Recognition of resident scholarship students on the affiliation process: the place of the university library in this journey

Taize Santos da Silva

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7649-8210

Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil

E-mail: taize29@gmail.com

Reconhecimento dos(das) discentes bolsistas residentes sobre o processo de afiliação: o lugar da biblioteca universitária nessa trajetória

Pamela Oliveira Assis

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1453-5052

Mestra em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (PPGCI/UFBA), Brasil.

E-mail: pamela.oliveiira@outlook.com

Raquel do Rosário Santos

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1469-0765

Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil. Docente no Instituto de Ciência da Informação (ICI) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Brasil.

E-mail: quelrosario@gmail.com

RESUMO: Acredita-se que os serviços oferecidos na biblioteca universitária desempenham um papel crucial no processo de afiliação estudantil e podem favorecer a permanência dos(das) discentes. A afiliação, geralmente, ocorre no primeiro ano após ingresso do (aa) discente e perpassa por três tempos: estranheza, aprendizagem e afiliação. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi evidenciar, segundo os(as) discentes bolsistas do serviço de residência universitária (SRU) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), como a ambiência da biblioteca universitária contribui para o processo de afiliação estudantil. Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa descritiva, em que foi utilizado o método de estudo de caso, visto que o estudo tomou como objeto as bibliotecas da UFBA. A técnica de coleta de dados foi a aplicação de questionários, sendo os(as) participantes que responderam esses instrumentos os(as) discentes bolsistas residentes do Serviço de Residência Universitária da UFBA. Nesse sentido, as considerações deste estudo indicam que as bibliotecas universitárias, ao realizarem a mediação da informação, possuem um elevado potencial de contribuir com o processo de afiliação estudantil. Mas faz-se necessário que as atividades sejam planejadas estrategicamente com foco nos(as) estudantes bolsistas residentes e que essas ações ocorram de maneira contínua, com ampla divulgação, para que esses sujeitos sejam acolhidos e incluídos, alcançando a emancipação e uma postura protagonista.

PALAVRAS-CHAVE: biblioteca universitária; afiliação estudantil; mediação da informação.

ABSTRACT: It is believed that the services offered by the university library play a crucial role in the student affiliation process and can favor the students’ retention. Affiliation usually occurs in the first year after the student’s admission and goes through three stages: unfamiliarity, learning, and affiliation. In this sense, the objective of this study was to show, according to the scholarship students of the university residence service (SRU UFBA), how the environment of the university library contributes to the student affiliation process. Regarding the methodology, this is a descriptive research, in which the case study method was used, since the study takes as its object the libraries of the Federal University of Bahia (UFBA). The data collection technique was the application of questionnaires, and the participants who answered these instruments were scholarship students resident in the University Residence Service of UFBA. In this sense, the considerations of this study indicate that university libraries, when mediating information, have a high potential to contribute to the student affiliation process. However, it is necessary that activities are strategically planned with a focus on resident scholarship students and that these actions occur continuously, with broad dissemination, so that these subjects are welcomed and included, achieving emancipation and a leading role.

Keywords: university library; student affiliation; information mediation.

1 INTRODUÇÃO

O processo de formação envolve uma ressignificação do ser, desestabilizando o conhecimento prévio de modo a apropriar-se de informações que podem ampliar ou modificar aquilo que se tinha como entendimento. Portanto, a formação, a aprendizagem e a produção de conhecimentos, atos relacionados e que o discente passa a realizar na universidade, compreendem mudanças, o que demanda posturas por parte desse sujeito. Pode-se compreender que essa dinâmica pode ser mais desafiadora quando os sujeitos não possuem familiaridade com dispositivos, regras e condutas que podem auxiliá-los nesse processo de formação na universidade. Assim, a afiliação estudantil pressupõe o tempo de adaptação, informar-se e compreender a universidade como instância que demanda conhecimento sobre sua lógica de funcionamento.

A biblioteca universitária pode favorecer o processo de afiliação estudantil, visto que, como dispositivo de informação, pode viabilizar o acesso a informações que apoiam os sujeitos nesse período. os(as) bibliotecários(as), como mediadores(as) da informação, podem realizar atividades que visam dirimir dúvidas e apoiar a busca e a recuperação de informações que estão no acervo e em outras fontes, que inclusive tratam sobre a instituição de ensino, atendendo as necessidades informacionais desses(as) usuários(as). Entre as atividades de mediação da informação, é preciso que o(a) bibliotecário(a), na ambiência da biblioteca universitária, compreenda a importância do processo de afiliação estudantil, corroborando o acolhimento dos sujeitos que ainda estão (re)conhecendo a universidade e precisam desenvolver o arcabouço necessário para se desenvolver em sua formação acadêmica, inclusive compreendendo a si e as lacunas deixadas no processo de aprendizagem, que precisam ser superadas, os quais, portanto, carecem de informações.

Diante do exposto, quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa descritiva, em que foi utilizado o método de estudo de caso, visto que o estudo adotou como objeto de investigação as bibliotecas universitárias da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A técnica de coleta de dados foi a aplicação de questionário por meio digital, sendo os(as) participantes que compuseram as amostras discentes bolsistas do Serviço de Residência Universitária (SRU) da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae) da UFBA. Utilizaram-se as abordagens quantitativa e qualitativa, sendo a primeira para a análise das respostas passíveis de mensuração e a segunda para interpretação das respostas.

Quanto à fundamentação teórica que fundamentou esta pesquisa, no que se refere à temática de mediação da informação, foram adotados os estudos realizados por Almeida Júnior (2015) e por Gomes (2020). Para a reflexão sobre afiliação estudantil, tomaram-se como referencial as contribuições de Coulon (2008). No âmbito da biblioteca universitária, foram utilizadas as contribuições de Gomes, Duarte e Santos (2014) e Santos (2015), conforme pode-se analisar na próxima seção.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A educação é uma importante base para a transformação individual e consequentemente social, pois oferece, para os sujeitos, condições de percepção sobre mudanças necessárias da sua realidade, como também do coletivo. Ingressar numa universidade federal, para muitos(as) estudantes oriundos(as) de escola pública e em vulnerabilidade socioeconômica, apesar de ser um percurso difícil, é o único caminho na busca de melhores condições de vida e realização de sonhos. O acesso à informação no processo da formação acadêmica gera conhecimentos, habilidades e competências que, além de prepararem o sujeito para o mercado de trabalho, poderão apoiá-lo no alcance do protagonismo, transformando sua história e contribuindo com a sociedade.

Ao tratar sobre a universidade, Chauí (2003, p. 1) afirma que esta é “vista como uma instituição social, cujas mudanças acompanham as transformações sociais, econômicas e políticas [...]”. Essa afirmação permite caracterizar a universidade como uma instância que sofre influências do seu contexto social, mas também interfere nesse meio da produção de conhecimentos sobre os fenômenos que o impactam. Nesse sentido, a universidade pode ser entendida como uma instituição complexa que não se limita aos seus muros, ou ao cumprimento de um conjunto de atividades, em um dado tempo histórico, mas exerce as influências das práticas sociais, como também reage a elas.

Para que o(a) estudante pertencente às comunidades sub-representadas se desenvolva na universidade, de acordo com Chauí (2003, p. 11), é preciso algumas condições favoráveis, tais como:

[...] bibliotecas dignas do nome, laboratórios equipados, informatização, bolsas de estudo para estudantes de graduação, alojamentos estudantis, alimentação e atendimento à saúde. Convênios de intercâmbio de estudantes entre as várias universidades do país e com universidades estrangeiras.

A partir do que afirma Chauí (2003), percebe-se que, além das políticas públicas que permitem o ingresso do (a) estudante brasileiro(a) em vulnerabilidade socioeconômica, antes à margem do ensino superior, se faz necessário um cenário favorável para sua permanência e desenvolvimento, considerando aspectos de infraestrutura física (laboratórios, bibliotecas e informatização), como também assistências que garantam a alimentação, a moradia, a possibilidade de realização de intercâmbios com outras instituições de ensino no Brasil e no exterior, entre outras ações que podem favorecer a formação desse(a) estudante no aspecto pessoal e profissional.

No que se refere ao início da assistência estudantil no Brasil, Souza e Costa (2020, p. 367) afirmam que:

[...] as primeiras ações de assistência estudantil não objetivavam atender pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica (alvo atual), posto que, naquele período, como já relatado, o ingresso nas instituições de ensino superior da época era mitigado. Ou seja, a assistência ao estudante universitário emerge da elite para elite, contribuindo para a manutenção das desigualdades nesse nível de ensino [...].

Portanto, essa afirmação evidencia que a assistência estudantil era voltada apenas para as classes privilegiadas, e não havia políticas públicas do Estado direcionadas para os indivíduos em fragilidade socioeconômica, o que ampliava a exclusão e a marginalização dos grupos minoritários, aumentando as desigualdades sociais e educacionais. Durante muito tempo, a condição econômica limitava o indivíduo que almejava o acesso ao ensino superior e a obtenção do diploma de conclusão de curso, pois as informações sobre o processo seletivo eram escassas e a inscrição para o vestibular, inacessível; para muitos(as), era uma taxa alta, pois eram advindos(as) de famílias pobres nas quais a alimentação era prioridade.

Pode-se afirmar que as políticas públicas, ampliadas a partir do governo do Partido dos Trabalhadores (PT), em 2003, por exemplo, permitiram a isenção das taxas do vestibular, e em 2012 foi sancionada a lei de cotas raciais, o que favoreceu o ingresso e a democratização do acesso do indivíduo em vulnerabilidade socioeconômica à universidade. De acordo com Silva Filho (2014, p. 214):

[..] uma ação afirmativa de reserva de vagas nas universidades garante a diversidade nesse nível de ensino, assegura uma democratização da composição racial dos segmentos sociais médios, assim como permite a visualização positiva de indivíduos de segmentos antes invisíveis socialmente ou com uma imagem apenas negativa, associada a elementos que rebaixavam a autoestima de um grupo social.

A partir das colocações apresentadas por Silva Filho (2014), entende-se que as ações afirmativas, enquanto uma categoria específica de políticas públicas, são relevantes para suprir lacunas sociais na constituição do Estado brasileiro, especialmente as que estão relacionadas às diferenças raciais, pois visam dirimir os problemas enfrentados pelos(as) estudantes em vulnerabilidade socioeconômica no que tange ao acesso e à permanência na universidade, contribuindo para a democratização do ensino superior. Nesse sentido, salienta-se que politicamente a missão da universidade é tornar-se inclusiva, visto que anteriormente era tida como instituição acessível apenas à parte privilegiada da sociedade, difícil de ser alcançada pelas comunidades sub-representadas, que tiveram que lutar e pressionar Estados e governos para obterem o acesso ao ensino superior (Santos; Almeida Filho, 2008, p. 170).

Entende-se também que não basta dar acesso ao ensino superior, é preciso fornecer o suporte necessário para que, ao ingressarem na universidade, os(as) estudantes consigam efetivamente permanecer nela e seguir em sua formação, com o aproveitamento esperado até a sua conclusão. Por essa razão, é relevante que as instituições formadoras, por meio do incentivo de políticas públicas, promovam assistência estudantil. Nas instituições públicas federais, a configuração da estrutura organizacional prevê um órgão específico para direcionar essas ações de assistência aos estudantes, que, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), é denominado de Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae).

A Proae é uma unidade da administração central da UFBA, instituída em 2006 por meio da Resolução nº 05/2006, assinada pelo reitor Naomar Monteiro de Almeida Filho, como proposta de ser um novo modelo assistencial, uma ampliação das atividades desempenhadas pela Superintendência Estudantil (SET). A transformação da SET na Proae teve como objetivo gerenciar as bolsas existentes e a ampliação delas, visto que a demanda das bolsas estava defasada diante do crescimento de estudantes ingressos(as) em vulnerabilidade socioeconômica.

Conforme suas definições regimentais, cabe à Proae “[...] planejar, fomentar, dirigir, coordenar, supervisionar, avaliar e controlar os programas e projetos de ações afirmativas e de assistência estudantil [...]” (UFBA, 2013, p. 39) para fins de promover a igualdade de acesso aos serviços e a permanência na universidade, principalmente dos(das) estudantes com menos privilégios sociais e que dependem de políticas públicas, uma vez que esses(as) discentes estão em segmentos da sociedade historicamente submetidos às desigualdades econômicas e sociais. os(as) estudantes em risco social precisam de programas que os(as) auxiliem para que eles(as) possam ter desempenho acadêmico satisfatório.

Desse modo, Lacerda e Valentini (2018, p. 414) refletem que:

Programas de moradia estudantil no Brasil são destinados a estudantes considerados em situação de vulnerabilidade social, ou seja, estudantes que possuem condições materiais ou financeiras deficitárias para sua manutenção na universidade e que residam distante da unidade de ensino.

Nesse sentido, os programas de moradia à pessoa universitária em vulnerabilidade social proporcionam moradia digna, gratuita, localizada próxima aos campi, às bibliotecas, aos restaurantes universitários, aos laboratórios e a outros espaços e serviços imprescindíveis ao ambiente acadêmico. Tais ações podem promover segurança, atenção às suas necessidades e interação social com outros(as) residentes, contribuindo para o processo de afiliação e a construção de novos saberes e favorecendo desempenho acadêmico significativo durante o curso. Portanto, o serviço de residência universitária torna-se uma importante ação de permanência estudantil e democratização do ensino superior.

Como citado anteriormente, o SRU da UFBA é uma importante ação que visa o alcance da justiça social, pois:

[...] visa ao avanço nas políticas de acesso e permanência, em busca de consolidação do Programa de Ações Afirmativas, bem como a ampliação conceitual e política da Assistência Estudantil como instrumento de transformação das relações sociais, culturais e acadêmicas no âmbito da UFBA. Vale ressaltar que o cumprimento das metas apresentadas prevê a contemplação de estudantes ingressos pelo sistema de cotas e aqueles que, apesar de não terem ingressado pelas cotas apresentam comprovadamente o perfil de vulnerabilidade social e econômica conforme os critérios definidos pela PROAE (Plano de desenvolvimento institucional 2008-2010, p. 62-63).

Dessa maneira, pode-se compreender que o SRU possibilita a inclusão e a permanência do(a) estudante em situação de vulnerabilidade socioeconômica na universidade, pois os benefícios que o compõem, e os demais que abrangem a Proae, contemplam o ingresso dos(das) estudantes, a permanência no curso e ainda envolvem os aspectos socioculturais.

Com relação à afiliação estudantil, Coulon (2008, p. 261) defende que “afiliar-se é naturalizar e incorporar práticas e modos de funcionamento correntes na universidade que antes não faziam parte dos hábitos dos novos estudantes”. De acordo com essa afirmação, pode-se refletir que o(a) discente, ao afiliar-se, atua de maneira consciente, entendendo as práticas acadêmicas no que tange às normas que regem a universidade, às atividades acadêmicas e aos procedimentos administrativos. Portanto, é um movimento essencial para sua permanência na universidade e, mais especificamente, que favorece o (re)conhecimento da biblioteca nesse processo de desenvolvimento acadêmico, profissional e pessoal, ou seja, para a transformação de sua vida.

Coulon (2008) ainda indica que, ao ingressar na universidade, durante o período de afiliação, o(a) estudante passa por três modificações significativas na aprendizagem, que estão relacionadas ao tempo, ao espaço e às regras do saber. Conforme o autor, o tempo está relacionado ao aprendizado da durabilidade das aulas, que são mais extensas do que no ensino médio, a quantidade de horas no decorrer da semana é maior e as avaliações ocorrem em momentos diferentes do ano. O espaço da universidade também é maior do que a escola do ensino médio, e, devido à grande extensão da universidade, os(as) estudantes podem ter dificuldade de se deslocar. Por fim, o autor considera as regras do saber como a “mudança mais espetacular”, pois a relação com as normas e com o saber produzidos pela universidade, em que existe uma imensidão de regras complexas, que são utilizadas simultaneamente, pode ser dificultosa, e o seu desconhecimento acarreta barreiras na adaptação e no vínculo entre estudante e universidade. Dessa maneira, ao compreenderem as “regras do aprender”, os(as) estudantes desenvolvem habilidades que os(as) auxiliam a se afiliarem.

De acordo com Coulon (2008), no que se refere às etapas do processo de afiliação estudantil, o tempo de aprendizagem é uma fase delicada e definitiva, pois obter sucesso ou fracasso dependerá do desenvolvimento do(a) discente nesse estágio. É uma fase delicada pela sensibilidade na qual o(a) discente se encontra, sentindo-se estranho(a), perdido(a) e sozinho(a). Por outro lado, é definitiva porque, dependendo de como ocorra a atuação dos(das) profissionais que compõem a universidade e de como ele(a) desempenhe o ofício de ser estudante, essa etapa refletirá positivamente ao alcançar o sucesso, que é a afiliação intelectual e institucional, ou poderá resultar em baixo rendimento acadêmico do(a) estudante, além da possibilidade de este(a) não conseguir permanecer no curso, evadir, mudar de curso e até ser jubilado(a) – ou seja, ter a matrícula cancelada por não cumprir o tempo máximo de permanência no curso.

Ao refletir sobre a biblioteca universitária no processo de afiliação estudantil, Coulon (2008, p. 255) afirma que:

O uso competente de uma biblioteca universitária é uma manifestação de afiliação intelectual. As informações que procuramos estão todas lá, escondidas em algum lugar no meio de dezenas de milhares de volumes, mas se não sabemos como ativar as instruções elementares da pesquisa documental que permite traçar, de maneira autônoma e individualizada, nosso próprio caminho, não saberemos onde procurar, nem por onde começar e vamos terminar por colher apenas algumas linhas sobre o autor procurado. O trabalho almejado não pode ser realizado com sucesso. Nasce, então, muito frequentemente, um sentimento de fracasso, de frustração que pode chegar até o desencorajamento e a autodepreciação.

Essa afirmação permite compreender a importância da biblioteca universitária, dos seus produtos e serviços, da sua diversidade de informações e a necessidade de se realizarem ações que apoiem a formação dos(das) usuários(as) para realizarem a busca da informação. Desse modo, nota-se a necessidade dos serviços de um(a) profissional mediador(a), visto que o autor mencionado explicita que as informações estão no ambiente, porém “escondidas”, além de sinalizar como consequências da falta de conhecimento quanto ao repertório e ao uso eficiente da pesquisa documental: o fracasso, a frustração, o desencorajamento e até a autodepreciação, fatores que podem ser evitados com o apoio do(a) agente mediador(a) nesse processo de apropriação da informação, que favorece a afiliação.

Nesse contexto, a biblioteca universitária é um ambiente que tem um importante papel, por ser um espaço que possui diversas atividades voltadas aos(às) discentes dos cursos de graduação e por interagir com o público interno e externo em diversos momentos, esclarecendo dúvidas e apoiando o acesso às informações referentes ao acervo e à instituição, atendendo as necessidades informacionais desses(as) usuários(as).

Diante do exposto, Silva e Gomes (2009, p. 8) apontam que a biblioteca universitária “[...] contribui para a introdução nas práticas informacionais e para o fortalecimento do aprendizado de estratégias e procedimentos que favorecem a aquisição de conhecimentos [...]”. Com isso, acredita-se que a biblioteca pode contribuir para que os(as) estudantes compreendam o espaço, o tempo e as regras que fundamentam os processos universitários por meio da produção de dispositivos de informação, bem como com a realização de serviços que são importantes para o processo de afiliação dos(das) discentes recém-ingressos(as).

Santos (2015), ao explanar sobre a biblioteca universitária, afirma que seu objetivo é oferecer suporte informacional de acordo com as dificuldades dos(das) usuários(as); para tanto, amplia seus produtos e serviços conforme o uso e a maneira com que estes(as) se apropriam da informação. A partir desse entendimento, as bibliotecas universitárias, pelos seus produtos e serviços, como também pelas atividades que visam auxiliar os indivíduos no processo de acesso e apropriação da informação, destacam-se e tornam-se dispositivos de mediação da informação entre as comunidades interna e externa da universidade.

Portanto, compreende-se que o(a) bibliotecário(a) poderá atuar, por meio da mediação consciente da informação, no apoio e no auxílio às dificuldades informacionais desses(as) discentes. O respeito, a interação e as atitudes acolhedoras desses(as) profissionais mediadores(as) poderão aproximar os(as) discentes da biblioteca universitária, e estes(as) poderão acessar e se apropriar das informações. Por outro lado, o(a) bibliotecário(a) deve não só ser empático(a) e acolhedor(a), mas também apoiar o(a) estudante no acesso às informações que subsidiem suas atividades e auxiliem no seu processo de afiliação, de modo que o(a) discente se sinta mais incluído(a) no ambiente universitário, rompendo as barreiras e lacunas no processo de formação que não o(a) preparou para a universidade.

De acordo com Gomes, Duarte e Santos (2014, p. 4):

A biblioteca universitária é fundamental para a atividade de ensino-aprendizagem, pois, através dos seus acervos ela permite que o usuário tenha acesso à informação que está registrada e que representa o conhecimento consolidado e aceito pela comunidade científica, o que facilita ao usuário o desenvolvimento de suas reflexões, a realização de debates sobre os temas no interior de grupos de estudo e pesquisa.

Acredita-se que as bibliotecas universitárias corroboram a afiliação estudantil, pois buscam interagir e apoiar o(a) estudante na ampliação de seu arcabouço intelectual, cultural e científico necessário para que ele(a) alcance o sucesso no processo de afiliação intelectual e acadêmica, pois, de acordo com Coulon (2008), é preciso que o(a) estudante se adapte aos códigos do ensino superior e aprenda a fazer uso adequado de seus instrumentos em sua rotina acadêmica. Sendo assim, as bibliotecas universitárias, como um espaço de troca de saberes, de encontros e de partilhas, podem ser entendidas como dispositivos para tal finalidade, contribuindo para uma formação efetiva e qualificada.

Considerando esse contexto, em busca de afirmação e inserção no âmbito acadêmico, pode-se considerar que a efetividade da afiliação estudantil ocorre também por meio da mediação consciente da informação realizada pelo(a) bibliotecário(a), visto que esta última apoiará o alcance da emancipação acadêmica. A mediação da informação realizada nas bibliotecas universitárias pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de novos conhecimentos – entre esses, os que se referem à conduta e à dinâmica universitária – e, consequentemente, de uma postura protagonista na comunidade.

Antes de compreender melhor o processo de mediação da informação, reflete-se, com base na perspectiva de Gomes (2020), que, quando o sujeito alcança uma postura protagonista, essa atitude se torna um estilo de vida, e esse posicionamento é refletido em todos os âmbitos da vida e gera ações de resistência diante dos obstáculos e da discriminação enfrentados.

No entanto, para que exista essa mudança de postura e perspectiva, é preciso existir uma mediação da informação efetiva. Para Almeida Júnior (2015, p. 15), a mediação da informação é:

Toda ação de interferência – realizada em um processo, por um profissional da informação e na ambiência de equipamentos informacionais – direta ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; visando a apropriação de informação que satisfaça, parcialmente e de maneira momentânea, uma necessidade informacional, gerando conflitos e novas necessidades informacionais.

Mediante a reflexão do autor, compreende-se que o ato de mediar é intrínseco à atuação dos(das) profissionais da área de Biblioteconomia, uma vez que as atividades de mediação da informação ocorrem como um processo que visa apoiar os(as) usuários(as) na apropriação da informação. Ao relacionar o conceito de Almeida Júnior (2015) com o ambiente da biblioteca universitária, pode-se afirmar que o(a) bibliotecário(a), ao realizar seleção, preservação, organização e gestão da informação, desenvolverá a mediação indireta da informação. No entanto, ações como disseminação da informação e formação do(a) leitor(a) podem ser consideradas mediação direta da informação, em que a interação de bibliotecário(a) com o(a) usuário(a) acontece durante o desenvolvimento da ação. Desse modo, mesmo que em alguns casos exista um maior grau de interação entre bibliotecários(as) e usuários(as), tanto nas ações diretas quanto nas indiretas, o objetivo principal é favorecer a apropriação da informação.

Ainda refletindo sobre a biblioteca universitária, Santos, Sousa e Almeida Júnior (2021, p. 353) indicam que:

[...] ambientes informacionais podem disponibilizar dispositivos como cartas, fotografias, músicas, livros, revistas etc., que guardam traços identitários dos indivíduos e dos grupos que evocam uma percepção sensorial, além de agregar o valor afetivo. Quando a identidade individual também tem uma dimensão coletiva e constitui os traços memorialísticos de grupos sociais, é possível que, além do valor afetivo, seja atribuído o valor simbólico, porque a sociedade reconhece o pertencimento dos dispositivos informacionais que transparecem fatos, acontecimentos e histórias de vida de sujeitos e grupos sociais.

Pode-se observar que os ambientes informacionais, bem como os(as) seus/suas agentes mediadores(as), podem estar associados à memória individual e coletiva dos sujeitos, de modo que estes se sintam representados em sua constituição identitária. Nesse sentido, o(a) estudante, ao ingressar na universidade, ainda sentindo-se deslocado(a) do seu contexto sociocultural, pode identificar dispositivos e práticas informacionais que atribuam sentido e sejam reconhecidos pelos sujeitos, favorecendo a ampliação de um sentimento de pertencimento.

Assim, entende-se que a mediação da informação, ao ser realizada de forma consciente, poderá contribuir para o processo de afiliação estudantil, de modo a favorecer o acesso dos(das) usuários(as) às informações necessárias para a realização de suas atividades, além de possibilitar que eles(as) alcancem uma conduta protagonista, de mudança da sua realidade e de outros indivíduos que integram seu contexto sociocultural.

3 METODOLOGIA

Este estudo se caracteriza como descritivo, de natureza qualitativa e quantitativa, cujo método adotado foi o estudo de caso, tendo como universo os(as) discentes bolsistas da UFBA com a amostra composta por bolsistas do SRU da UFBA. O objetivo foi evidenciar, segundo os(as) discentes bolsistas do serviço de residência universitária (SRU) da UFBA, como a ambiência da biblioteca universitária contribui para o processo de afiliação estudantil. Para alcançar esse objetivo, a técnica utilizada foi a aplicação de questionário junto aos(às) discentes bolsistas no SRU/Proae da UFBA.

De acordo com os dados obtidos no site da Proae/UFBA, entre os anos de 2021 e 2024, o SRU auxiliou aproximadamente 400 discentes. Nesse sentido, devido a essa amplitude da totalidade dos(das) discentes bolsistas, foi adotado um segundo critério para a constituição dessa amostra: os(as) discentes que ingressaram nas residências universitárias nos anos de 2018 e 2019 – o ingresso ocorre semestralmente –, totalizando 102 (cento e dois) discentes. O entendimento para a definição desse segundo critério é que esse(a) discente ingressou na UFBA há pelo menos um ano, pois acredita-se que ele(a) teria alcançado o processo de afiliação estudantil. Ressalta-se que não foram selecionados(as) para integrar a amostra os(as) bolsistas com ingresso no ano de 2020 (2020.1 e 2020.2), porque não houve ingresso de bolsistas no SRU, nem os(as) discentes com matrícula em 2021.1 e 2021.2, que não teriam vivenciado a experiência das etapas do processo de afiliação na ambiência da biblioteca devido ao estado de pandemia da covid-19 e seus agravamentos, com orientações decretadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no período de 11 de março de 2020 a 5 de maio de 2023.

Nesse sentido, ainda em um cenário pandêmico, após reflexão sobre a pesquisa, fez-se necessário reavaliar a constituição dessa amostra, e estabeleceu-se o critério por acessibilidade. Solicitou-se uma relação de dados dos(das) bolsistas do SRU/UFBA à Proae, que foi enviado por e-mail. No referido documento, havia dados referentes ao nome completo dos(das) bolsistas da residência, ano de ingresso no SRU/UFBA, número de matrícula (que evidencia o ano de ingresso no curso), e-mail, telefone para contato, local de origem e residência em que moravam.

A partir dessa relação de dados dos(das) bolsistas vinculados(as) com a Proae/UFBA, foram enviados e-mails para esses contatos, e solicitou-se aos(às) próprios(as) bolsistas que fizessem a divulgação e a disseminação do endereço eletrônico do questionário de modo que se pudesse ter acesso ao maior quantitativo possível de bolsistas residentes da UFBA, visto que o critério estabelecido era por acessibilidade. Desse modo, realizou-se também contato por meio do aplicativo WhatsApp e por ligação telefônica para reforçar a importância da participação dos(das) bolsistas nesta pesquisa.

Destarte, o questionário direcionado aos(às) discentes bolsistas foi composto por perguntas tanto objetivas quanto discursivas, tendo como eixos: a) identificação e perfil dos(das) discentes bolsistas do SRU da UFBA; b) formação dos(das) discentes bolsistas do SRU da UFBA; c) ingresso do(a) discente bolsista e sua trajetória na universidade; e d) atividades e produtos desenvolvidos pelos(as) bibliotecários(as) na ambiência da biblioteca universitária que favorecem o vínculo entre os(as) discentes bolsistas e a UFBA.

Após a coleta de dados, os resultados foram analisados por meio da abordagem qualitativa e quantitativa. Salienta-se que foi escolhida a abordagem quantitativa para análise das respostas dos(das) discentes passíveis de mensuração, pois ela permite a quantificação de padrões, tendências e relações entre os dados, proporcionando uma compreensão quantitativa mais precisa e estruturada do problema investigado, e a abordagem qualitativa nos dados obtidos permitiu a realização de uma análise e identificação dos padrões, tendências e variáveis dessas respostas.

4 RESULTADOS: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO

Salienta-se que o questionário direcionado para os(as) discentes bolsistas do serviço de residência foi respondido por 45 estudantes bolsistas do SRU da UFBA, porém um(a) bolsista da residência não autorizou a coleta de dados. Portanto, esta parte da pesquisa integrou as respostas de 44 estudantes bolsistas do SRU, os(as) quais foram renomeados(as) por códigos para preservar suas respectivas identidades, por exemplo, Residente 1, Residente 2, Residente 3 e assim por diante. Ressalta-se que tal ordem crescente seguiu a ordem de resposta do questionário. Sendo assim, são apresentadas informações que descrevem o perfil desses(as) respondentes, iniciando pelo primeiro bloco do questionário, em que se pretendeu conhecer o perfil desses(as) estudantes bolsistas e por meio do qual foi possível conhecer a faixa etária e cor ou raça autodeclarada.

No intuito de conhecer sobre os(as) respondentes que compuseram a amostra desta pesquisa, perguntou-se a esses(as) discentes bolsistas da residência qual era a faixa etária deles(as), sendo sugeridas opções de “até 18 anos” a “acima dos 50 anos”. dos(das) 44 discentes bolsistas da residência universitária, 26 respondentes tinham entre 23 e 26 anos, 9 respondentes possuíam entre 19 e 22 anos, seis respondentes possuíam entre 27 e 30 anos, um(a) (1) residente indicou possuir entre 31 e 34 anos, um(a) residente respondente indicou possuir acima de 35 anos e um(a) residente informou ter acima de 40 anos. Por outro lado, não houve respondentes que explicitaram ter até 18 anos e nem acima de 50 anos.

Desse modo, parte significativa (41) dos(das) residentes que participaram desta pesquisa estava na faixa etária até os 30 anos. Ainda que não tenham existido bolsistas participantes da pesquisa com idade igual ou acima de 50 anos, percebe-se que os(as) respondentes estavam em distintas fases da vida, o que é um fator positivo pensando na vivência destes(as) e no compartilhamento de repertórios de saberes. Infere-se que a relação intergeracional pode proporcionar troca de conhecimentos e indicativo para as bibliotecas de modos diversos de utilização de seu espaço para atividades mediadoras, considerando a pluralidade dos sujeitos.

Tornou-se relevante conhecer outras características dessa amostra, como, por exemplo, como estes(as) se autodeclaravam em relação à cor/raça, usando como base as indicações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e oferecendo as alternativas: pardo(a), preto(a), branco(a), indígena e amarelo(a). No que se refere à autodeclaração racial dos(das) estudantes bolsistas do serviço de residência, 24 residentes se autodeclararam pardos(as), 16 residentes se autodeclararam pretos(as), quatro (04) bolsistas se autodeclararam brancos(as) e não houve autodeclaração nas opções indígena e amarelo(a). Desse modo, nota-se que, dos(das) 44 residentes bolsistas do SRU da UFBA, 40 se autodeclararam pretos(as) e pardos(as); portanto, a maioria dos(das) residentes eram pessoas negras.

Diante do exposto, destaca-se que o perfil dos(das) discentes bolsistas foi predominantemente composto por pessoas pretas e pardas (91%). Nessa perspectiva, essas informações tornam-se significativas, pois, durante as atividades de mediação da informação realizadas pelos(as) bibliotecários(as) com os(as) estudantes bolsistas, faz-se necessário que haja a busca pela representatividade, além de tornar as ações humanizadoras, fortalecendo no encontro, além do acesso aos documentos, a aproximação das histórias de vida e a identificação da constituição memorialística e identitária de pessoas que se reconhecem por cor e por outros marcadores sociais, bem como pelas lutas sociais. Nesse encontro pode ocorrer um processo que seja fundamentado no entendimento das dificuldades enfrentadas, no reconhecimento e na identificação raciais, na compreensão dos marcadores sociais que invisibilizam esse grupo de sujeitos, e, por meio dessa percepção da representatividade social, que os(as) bibliotecários(as) e os(as) usuários(as) possam fortalecer os laços socioculturais e possam atuar pelo coletivo.

Nessa amostra, pelo objetivo do estudo, algumas informações tornaram-se de fundamental relevância. Uma delas foi conhecer a trajetória escolar dos(das) discentes anterior ao ensino superior, visto que eram estudantes bolsistas. Os dados mostram que 39 estudantes residentes informaram que realizaram todo o ensino médio na rede pública de ensino, quatro (4) estudantes residentes disseram que todo o ensino médio foi na rede particular de ensino e apenas um(a) (1) estudante residente informou que realizou parte do ensino médio na rede particular e parte na rede pública de ensino. Assim, é possível notar que a maioria dos(das) estudantes bolsistas da residência universitária (39) eram egressos da escola pública.

Nessa conjuntura, vale destacar que, dos 44 respondentes, 39 bolsistas do SRU cursaram todo o ensino médio na rede pública de ensino; acrescido a esse fator, também foram maioria os(as) autodeclarados(as) pretos(as) e pardos(as) (40). Nota-se a importância de esses sujeitos, pretos(as)/pardos(as) e em vulnerabilidade socioeconômica, ao ingressarem em uma universidade federal conceituada e reconhecida nacionalmente, refletirem sobre o papel social, em sua coletividade, da representatividade a que se vinculam e que permeia os espaços socioculturais, como também conhecerem as atividades, as normas, os produtos e os serviços, enfim, todas as nuances que envolvem a dinâmica acadêmica a fim de alcançarem melhores desempenhos em seu processo formativo. Silva Filho (2008) considera que o acesso ao ensino superior contribui para aumentar as chances de esses grupos obterem acesso às riquezas e prestígio social e, consequentemente, pode colaborar para a elevação da autoestima e a mudança da autoimagem.

Tornou-se relevante saber a percepção dos(das) discentes bolsistas quanto ao acolhimento e ao entendimento das normas e das dinâmicas institucionais ao ingressarem na UFBA. Para isso, perguntou-se a esses(as) estudantes, de forma objetiva, se, ao ingressarem na UFBA, eles(as) sentiram-se acolhidos(as) e entenderam as normas e as dinâmicas institucionais, e foram disponibilizadas as seguintes opções: concordo, concordo totalmente, discordo, discordo plenamente e indiferente (ou neutro) para que escolhessem apenas uma opção. Nesse sentido, cinco (5) residentes indicaram a opção discordar plenamente de terem se sentido acolhidos(as) e entendido as normas e as dinâmicas institucionais, seis (6) residentes informaram que discordavam, 11 residentes indicaram que eram indiferentes ou neutros(as), quatro (4) residentes informaram que concordavam totalmente, e 18 residentes responderam que concordavam que ocorreu o acolhimento e o entendimento das normas e das dinâmicas institucionais.

Pode-se perceber que a maioria dos(das) discentes bolsistas da residência (22) concordaram que houve acolhimento e entendimento das normas e das dinâmicas institucionais ao ingressarem na UFBA, visto que responderam que concordavam (18) e concordavam totalmente (4). Por outro lado, há que se considerar o expressivo quantitativo de residentes bolsistas que indicaram que discordavam (6), discordavam plenamente (5) e que eram indiferentes (11) quanto ao sentimento de acolhimento e entendimento das normas e das dinâmicas institucionais, o total de 22 residentes que não se sentiram acolhidos(as) e não entenderam as normas e as dinâmicas institucionais.

Nessa perspectiva, buscou-se compreender como ocorreu esse acolhimento e a percepção das normas e das dinâmicas institucionais para esses(as) estudantes bolsistas quando ingressaram na universidade. Para isso, perguntou-se a esses(as) bolsistas se houve alguma ação ou evento institucional voltado para a recepção de calouros quando eles(as) ingressaram na UFBA. De acordo com as respostas obtidas por meio do questionário, foi possível identificar que houve uma predominância de discentes bolsistas residentes que afirmaram que existiu ação ou evento voltado para a recepção do(a) calouro(a) (28 residentes). Por outro lado, uma quantidade considerável informou que não houve ações (14 residentes) e apenas dois/duas (2) bolsistas residentes indicaram que não sabiam responder.

Torna-se evidente que a comunidade acadêmica, incluindo os(as) bibliotecários(as) associados(as) a ela, precisam ampliar suas atividades mediadoras a fim de recepcionar os(as) discentes em seu ingresso na universidade e subsidiar ativamente seu desenvolvimento, oportunizando o acesso e a apropriação de informações que auxiliem na afiliação intelectual e institucional desses(as) estudantes bolsistas do SRU da UFBA. os(as) bibliotecários(as) podem desempenhar um papel importante na recepção e no apoio aos(às) discentes durante seu ingresso na universidade; as ações mediadoras e a oferta de recursos e informações relevantes podem ajudar os(as) estudantes a conhecerem a universidade e seus códigos, bem como contribuir para que possam se adaptar mais facilmente ao ambiente acadêmico e desenvolver suas habilidades de pesquisa e aprendizado.

Os (As) bibliotecários(as) do setor de referência são essenciais, uma vez que poderão auxiliar os(as) discentes bolsistas do SRU na sua trajetória acadêmica ao realizarem a mediação direta e consciente da informação, segundo categorias defendidas por Almeida Júnior (2015), principalmente nos períodos iniciais, que Coulon (2008) descreve como tempos do estranhamento e da aprendizagem da afiliação estudantil. A contribuição desses(as) bibliotecários(as) pode resultar no desenvolvimento acadêmico com resultados positivos e promover o sucesso desses(as) bolsistas durante sua trajetória na universidade, visto que, por meio da mediação da informação, serão permitidos o acesso e a apropriação de informações que subsidiarão a emancipação desses(as) estudantes.

Buscou-se saber, de acordo com a visão desses(as) estudantes, quais os ambientes da UFBA que foram essenciais no acesso às informações sobre as normas e as dinâmicas universitárias, e, para isso disponibilizaram-se as opções: coordenação de curso, sala de aula, biblioteca, centro ou diretório acadêmico e outro(s). Dessa forma, as respostas estão representadas no gráfico a seguir:

Com base nos dados apresentados no Gráfico 1, de acordo com a percepção dos(das) discentes bolsistas da residência quanto aos ambientes da UFBA que foram essenciais no acesso às informações sobre as normas e as dinâmicas universitárias, dos(das) 44 respondentes, seis (6) escolheram a opção “outros” e, ao marcarem essa opção, especificaram: colegas de curso e Empresa Jr. (1 residente), amigos (1 residente), internet (1 residente), Coletivos de Estudantes Quilombolas da UFBA (Codequi) (1 residente), Movimento Nacional de Casas de Estudantes (1 residente) e amizades que conquistei (1 residente). Entre as opções oferecidas no questionário, a sala de aula foi o local que mais se destacou no acesso às informações sobre as normas e as dinâmicas universitárias, visto que 17 residentes indicaram essa opção. Por outro lado, a biblioteca foi o ambiente que menos (3) foi indicado no acesso a esse tipo de informação, o que contradiz a missão desse ambiente. Torna-se relevante que os(as) bibliotecários(as) reflitam sobre atividades mediadoras que subsidiem a afiliação estudantil, nas quais, além das informações que constam no acervo sobre o domínio na área do conhecimento de seus cursos de formação profissional, também possam ser compartilhadas informações essenciais para o desenvolvimento acadêmico do(a) discente, o que poderá interferir em sua permanência e relação com o ambiente que integra.

Nesse sentido, perguntou-se aos(às) discentes bolsistas do SRU qual seria o ambiente da UFBA, além da sala de aula, que mais frequentavam para estudar. Ressalta-se que foram disponibilizadas as seguintes alternativas: bibliotecas da UFBA, laboratório de informática, a própria residência, ambiente de convivência e outros. Pôde-se observar que três (3) bolsistas da residência informaram que utilizavam ambientes de convivência para estudar, 25 estudantes bolsistas preferiam estudar na própria residência e 16 residentes escolheram a opção de bibliotecas da UFBA. Apesar de ter um quantitativo significativo de estudantes que priorizavam estudar na biblioteca, torna-se relevante que os(as) bibliotecários(as) atuem na perspectiva de evidenciar que a biblioteca possui uma ambiência que favorece o ato de estudar e proporciona também encontros com os sujeitos que contribuem com esse processo, além do acesso aos dispositivos que propiciam a recuperação das informações. os(as) agentes mediadores(as) ao compreenderem que os estudantes priorizam o ambiente da biblioteca para estudarem, também poderão apresentar a biblioteca como uma instância de compartilhamento de saberes, de práticas culturais, um espaço simbólico de atribuição de sentido, em que os estudantes poderão ter o apoio necessário para sua formação e transformação social.

Diante da resposta significativa quanto à utilização das bibliotecas da UFBA como ambiente de estudo, pretendeu-se saber, de forma objetiva, se esses(as) bolsistas frequentavam as bibliotecas universitárias da UFBA. dos(das) quarenta e quatro (44) discentes bolsistas residentes do SRU, onze (11) responderam que não frequentavam a biblioteca universitária e trinta e três (33) afirmaram que frequentavam a biblioteca universitária da UFBA. Dessa maneira, apesar de a biblioteca não ser o ambiente prioritário a que recorriam para realizarem seus estudos, ainda foi (re)conhecida pelos sujeitos. Entretanto, é preciso fortalecer os laços de pertencimento com esses(as) discentes e atrair os(as) onze (11) discentes que não frequentam a biblioteca. Nessa perspectiva, a biblioteca universitária é um ambiente fundamental para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, possibilita a apropriação da informação pelos sujeitos e também é o espaço onde ocorrem as interações e as trocas de informações (Gomes; Duarte; Santos, 2014).

Para uma melhor compreensão sobre como se dava essa frequência dos(das) discentes bolsistas nas bibliotecas universitárias, foi questionado se eles(as) conheciam as atividades da biblioteca universitária. Dessa forma, 23 estudantes bolsistas responderam que não conheciam as atividades da biblioteca universitária e 21 discentes bolsistas do SRU responderam que conheciam as atividades da biblioteca universitária. Nota-se um quantitativo expressivo de respondentes (23) que afirmaram não possuir conhecimento das atividades da biblioteca universitária, o que significa, entre outras possibilidades, a ausência de apoio direto da biblioteca universitária na graduação desses sujeitos, a falta de utilização de dispositivos informacionais reconhecidos pela comunidade científica e a inexistência de interferência por meio das ações dos(das) bibliotecários(as) na vida acadêmica desses(as) usuários(as). Essa ausência pode ocorrer por diferentes motivos, dentre eles a falta de divulgação efetiva por parte da biblioteca ou até mesmo por falta de tempo, oportunidade e interesse para explorar os serviços oferecidos por parte desses(as) estudantes. Contudo, a vivência na biblioteca universitária, ou a falta dela, repercute de maneira ímpar na atuação social – com destaque no contexto acadêmico e profissional desses sujeitos.

Para dirimir esse problema, é importante que as bibliotecas universitárias adotem estratégias de divulgação mais efetivas, com orientações desde o início do ano letivo, para apresentarem seus serviços e dispositivos voltados para suprir as necessidades informacionais dos(das) estudantes, destacando como esses recursos podem ser relevantes em suas atividades acadêmicas, na socialização e na produção científica. Mas é importante não se limitarem às ações pontuais e demandadas. os(as) bibliotecários(as) precisam, de maneira contínua, estabelecer uma relação com os(as) usuários(as), desenvolvendo atividades de mediação direta da informação, por exemplo, palestras, oficinas, visitas guiadas, atividades de mediação da leitura – entre estas, práticas de biblioterapia, ações culturais, disseminação seletiva da informação –, entre outras ações, que se perpetuem por meio da atribuição de sentido por parte desses sujeitos, o que pode favorecer que eles, após a conclusão do curso, ainda utilizem de maneira recorrente a biblioteca. Portanto, os(as) agentes mediadores, nas bibliotecas universitárias, podem subsidiar que os sujeitos atinjam uma conscientização sobre suas atividades e garantir que esses(as) usuários(as) aproveitem ao máximo os serviços e os recursos que estão disponíveis para apoiá-los(as), em especial, durante o processo de afiliação, e lhes garantir um bom desempenho acadêmico durante o curso.

Desse modo, também tornou-se necessário saber quais serviços da biblioteca universitária da UFBA esses(as) estudantes bolsistas do SRU da UFBA utilizavam ou já utilizaram, sendo sugeridas as seguintes opções: outros; não utilizo os serviços da biblioteca da UFBA; orientações para elaboração da ficha catalográfica; palestras, seminários e outros eventos; Núcleo de Acessibilidade Informacional (Nasibi); solicitação de material bibliográfico – compra; capacitação de usuários; Comutação Bibliográfica (Comut); consultas a livros, revistas e outros materiais informacionais; e empréstimo. Salienta-se que os(as) respondentes poderiam selecionar mais de uma opção das que foram disponibilizadas. Essas respostas estão apresentadas no Gráfico 2.

Por meio do Gráfico 2, é possível observar que, dos(das) 44 respondentes, apenas um(a) (1) residente selecionou a opção “outros” e informou o projeto de extensão “Dom Quixote: a biblioteca andante”, um(a) (1) residente utilizava ou utilizou o serviço de orientações para elaboração da ficha catalográfica, e seis (6) escolheram a alternativa “palestras, seminários e outros eventos”. As opções “consulta aos livros, revistas e outros materiais informacionais” e “empréstimos” foram as mais selecionadas, ambas foram escolhidas por 36 bolsistas do SRU. Por outro lado, nenhum(a) dos(das) 44 residentes escolheram as opções Nasibi, solicitação de material bibliográfico – compra, capacitação de usuários e Comut.

Para contribuir para a permanência dos(das) discentes bolsistas da residência na universidade e para sua fidelização à biblioteca universitária durante e após a graduação, faz-se necessário que os(as) bibliotecários(as) estejam atentos(as) e investiguem as necessidades informacionais dos sujeitos, considerem todas as áreas do conhecimento de interesse, bem como apresentem conteúdos referentes aos produtos e aos serviços que compõem a biblioteca, contribuindo na formação profissional e social desses sujeitos (Santos, 2015).

Além disso, por meio da mediação da informação realizada pelos(as) bibliotecários(as) do setor de referência, esses(as) discentes bolsistas do SRU da UFBA poderão apropriar-se das informações e tornar-se emancipados e capazes de desenvolver e fortalecer o protagonismo social (Gomes, 2020). Assim, quando os serviços oferecidos na biblioteca universitária atendem às necessidades e às expectativas dos usuários(as), estes(as) ficam satisfeitos(as), e, ao causar uma experiência positiva, tem-se como possíveis consequências levar os(as) usuários(as) a um aumento no uso da biblioteca e à fidelização. Outro aspecto positivo é favorecer a busca, o uso e a apropriação da informação dos(das) bolsistas da residência, evitando a desistência desses(as) estudantes do curso ou o desempenho ruim durante a graduação.

Para uma melhor compreensão sobre a percepção dos(das) bolsistas do SRU quanto ao uso da biblioteca, foi questionado, de forma objetiva – sim ou não –, se as orientações fornecidas pelo serviço de referência da biblioteca foram suficientes para a pesquisa desejada. 40 residentes afirmaram que sim e apenas quatro discentes residentes responderam que não. Fez-se necessário solicitar a esses(as) respondentes que comentassem suas respectivas respostas.

Desse modo, o(a) Residente 1 mencionou: “Consegui o material que necessitava”, o(a) Residente 10 explicitou: “Atendeu minhas demandas”, o(a) Residente 12 enfatizou: “Sim, foram suficientes”, o(a) Residente 25 afirmou: “Sim, foi suficiente”, o(a) Residente 26 relatou: “No mesmo dia consegui o empréstimo dos livros na biblioteca”, o(a) Residente 27 informou: “Encontrei o que precisava”, o(a) Residente 29 salientou que as informações e o(a) Residente 32 disse: “Fui em busca de material para pesquisa”. Pode-se compreender, a partir dos comentários desses(as) residentes quanto à percepção da suficiência das orientações fornecidas pelo serviço da biblioteca para a realização da pesquisa desejada, que as orientações foram adequadas e atenderam às suas necessidades, pois esses(as) bolsistas expressaram satisfação com a disponibilidade dos materiais e do serviço de empréstimos de livros e com o bom atendimento dos(das) bibliotecários(as). Esses comentários sugerem que na biblioteca eles(as) encontraram um serviço adequado para realizarem suas pesquisas.

Ao refletir sobre a importância que a biblioteca universitária tem para a comunidade acadêmica e para a sociedade como um todo e sobre sua missão, que está além de ser um espaço físico, compreende-se que ela possui outros aspectos essenciais, visto que ela também dissemina conhecimento, promove o ensino e a aprendizagem, oferece acesso às bases de dados e aos recursos digitais, que podem auxiliar os(as) usuários(as) na busca por literatura científica, fornece orientação sobre o desenvolvimento de pesquisas e a elaboração de ficha catalográfica, ajuda na localização de fontes de informação, entre outras atividades. Desse modo, compreende-se a relevância do (da) bibliotecário(a) e da sua atuação no desempenho de suas funções no serviço de referência.

O (A) Residente 2 descreveu: “A moça me ensinou a buscar pelo computador o livro que eu necessitava e ir buscar na prateleira, depois disto não precisava mais de ajuda para procurá-lo”; o(a) Residente 13 falou: “Fui bem recepcionado(a) e orientado(a) pelos funcionários”; o(a) Residente 18 explicou que: “Os funcionários costumam orientar bem os alunos sobre o que eles buscam”, e o(a) Residente 23 indicou: “Os atendentes sempre me auxiliaram a encontrar os títulos”. o(a) Residente 20 disse que obteve “Facilidade no atendimento”; o(a) Residente 31 acreditou que: “Os bibliotecários sempre buscaram uma forma de orientar tanto em livros digitais quanto nos físicos onde encontro e como encontro”; o(a) Residente 40 apontou: “A bibliotecária responsável me orientou”. Portanto, pode-se constatar que o serviço da biblioteca estava atendendo às expectativas da maioria desses(as) estudantes bolsistas do SRU da UFBA que participaram desta pesquisa e que os(as) bibliotecários(as) realizavam suas atividades mediadoras de maneira efetiva a fim de suprir as necessidades de pesquisa desses(as) bolsistas para o alcance da informação, bem como contribuindo para que eles(as) alcançassem a emancipação, visto que esse resultado ficou evidente na fala do (da) Residente 2: “A moça me ensinou [...] depois disto não precisava mais de ajuda para procurá-lo”. A mediação da informação realizada por esses(as) agentes mediadores(as) têm contribuído, em certa medida, com o desenvolvimento acadêmico, o processo de afiliação e o sentimento de pertencimento à biblioteca universitária.

Cada sujeito tem suas próprias experiências com o mesmo serviço: enquanto alguns podem ter tido sentimentos positivos e orientações que contribuíram com seus objetivos, outros podem não ter tido esse suporte e ainda alcançar seus propósitos. A diversidade de comentários e a disponibilidade dos(das) respondentes em detalharem suas experiências demonstraram suas diferentes vivências na biblioteca universitária.

Neste estudo, dentre os(as) bolsistas residentes, alguns/algumas respondentes, ao apresentarem suas experiências quanto às orientações fornecidas para a realização de pesquisa, destacaram informações sobre o atendimento dos(das) profissionais específicos. os(as) Residentes 6 e 28 explicitaram na questão anterior que as orientações fornecidas pelo serviço de referência da biblioteca não foram suficientes para a pesquisa desejada e, ao justificarem suas respostas, indicaram que “Faltou pesquisar mais sobre as obras” e que “A organização dos livros na biblioteca é meio confusa”. Nota-se que esses(as) estudantes expressaram que vivenciaram momentos de dificuldades ao procurarem a biblioteca universitária. Esse processo foi desafiador para eles(as), mas poderia ter sido mais fácil se tivessem obtido suporte e informações necessárias durante o processo de afiliação estudantil. Nesse sentido, os(as) bibliotecários(as) do serviço de referência, pelas atividades desempenhadas na biblioteca universitária, poderão ser acessíveis, de modo que os(as) bolsistas se sintam à vontade para fazerem perguntas e pedirem ajuda na busca por materiais e recursos informacionais de forma estratégica e assertiva, bem como para utilizarem efetivamente a biblioteca universitária, seus produtos e serviços e obterem informações para realizarem pesquisas por meio dos dispositivos informacionais.

5 CONSIDERAÇÕES

A partir dos resultados alcançados por meio da análise dos questionários junto aos(às) discentes bolsistas, foi possível verificar que há uma contribuição dos(das) bibliotecários(as) no processo de afiliação estudantil na ambiência da biblioteca universitária. Desse modo, dos(das) quarenta e quatro (44) estudantes bolsistas participantes desta pesquisa, trinta e seis (36) afirmaram que utilizavam ou utilizaram a biblioteca para realizarem pesquisas e empréstimos dos dispositivos informacionais. Identificou-se ainda que a biblioteca representa um local que potencializa os estudos e acolhe os(as) estudantes em sua vida acadêmica. Desses(as) quarenta e quatro (44) bolsistas, quarenta (40) relataram que o(a) bibliotecário(a) poderia contribuir para o acolhimento aos(às) estudantes, e a maioria desses(as) respondentes também indicou que seu primeiro contato com o(a) bibliotecário(a) foi positivo. Desse modo, essas ações realizadas pelos(as) mediadores(as) da informação podem favorecer que os(as) estudantes, no período de afiliação, sintam-se integrados, incluídos e pertencentes a algum espaço, contribuindo para a sua permanência na universidade.

Por meio da análise dos resultados obtidos nesta pesquisa e de acordo com as respostas dos questionários, foi possível compreender a carência de um olhar atento aos (às) discentes em vulnerabilidade e suas necessidades, principalmente aos (às) bolsistas do SRU, por serem em sua maioria pretos(as), oriundos de escola pública, baixa renda e de cidades distantes de Salvador. Nota-se também que, após o Reuni, ampliou-se o quantitativo de vagas, e posteriormente houve a ampliação de cotas, mas algumas questões no âmbito da universidade não acompanharam esse desenvolvimento. Pode-se inferir que talvez tenha ocorrido uma estagnação de alguns/algumas profissionais após anos de atuação, sendo o papel desses(as) profissionais como mediadores(as) da informação essencial por possuírem um poder transformador ao atuarem na biblioteca, que é um local vivo, democrático e com elevado potencial de inclusão sociocultural.

É relevante que a comunidade acadêmica compreenda a necessidade de acolher os(as) estudantes bolsistas em vulnerabilidade, sendo basilar os (às) bibliotecários(as) darem o suporte necessário e estarem preparados(as) para contribuir com o processo de afiliação estudantil. Diante do exposto, recomenda-se que os(as) bibliotecários(as) realizem ações contínuas voltadas para os(as) discentes recém-ingressos(as) nas universidades e nas bibliotecas universitárias, divulgando ações pensadas para eles(as). Essas ações precisam ocorrer além das primeiras semanas de aula, pois esse é o momento em que os(as) novos(as) discentes estão se sentindo perdidos(as), com medo e ansiosos(as) diante do desconhecido e da quantidade de informações recebidas. As atividades planejadas e realizadas com foco nesses(as) usuários(as) podem gerar nesses indivíduos sentimento de segurança, acolhimento e a percepção de que esse ambiente é um lugar multifacetado, voltado para o ensino e a aprendizagem que eles(as) buscam, bem como podem permitir que os(as) bibliotecários(as) conheçam as necessidades e as dificuldades enfrentadas por esses(as) estudantes recém-ingressos(as).

REFERÊNCIAS

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Gráfico 1 – Ambientes da UFBA que foram essenciais no acesso às informações sobre as normas e as dinâmicas universitárias.

Fonte: Elaborado pelas autoras (2024).

Gráfico 2 – Serviços da biblioteca universitária da UFBA que os(as) discentes bolsistas utilizam ou já utilizaram

Fonte: Elaborado pelas autoras (2024).