação seja parte fundamental das estratégias de promoção da saúde. Nunes, Lopes e Veloso (2021) afirmam que políticas públicas informadas por práticas de mediação podem levar a um aumento da participação cidadã e à melhoria da qualidade de vida das populações.
2.3 Produção Editorial
Abrangendo uma série de práticas e processos que vão desde a concepção de uma obra até a publicação e distribuição, a produção editorial é uma ação fundamental no processo de comunicação e disseminação de informações. Segundo Almeida Júnior e Bortolin (2007), a produção editorial envolve não apenas o ato de publicar, mas também a curadoria e a mediação de conteúdos relevantes, precisos e acessíveis ao público-alvo.
Um dos principais aspectos da produção editorial é o planejamento editorial, que define as diretrizes e objetivos da publicação. Este planejamento deve considerar as necessidades do público e o contexto em que a informação será utilizada. A pesquisa de mercado e a análise de tendências são essenciais para garantir que as obras atendam às expectativas e interesses dos leitores, contribuindo para o sucesso da publicação.
A qualidade do conteúdo é fundamental na produção editorial. Gomes (2020) destaca que a produção de conhecimento deve ser pautada pelo rigor e pela ética, garantindo que as informações divulgadas sejam confiáveis e embasadas em dados sólidos. Isso implica um processo cuidadoso de revisão e edição, que envolve não apenas aspectos técnicos, mas também uma reflexão crítica sobre a relevância e o impacto das informações apresentadas.
Outro ponto relevante é o papel dos editores, que atuam como mediadores entre as autorias e o público. Os editores são responsáveis por selecionar os conteúdos, orientando o desenvolvimento das ideias das autorias e assegurando que as obras cumpram os padrões editoriais. Além disso, eles devem ter uma visão estratégica sobre como posicionar as publicações no mercado, considerando a concorrência e as inovações tecnológicas.
A evolução das tecnologias digitais transformou radicalmente a produção editorial. A autopublicação e as plataformas digitais democratizaram o acesso à publicação, permitindo que autorias independentes alcancem públicos diversos. Nunes, Lopes e Veloso (2021) afirmam que essa democratização traz tanto oportunidades quanto desafios, já que a qualidade e a curadoria das informações podem ser comprometidas em meio à abundância de conteúdos.
Em seu planejamento, a produção editorial deve considerar a acessibilidade das obras. As publicações devem ser elaboradas para garantir que todos os leitores, incluindo aqueles com deficiências, possam acessar e compreender o conteúdo. Henriette Gomes (2020) sugere que a inclusão de recursos como audiodescrição e formatos acessíveis é essencial para ampliar o alcance das publicações e promover a equidade no acesso à informação.
Os aspectos estéticos da produção editorial não devem ser subestimados. A apresentação visual de uma obra, seu design gráfico, tipografia e diagramação, impacta diretamente na experiência do leitor. A estética é uma ferramenta poderosa na comunicação, um elemento capaz de atrair e reter a atenção, contribuindo para a valorização do conteúdo e a transmissão engajada de significados e emoções (Almeida, 2009). Sob este sentido, a estratégia de marketing e divulgação acontecem. Após a conclusão da obra, faz-se necessário implementar um plano de marketing eficaz que promova a visibilidade e a venda e/ou publicização do produto editorial. Isso pode incluir campanhas em redes sociais, eventos de lançamento e parcerias com influenciadores e instituições.
As relações com a comunidade acadêmica e os órgãos de fomento à pesquisa são essenciais para o sucesso da produção editorial, especialmente no contexto das publicações científicas. A colaboração entre pesquisadores e editores pode resultar em obras que atendam às necessidades do campo acadêmico e contribuam para a disseminação do conhecimento. A interação com as instituições de ensino e pesquisa também pode promover a atualização das publicações, alinhando-as às inovações e avanços do conhecimento.
Além disso, a produção editorial deve considerar as questões éticas e de integridade da pesquisa relacionadas à autoria e ao plágio. É fundamental que as publicações reconheçam as contribuições de todos os autores e respeitem os direitos autorais. Gomes (2020) ressalta a importância de promover uma cultura de respeito e integridade no ambiente editorial, garantindo que os autores sejam devidamente creditados por suas ideias e trabalhos.
O impacto da produção editorial na formação da opinião pública e na construção do conhecimento social é significativo. As obras publicadas não apenas informam, mas também moldam percepções e comportamentos. A responsabilidade dos editores e autores é, portanto, enorme, já que suas publicações podem influenciar decisões e atitudes da sociedade. A produção de conhecimento crítico e reflexivo é um imperativo em tempos de desinformação.
A sustentabilidade na produção editorial também é uma preocupação crescente. As editoras devem adotar práticas que minimizem o impacto ambiental, considerando a escolha de materiais, processos de impressão e distribuição. A produção de e-books e outras publicações digitais é uma alternativa que pode contribuir para a redução do uso de recursos naturais, promovendo uma abordagem mais sustentável.
A avaliação de impacto das publicações é um aspecto que pode orientar futuras produções editoriais. Métricas como citações, downloads e engajamento em redes sociais (altmetrias) são indicadores que ajudam a entender como as obras estão sendo recebidas pelo público. Essa avaliação permite ajustes nas estratégias de produção e divulgação.
Além disso, a produção editorial deve estar atenta às mudanças nas dinâmicas de consumo de informação. O surgimento de novos formatos, como podcasts e vídeos, apresenta desafios e oportunidades para as editoras. Integrar esses novos meios ao portfólio editorial pode diversificar as ofertas e atrair diferentes públicos, aumentando a relevância das publicações.
Por fim, a produção editorial deve ser vista como um processo colaborativo que envolve múltiplas disciplinas. A interação entre autores, editores, designers e especialistas em comunicação enriquece o produto, resultando em obras que são não apenas informativas, mas também envolventes e acessíveis. A construção de uma rede colaborativa é essencial para enfrentar os desafios do mercado editorial contemporâneo.
3 METODOLOGIA
A metodologia deste trabalho se fundamenta em uma abordagem qualitativa, que segundo Minayo (2010) capta a complexidade dos fenômenos sociais, no caso desta pesquisa, o contexto estético-semiótico da mediação da informação na produção editorial em saúde pública da FUNESA. Essa escolha se justifica pela necessidade analítica de interpretar a natureza dos produtos bibliográficos da instituição, com vista à sua compreensão perante as demandas em saúde pública da sociedade sergipana.
A técnica de pesquisa utilizada foi a pesquisa documental. Como sugere Gil (2008), a pesquisa documental é uma técnica eficaz para a coleta de dados em contextos em que a informação já está registrada. O primeiro passo na realização da pesquisa foi o levantamento da produção editorial disponível, em acesso aberto, no site da FUNESA. Para isso, foi realizada uma busca sistemática no site da FUNESA, a partir do filtro “acesso aberto” e sem delimitação temporal, garantindo que todos os produtos editoriais fossem identificados.
Uma vez coletados os dados, estabeleceu-se o corpus da pesquisa: 43 produtos editoriais (Quadro 1), escolhidos por serem todos os materiais disponíveis em acesso aberto pela instituição. Esses materiais incluíram relatórios, guias, manuais e outros documentos publicados pela FUNESA. A seleção do corpus foi crucial, ao determinar a profundidade da análise e a relevância dos dados obtidos para os objetivos do estudo. No quadro 1 foram listadas todas as publicações por tipo, título, autoria, ano, formato e páginas. Em especial, o fator ano foi considerado, visto que os profissionais que desenvolveram os materiais podem ter mudado, assim como características de produção. O quadro foi construído sinalizando o autor principal de cada obra para facilitar a especificação.
O levantamento demonstrou que a instituição possui o padrão pdf de disponibilização como universal, estando todas as 43 obras disponíveis em pdf no site da FUNESA. A maior parte das publicações também é impressa, 33 dessas tinham informações de terem sido lançadas em versões impressas, enquanto apenas 10 estão disponíveis apenas no formato digital. Sendo assim, o padrão de publicação mais recorrente é de ser lançado de modo impresso e em pdf.
Os produtos foram categorizados de acordo com sua natureza tipológica, ou seja, foram classificados como: a) relatórios institucionais, b) materiais educativos e c) publicações científicas. Essa categorização permitiu não apenas uma melhor organização dos dados, mas também facilitou a análise comparativa entre os diferentes tipos de publicações.
Após a categorização, os dados foram organizados e tabulados em tabelas e gráficos, visando ampliar a visualização dos dados, tornando a análise mais clara e acessível. A tabulação é uma técnica que contribui para a sistematização da informação, facilitando a identificação de padrões e tendências nos dados. A análise foi realizada com base nos princípios da semiótica e da mediação da informação, conforme discutido por Santaella (2000) e Gomes (2020).
Para analisar a dimensão estética das capas dos produtos bibliográficos levantados, a pesquisa seguiu trabalhos como “A Capa do Livro Brasileiro – 1820-1950” de Ubiratan Machado (2017) e “Capas de Santa Rosa” de Luís Bueno (2016), para a realização da categorização das características de apresentação e formato de cada material. Essa abordagem permitiu entender como a estética contribuiu para a comunicação e recepção dos conteúdos pelos usuários e como o uso de signos e símbolos foi manifesto nas produções editoriais em acesso aberto. A estrutura de alguns materiais segue o projeto gráfico convencional, conforme as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelecem a inclusão de elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. Esses elementos incluem capa (elementos externo), folha de rosto, sumário, introdução, desenvolvimento, conclusão e referências, elementos garantidores de uma organização sistemática e coerente.
Durante a análise foram examinados os seguintes aspectos estéticos: i) legibilidade, ii) clareza na apresentação dos conteúdos, iii) tipografia, iv) contraste entre texto e fundo, v) espaçamento e vi) hierarquia visual. Esses aspectos configuram-se como fatores que influenciam a compreensão da leitura e a apropriação das informações. Materiais que fogem à estes critérios, podem comprometer a eficácia da comunicação, tornando semioticamente a informação mais difícil de ser acessada pelo público-alvo.
Por fim, também foram analisadas as intenções comunicativas por trás das escolhas estéticas. Por exemplo, um projeto gráfico que utiliza cores vibrantes e um design arrojado sinaliza para um caráter inovador e dinâmico, enquanto um material mais sóbrio transmite formalidade e autoridade. A análise das intenções estéticas permitiu uma reflexão mais ampla sobre como os produtos da FUNESA se posicionam em relação ao seu público.
As publicações da editora FUNESA são construídas pelos profissionais da saúde em Sergipe e outros responsáveis técnicos, como designers, revisores e bibliotecários. Toda a construção dos elementos bibliográficos visa trazer níveis de comunicação e reconhecimento dos valores e da identidade institucional da FUNESA pela comunidade da saúde em Sergipe. Elementos visuais que remetam à cultura local, ao patrimônio histórico ou a aspectos identitários da saúde em Sergipe são índices de pertencimento e conexão emocional com os usuários, um recurso de relevância.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da pesquisa sobre a produção editorial da Fundação Estadual da Saúde de Sergipe (FUNESA), em especial, das capas, foram organizados com base na metodologia descrita: a) levantamento dos materiais, b) categorização dos produtos editoriais e c) análise estética das capas dos produtos bibliográficos disponíveis em acesso aberto no site da instituição.
Para visualizar os resultados de forma dinâmica, os dados foram organizados em inscrições diagramáticas como quadros, figuras, tabelas e gráficos. Em primeiro lugar, como assinalado no Quadro 1, foram identificados 43 produtos bibliográficos, incluindo livros, relatórios, guias, manuais e revistas científicas. O Gráfico 1 apresenta a distribuição dos produtos editoriais por categoria.

A categorização inicial revelou uma predominância de materiais que seguem as normas da ABNT (Tabela 1), apresentando elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais de forma organizada: 70% do total. Eles demonstram um compromisso com a formalidade e a padronização, facilitando a leitura e a consulta por parte dos usuários.
|
Estrutura |
Quantidade |
Percentual (%) |
|---|---|---|
|
Segue normas da ABNT |
30 |
70 |
|
Não segue normas da ABNT |
13 |
30 |
|
Total |
43 |
100 |
Os outros 30% dos materiais analisados apresentaram estruturas não convencionais. Esses produtos, muitas vezes mais dinâmicos e visuais, utilizaram formatos criativos alheios às normas tradicionais. Por exemplo, alguns relatórios incorporaram infográficos e outras ilustrações, que, além de enriquecer o conteúdo, tornaram as informações mais visíveis e atraentes para o público. Essa diversidade de formatos pode indicar uma tentativa de inovar na comunicação da saúde, buscando engajar públicos diversificados.
No caso das ilustrações, elas estão presentes tanto nos materiais que seguem os padrões ABNT quanto nos materiais não convencionais, sendo uma presença frequente em quase todos os materiais. As ilustrações trazem informações que vão além da parte técnica, ou seja, ilustram o fazer profissional, as técnicas e até mesmo outras informações complementares, como os signos da sergipanidade.
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As ilustrações destacam os três pressupostos básicos da semiótica de Charles Sanders Peirce: primeiridade, segundidade e terceiridade. Peirce traz a primeiridade como o sin-signo, um ícone visual ao qual os materiais podem ser identificados, a segundidade refere-se ao quali-signo, responsável pela identidade do material e, por fim, a terceiridade dita como legi-signo, as leis que regem a ação na imagem (Peirce, 2015). A figura 2, a seguir, demonstra a composição dos três pressupostos da semiótica peirceana através da construção da manifestação de sin-signo, quali-signo e legi-signo nos seus elementos.
A figura 2 apresenta a ilustração de um viaduto, que através da análise semiótica de Peirce pode ser identificado como um ícone visual, logo um quali-signo. Na imagem também existe um sin-signo. A ilustração não trata de um viaduto genérico, mas de um viaduto específico, que existe e tem uma identidade local. Ao se apontar uma identidade, esse elemento possui um índice do que ele é, no caso da imagem, o Viaduto Marcelo Déda em Aracaju. Também é possível ver um movimento causado por pássaros na imagem, o que manifesta um fenômeno, uma lei que rege os acontecimentos da imagem, logo a terceiridade, um legi-signo. Os pássaros podem estar voando por seguirem a sua direção, por estarem assustados com o movimento ou por ser a atividade que fazem naquele determinado momento, trazendo leis que regem a ação da imagem representada. Dessa forma, formando a tríade Peirceana.

Os elementos semióticos não estão presentes em todas as publicações, como é possível ver um esvaziamento na figura 3, que traz o “Boletim de mortalidade materna e de mulheres em idade fértil”, onde só é possível encontrar a visualização de um signo visual representando uma gestante, sem uma identificação aparente, apesar do turbante indicar uma figura associada culturalmente aos adereços afro-diaspóricos. A ausência de elementos estéticos mais detalhados dificulta a localização do quali-signo. Também não fica claro qual ação a personagem ilustrada está executando, ou seja, não existe uma lei que rege suas ações e o movimento da imagem. Apesar da presença de um signo visual, esse se limita à primeiridade peirceana, sem avançar para outras características que possam trazer informações adicionais à ilustração.

A análise estética (Tabela 2) revelou que os elementos gráficos, como cores, tipografia e layouts, desempenham papel fundamental na percepção dos materiais. As capas dos produtos que utilizam paletas de cores harmoniosas e tipografia legível se destacaram positivamente, facilitando a compreensão e atraindo a atenção dos leitores. Em contrapartida, alguns documentos apresentaram problemas de legibilidade, devido ao uso inadequado de fontes ou contrastes fracos, o que pode comprometer a eficácia da comunicação.
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Elementos Estéticos |
Presente (%) |
Notável (%) |
|---|---|---|
|
Paleta de Cores Harmoniosa |
80 |
50 |
|
Tipografia Legível |
75 |
60 |
|
Uso de Gráficos/Infográficos |
50 |
30 |
|
Elementos Regionais |
40 |
25 |
Além disso, a pesquisa identificou padrões comuns na linguagem utilizada pelos materiais (Tabela 3). Os textos que seguem uma abordagem mais acessível e informativa tendem a ser mais receptivos, enquanto aqueles que utilizam linguagem técnica e excessivamente formal podem afastar leitores não especializados. Essa observação reforça a importância de uma mediação da informação que considere o perfil do público-alvo e busque a democratização do conhecimento em saúde.
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Tipo de Linguagem |
Quantidade |
Percentual (%) |
|---|---|---|
|
Acessível |
29 |
60 |
|
Técnica |
14 |
30 |
|
Total |
43 |
100 |
As intenções comunicativas por trás das escolhas estéticas foram analisadas. Materiais que apresentaram uma estética vibrante e inovadora, como os voltados para campanhas de conscientização, funcionam como divulgação de si mesmos, como a Revista Sergipana de Saúde Pública, que usa ilustrações da sergipanidade como tema das suas capas. Em contrapartida, publicações mais tradicionais, que mantiveram uma estética sóbria, transmitiram um sentido de autoridade e confiabilidade, sendo adequadas para contextos mais formais, como os livros para a Educação Permanente em Saúde Pública de 2011.
A pesquisa destacou ainda a relação entre estética e identidade institucional. Os produtos que incorporaram elementos visuais da cultura local, como referências a símbolos regionais e imagens da comunidade, demonstraram um esforço da FUNESA em estabelecer uma conexão com o seu público, a gente sergipana. Essa identificação cultural é fundamental para fortalecer a presença da instituição no campo da saúde pública.
Os dados demonstraram indícios de que os materiais recentes tiveram uma recepção positiva em plataformas digitais, com índices consideráveis de curtidas e comentários, como o caso da Revista Sergipana de Saúde Pública, divulgada no Instagram. Esse indicador de popularidade sugere que a combinação de uma apresentação estética atraente e um conteúdo relevante pode aumentar o engajamento do público, promovendo uma maior disseminação das informações.

Por fim, a análise dos resultados revela que a produção editorial da FUNESA, ao equilibrar normas de formatação com inovações estéticas, busca atender a uma diversidade de públicos, promovendo um diálogo eficaz na área da saúde. Essa abordagem integrada à comunicação, que considera tanto a forma quanto o conteúdo, é crucial para a mediação da informação e para o fortalecimento do protagonismo social em saúde.
Observou-se que a maioria dos produtos bibliográficos segue as normas da ABNT, o que reflete um esforço institucional de padronização e formalização dos conteúdos. No entanto, 30% dos materiais não seguem essas normas, evidenciando uma certa flexibilidade na produção editorial, o que pode ser uma tentativa de adaptação às necessidades de diferentes públicos ou, possivelmente, uma falha na adesão às diretrizes de normalização, o que pode apontar para a necessidade de um instrumento formal como um manual de diretrizes para publicações da Editora FUNESA.
Ao comparar os produtos que seguem as normas da ABNT com os que não seguem, é possível associar essa discrepância com a questão da mediação da informação. De acordo com Gomes (2020), a mediação da informação envolve a relação entre o produtor e o receptor da mensagem, implicando em escolhas editoriais que influenciam a recepção do conteúdo. Produtos que seguem rigorosamente as normas tendem a ter uma comunicação mais formal e técnica, enquanto aqueles que não seguem estão mais próximos de uma linguagem acessível e eficiente com públicos leigos. A relação entre o formato gráfico e a tipologia dos documentos se apresenta como um ponto relevante para a discussão. Produtos mais formais, como relatórios e publicações científicas, tendem a seguir um formato gráfico mais padronizado e rígido. Já materiais voltados para o público leigo, como guias e manuais, parecem permitir maior liberdade gráfica.
Outro aspecto relevante diz respeito à estética dos materiais. Grande parte dos produtos possui uma paleta de cores harmoniosa e tipografia legível, o que favorece a leitura e o engajamento do público. Essa observação está em conformidade com os princípios da semiótica peirciana, conforme Santaella (2000), que considera a estética um fator essencial na percepção e compreensão dos signos. A presença de uma estética agradável e coerente facilita a absorção da informação pelos leitores, promovendo uma experiência de leitura mais envolvente.
Contudo, a análise também mostrou que existe uma parte dos materiais que não utiliza elementos visuais de forma ilustrativa. A ausência desses recursos em boa parte dos produtos limita a capacidade de comunicação visual dos documentos, um ponto crítico que poderia ser aprimorado, especialmente em materiais técnicos e científicos.
A linguagem utilizada nos materiais também se destaca como um fator importante na mediação da informação. Aproximadamente 60% dos produtos analisados fazem uso de uma linguagem acessível, o que indica uma preocupação em comunicar-se com um público mais amplo. Segundo Almeida Júnior e Bortolin (2007), a mediação da informação está também relacionada à adequação da linguagem ao público-alvo, e o uso de uma linguagem simples e clara pode ampliar o acesso à informação, especialmente em contextos de saúde pública. Os materiais que utilizam uma linguagem técnica e formal, por outro lado, parecem atender a um público especializado, como profissionais da saúde ou gestores de políticas públicas. Essa segmentação linguística reflete o papel dual que a FUNESA desempenha, tanto na capacitação de profissionais quanto na orientação da população em geral. A escolha da linguagem, portanto, revela-se uma estratégia editorial consciente e alinhada aos princípios da mediação informacional discutidos por Gomes (2020).
No que tange à recepção dos produtos nas plataformas digitais, não é possível coletar dados referentes aos acessos de todos os materiais, visto que alguns foram lançados em 2011 e não há registros de divulgação. Porém, os materiais mais recentes, como a Revista Sergipana de Saúde Pública, parecem ter um acolhimento pela divulgação nas redes da instituição.
Outro ponto importante diz respeito à produção de manuais e publicações científicas. Embora representem uma porcentagem menor da produção total, esses materiais possuem uma função crucial na capacitação técnica de profissionais de saúde e na disseminação de conhecimento científico. No entanto, a baixa divulgação desses produtos nas plataformas digitais pode ser uma indicação de que a comunicação científica da FUNESA ainda não atinge seu potencial pleno em termos de disseminação. Boa parte da produção editorial, além da revista, não possui divulgação nas redes, mesmo sendo lançadas no portal oficial da instituição.
Do ponto de vista semiótico, a escolha dos signos e símbolos utilizados nos materiais da FUNESA tem um papel crucial na construção de sentido. A presença de elementos regionais em alguns dos produtos editoriais, por exemplo, indica uma tentativa de criar uma conexão mais próxima com o público local. Além disso, a variação nos formatos de apresentação entre os produtos revela a influência da semiótica na organização da informação. A disposição visual dos materiais, a escolha das cores e a utilização (ou não) de gráficos e infográficos refletem decisões semióticas que impactam diretamente na forma como a informação é percebida e compreendida pelos leitores.
A questão da normalização também merece destaque na discussão dos resultados. A ausência de uma normalização rigorosa em 30% dos materiais pode ser interpretada como uma tentativa de flexibilizar a comunicação para públicos diversos, mas também levanta questões sobre a padronização da informação científica. Segundo Santaella (2012), a normalização é fundamental para garantir a coerência e a credibilidade da informação, especialmente em contextos científicos e técnicos que prezam pelo rigor metodológico.
Portanto, a diversidade nos tipos de materiais e suas características estéticas e linguísticas refletem um esforço da FUNESA em equilibrar a rigidez da comunicação científica formal com a necessidade de popularizar a ciência através de uma informação acessível a públicos mais amplos.
5 CONCLUSÕES
As conclusões deste estudo evidenciam a importância da produção editorial da Fundação Estadual da Saúde de Sergipe (FUNESA) como uma ferramenta fundamental para a disseminação da informação em saúde pública. A análise das capas dos produtos bibliográficos disponíveis revelou uma diversidade significativa de formatos e linguagens, refletindo um esforço contínuo de adaptação às necessidades e perfis dos diferentes públicos-alvo. Embora a maioria dos materiais siga as normas da ABNT, a flexibilidade na normalização de uma parcela significativa dos documentos sugere uma busca por maior acessibilidade e impacto comunicacional, principalmente no contexto da mediação da informação.
A partir dos dados obtidos, observou-se que a normalização formal, ainda que importante para a credibilidade científica, nem sempre se alinha à necessidade de comunicação com públicos leigos. Esse ponto é relevante ao considerarmos que a mediação da informação deve considerar dimensões como as formativas, éticas e estéticas. O uso de uma linguagem mais acessível em certos materiais sugere uma compreensão institucional da FUNESA sobre a necessidade de democratizar o conhecimento, em especial, em áreas tão sensíveis como a saúde pública, onde a compreensão clara das informações impacta na qualidade de vida da população.
A dimensão estética dos produtos editoriais desempenha um papel crucial na eficácia comunicacional dos materiais. A construção de sentido não ocorre apenas pelo conteúdo verbal, mas também pela forma como os signos visuais são organizados. A pesquisa revelou que os materiais com elementos gráficos mais trabalhados, como o uso de cores harmoniosas e tipografia legível, têm maior aceitação e engajamento, segundo padrões semióticos.
Outro ponto importante destacado pelos resultados é a função da produção editorial da FUNESA na disseminação de conhecimento técnico e científico. Relatórios e publicações científicas, embora direcionados a um público especializado, cumprem um papel crucial na capacitação de profissionais de saúde e na formulação de políticas públicas. Contudo, a baixa taxa de compartilhamento desses materiais nas plataformas digitais aponta para a necessidade de melhorias na mediação editorial e no alcance da comunicação científica.
A discrepância entre o número de materiais formais e informais também sugere uma tensão entre a formalização do conhecimento e a necessidade de acessibilidade. Embora seja evidente a importância da normalização, especialmente em documentos técnicos, a pesquisa destaca que a flexibilidade na forma de apresentação e linguagem pode ser essencial para atingir um público mais amplo e diversificado. Nesse contexto, a FUNESA parece estar experimentando diferentes estratégias editoriais para equilibrar a precisão científica com a necessidade de uma comunicação mais próxima da comunidade.
Outro ponto de destaque é a questão da regionalidade presente em alguns dos materiais analisados. A incorporação de elementos regionais, como linguagens e simbologias locais, é uma estratégia eficaz para aproximar a gente sergipana dos conteúdos. Esse movimento de inclusão cultural e local reforça a importância da adaptação da comunicação à realidade socioeconômica e cultural dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em Sergipe, promovendo uma maior identificação e adesão às orientações oferecidas pela FUNESA.
A mediação da informação aparece como um processo fundamental no trabalho da FUNESA, especialmente ao considerar a diversidade de públicos e as diferentes necessidades informacionais. Os resultados indicam que a instituição está ciente dessa diversidade e busca equilibrar suas produções entre materiais altamente padronizados e aqueles que priorizam a acessibilidade e a comunicação direta com o público, com poucos filtros normativos. No entanto, há espaço para otimizar a mediação, sobretudo em relação à utilização de recursos visuais e gráficos que facilitem a compreensão e aumentar o engajamento.
Por fim, a pesquisa corrobora o pressuposto tácito de que a produção editorial da FUNESA é de grande relevância para a saúde pública em Sergipe, desempenhando um papel estratégico na disseminação de informação qualificada tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral. Os resultados demonstram que, embora a normalização seja essencial para garantir a credibilidade e coerência dos conteúdos, é igualmente importante considerar a flexibilidade nas abordagens editoriais, de modo a garantir que as informações cheguem de forma clara e eficaz aos diferentes públicos.
REFERÊNCIAS
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Quadro 1 - Corpus da pesquisa: produtos editoriais da FUNESA em acesso aberto
Fonte: elaborado pela autora.
Fonte: elaborado pela autoria
Gráfico 1 - Categorias dos produtos bibliográficos
Fonte: elaborado pela autoria
Tabela 1 - Estrutura dos produtos bibliográficos
Figura 1 - Capas da Revista Sergipana de Saúde Pública.
Fonte: FUNESA (2024).
Fonte: FUNESA (2024).
Figura 2 - Capa do Boletim da Vigilância Epidemiológica do Estado de Sergipe.
Fonte: elaborado pela autora.
Tabela 2 - Análise estética dos produtos
Fonte: FUNESA (2024).
Figura 3 - Capa do Boletim de Mortalidade Materna e de Mulheres em Idade Fértil
Tabela 3 - Linguagem utilizada nos materiais
Fonte: elaborado pela autora.
Figura 4 - Capas da Coleção de livros da Educação Permanente em Saúde.
Fonte: FUNESA (2024).
Figura 5 - Divulgação da Revista Sergipana de Saúde Pública no Instagram.
Fonte: FUNESA (2024).