ASPECTS AND PRACTICES OF INFORMATIONAL SUSTAINABILITY: AN ANALYSIS BASED ON SCIENTIFIC PRODUCTION
ASPECTOS E PRÁTICAS DA SUSTENTABILIDADE INFORMACIONAL: UMA ANÁLISE À LUZ DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Keila Thaina da Silva
ORCID: https://orcid.org/0009-0008-7965-6323
Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Brasil.
Especialista em Educação em meio ambiente pelo Centro Universitário Maurício de Nassau
(UNINASSAU), Brasil.
Graduada em Engenharia civil pela UFRN, Brasil.
Assistente em Administração da UFRN, Brasil.
E-mail: keila.thaina@ufrn.br
Daniel de Araújo Martins
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0998-5147
Doutor em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Professor associado IV da UFRN, Brasil. Professor permanente do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFRN, Brasil. Coordenador do curso de Administração Pública da UFRN, Brasil.
E-mail: daniel.martins@ufrn.br
RESUMO: A sustentabilidade informacional refere-se à produção, ao uso e à gestão sustentáveis da informação, de modo a evitar o esgotamento de recursos e a sobrecarga dos sistemas que a utilizam. Além disso, constitui instrumento de sensibilização e mobilização social em prol do desenvolvimento sustentável. Apesar de seu potencial, a literatura científica evidencia ausência de sistematização que articule seus aspectos conceituais às práticas efetivas. Este artigo tem por objetivo analisar, com base na literatura científica, os aspectos e as práticas da sustentabilidade informacional, em busca de estabelecer conexões entre esses elementos. A pesquisa, de natureza qualitativa e de caráter exploratório-descritivo, baseia-se em revisão bibliográfica não exaustiva, realizada nas bases de dados BRAPCI, Portal de Periódicos CAPES e Google Acadêmico. Para a análise dos dados, adotou-se a técnica de análise de conteúdo, com duas categorias previamente definidas: aspectos e práticas da sustentabilidade informacional. Os dados foram organizados em quadro, o que possibilitou o mapeamento de oito aspectos: gestão sustentável da informação; acesso equitativo à informação; conscientização e mobilização social; preservação da informação; sustentabilidade ambiental da informação; transparência na comunicação; tecnologias sustentáveis de informação; e ética da informação. Cada aspecto associou-se a práticas identificadas na literatura, o que evidenciou convergências teóricas e aplicações possíveis. Os resultados indicam a sustentabilidade informacional como construção multidimensional e transversal, com potencial de orientar políticas e ações. Como contribuição, apresenta-se sistematização capaz de subsidiar futuras pesquisas e políticas informacionais voltadas à gestão da informação mais eficiente, ética e sustentável. Recomenda-se investigação empírica para avaliar práticas informacionais sustentáveis.
PALAVRAS-CHAVE: sustentabilidade informacional; práticas informacionais sustentáveis; gestão da informação; desenvolvimento sustentável; ciência da informação.
ABSTRACT: Informational sustainability refers to the sustainable production, use, and management of information, aiming to prevent the depletion of informational resources and the overload of systems that process and disseminate them. It also functions as a tool for raising awareness and mobilizing society toward sustainable development. Despite its potential, the scientific literature reveals a lack of systematization that connects its conceptual aspects to concrete practices. This article aims to analyze, based on the scientific literature, the key aspects and practices of informational sustainability, seeking to establish connections between these elements. The research adopts a qualitative and exploratory-descriptive approach, conducted through a non-exhaustive literature review in the BRAPCI database, the CAPES Journal Portal and Google Scholar. Data analysis followed the content analysis technique, guided by two pre-established categories: aspects and practices of informational sustainability. The findings were organized in a framework that allowed the identification of eight core aspects: sustainable information management, equitable access to information, awareness and social mobilization, information preservation, environmental sustainability of information, transparency in communication, sustainable information technologies, and information ethics. Each aspect was linked to specific practices identified in the literature, revealing theoretical convergences and possible applications. The results highlight informational sustainability as a multidimensional and cross-cutting construct, with potential to inform public policies and actions. As a contribution, the study offers a systematization that may support future research and guide more efficient, ethical, and sustainable information management. Further empirical investigation is recommended to evaluate sustainable informational practices.
Keywords: informational sustainability; sustainable information practices; information management; sustainable development; Information Science.
1 INTRODUÇÃO
A crescente preocupação com os impactos das atividades humanas, intensificada pelo processo de globalização, impulsiona o debate sobre modelos de desenvolvimento mais equilibrados e responsáveis. Nesse contexto, os conceitos de desenvolvimento sustentável e sustentabilidade orientam políticas e ações que buscam conciliar o progresso econômico, as necessidades humanas e a preservação ambiental.
O termo “desenvolvimento sustentável” difundiu-se a partir do Relatório Brundtland (1987) e designa o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as próprias necessidades. A sustentabilidade, por sua vez, pode ser compreendida como o conjunto de iniciativas voltadas ao equilíbrio dinâmico entre o desenvolvimento humano e a preservação do meio ambiente, com foco na salubridade ambiental, no bem-estar e na continuidade das gerações (Boff, 2017). Assim, a sustentabilidade se consolida como estratégia para alcançar o desenvolvimento sustentável em diferentes segmentos.
Como desdobramento dessas discussões, emergiram iniciativas como a Agenda 2030, firmada em 2015 pelos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento expressa o compromisso global de alcançar, até 2030, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), orientados à promoção do equilíbrio entre justiça social, prosperidade econômica e preservação ambiental, desdobrados em 169 metas.
Cabe destacar que esse e outros documentos da ONU reconhecem a importância do acesso, da utilização e do compartilhamento de informações para o desenvolvimento sustentável (Chowdhury; Koya, 2017). Desse modo, além de ser estratégia para enfrentar problemas globais, a sustentabilidade depende da informação como elemento estruturante. Nessa perspectiva, evidencia-se que a informação pode apoiar a concepção e o monitoramento de projetos alinhados aos ODS e atuar como recurso para despertar atenção, promover compreensão sobre a temática, incentivar participação social e subsidiar decisões fundamentadas (Albagli, 1995; Geraldo, Pinto, 2019b; Geraldo; Pinto; Duarte, 2022).
Nesse cenário, a Ciência da Informação (CI), campo que tem a informação como objeto de estudo (Araújo, 2018; Fernandez, 1995; Le Coadic, 1996), vem se inserindo de modo progressivo no debate sobre desenvolvimento sustentável. A área procura ampliar as discussões, sobretudo no que se refere ao papel da informação na mediação e na promoção de práticas sustentáveis (Albagli, 1995; Nolin, 2010; Geraldo; Pinto; Duarte, 2022).
Entre as abordagens emergentes, destaca-se o conceito de sustentabilidade informacional, entendido como a capacidade de produzir, gerir e utilizar informação de forma responsável e eficiente, em alinhamento com o desenvolvimento sustentável. Essa perspectiva enfatiza a gestão sustentável, o acesso equitativo, a preservação e a disseminação da informação como meios de garantir disponibilidade, segurança e privacidade. Inclui, ainda, o uso da informação para sensibilizar e mobilizar a participação social em ações voltadas ao desenvolvimento sustentável (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022).
A sustentabilidade informacional constitui, portanto, abordagem que integra práticas informacionais aos ODS, ao reconhecer a informação como recurso estratégico e instrumento de sensibilização, mobilização social e transformação cultural. Nessa direção, a informação se configura como ferramenta para a construção de uma sociedade mais consciente e sustentável (Nolin, 2010; Geraldo; Pinto, 2021).
Nos últimos anos, observou-se crescimento do interesse pela temática no âmbito da CI (Geraldo; Pinto, 2019a; Moraes; Dias; Inomata, 2023), com diversas possibilidades de investigação. Ainda assim, persiste fragmentação quanto à definição, à delimitação e à operacionalização da sustentabilidade informacional, especialmente no que se refere a seus aspectos constitutivos e à sistematização de práticas.
Essa fragmentação é evidenciada por Souza e Valentim (2023), que apontam ausência de práticas de sustentabilidade informacional em instituições que adotam a sustentabilidade como valor estratégico, a exemplo de bibliotecas universitárias públicas. As ações identificadas limitam-se, em geral, à gestão de recursos e serviços, sem articulação conceitual com a abordagem da sustentabilidade informacional.
Geraldo e Pinto (2025), por sua vez, identificam que profissionais da informação, como bibliotecários dos Tribunais Regionais Federais, demonstram desconhecimento sobre a Agenda 2030 e baixo envolvimento em políticas institucionais de sustentabilidade. A constatação revela reduzido grau de integração e apropriação da sustentabilidade informacional nesses contextos, o que fragiliza o papel transformador da informação e compromete o desenvolvimento de uma gestão informacional sustentável, inclusiva e equitativa .
Além disso, a literatura registra práticas associadas à gestão, à preservação e à inclusão informacional que, embora convergentes com a sustentabilidade informacional, não recebem essa denominação nem são tratadas sob essa perspectiva. Exemplo disso é o estudo de Silva, Oliveira e Braga (2025), que discute iniciativas informacionais articuladas aos ODS sem enquadrá-las explicitamente no marco da sustentabilidade informacional. Esse panorama reforça a necessidade de mapear e sistematizar, na produção científica da área, os aspectos e as práticas que compõem essa perspectiva, com vistas à consolidação conceitual e à identificação de contribuições capazes de orientar políticas informacionais alinhadas aos princípios da sustentabilidade. Desse modo, ampliam-se as possibilidades de aplicação e de articulação conceitual da sustentabilidade informacional em contextos científicos, educacionais e institucionais.
Diante desse cenário, parte-se da premissa de que a literatura científica da CI reúne elementos teóricos e práticos que permitem identificar aspectos e iniciativas relacionados à sustentabilidade informacional, ainda que sem essa nomeação. A organização sistemática desses conteúdos pode favorecer sua consolidação conceitual e sua aplicação em diferentes contextos. Assim, este estudo tem por objetivo analisar, com base na literatura científica, os aspectos e as práticas da sustentabilidade informacional, com o intuito de estabelecer conexões entre esses elementos.
Nessa direção, a pesquisa ancora-se na produção bibliográfica nacional e internacional da CI que discute temas relacionados à sustentabilidade informacional, tais como gestão sustentável da informação, tecnologias sustentáveis de informação, preservação da informação, acesso equitativo e uso responsável dos recursos informacionais.
2 SUSTENTABILIDADE INFORMACIONAL: ALINHANDO INFORMAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
A popularização do conceito de desenvolvimento sustentável, ocorrida após a publicação do Relatório Brundtland, trouxe ao debate a necessidade de promovê-lo como estratégia para garantir o futuro coletivo. Nesse contexto, evidencia-se que a efetividade da gestão da sustentabilidade depende do acesso à informação de qualidade e da capacidade de gerar conhecimento voltado à resolução inovadora de problemas (Araújo; Inomata; Rados, 2014).
A relevância da informação como recurso estratégico foi afirmada na Agenda 21 — documento da ONU elaborado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992) —, que dedicou um capítulo à discussão do papel da informação no êxito do desenvolvimento sustentável (Albagli, 1995). Essa relevância foi reafirmada e consolidada com a Agenda 2030, lançada em 2015, ao incluir, entre suas metas, a garantia de acesso à informação (Barbieri, 2020; Geraldo; Pinto, 2021).
Como reflexo da crescente complexidade dos desafios globais contemporâneos, as discussões sobre desenvolvimento sustentável e sustentabilidade expandiram-se para diferentes campos do conhecimento. A CI, enquanto área dedicada ao estudo, à organização e à gestão da informação, bem como aos meios de disseminação e uso informacional, também precisa integrar-se a esse debate e ampliar sua atuação (Geraldo; Pinto, 2019a). Nesse sentido, Geraldo e Pinto (2019a) defendem que a CI assuma compromisso com a sustentabilidade, ao atender às necessidades informacionais da sociedade e ao incorporar a sustentabilidade informacional às pesquisas científicas da área.
Nesse panorama, marcado pela necessidade de uma agenda de pesquisa na CI capaz de responder aos desafios de alinhamento entre processos informacionais e desenvolvimento sustentável, emerge a sustentabilidade informacional. Essa abordagem propõe o desenvolvimento de práticas e discussões científicas voltadas à integração entre produção, disseminação e uso da informação e os objetivos do desenvolvimento sustentável (Geraldo; Pinto, 2021). Para tanto, enfatiza a gestão responsável dos recursos informacionais, o acesso equitativo, a transparência, o estímulo à participação cidadã por meio do uso e da disseminação da informação, além da preservação da memória coletiva (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022; Geraldo; Pinto, 2024; Nolin, 2010).
Compreendida como a capacidade de produzir e utilizar informação de forma sustentável, a sustentabilidade informacional pressupõe o desenvolvimento de tecnologias e práticas que assegurem continuidade e integridade informacional, de modo que a informação seja gerida para atender às necessidades do presente sem comprometer as do futuro (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022). Em um mundo cada vez mais conectado e digital, no qual se intensificam desafios relacionados ao processamento, ao armazenamento e à comunicação da informação (Gouveia, 2023), essa abordagem adquire maior relevância para assegurar preservação e uso qualificado da informação.
Além disso, a sustentabilidade informacional utiliza a informação como instrumento de sensibilização, conscientização e mobilização social em favor dos objetivos globais do desenvolvimento sustentável. Essa atuação se materializa em ações que não se limitam à preservação de recursos informacionais, mas incluem a promoção de igualdade no acesso à informação, a ampliação da acessibilidade, o enfrentamento da desinformação e o incentivo ao uso de tecnologias da informação mais limpas e eficientes (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022).
A consolidação da sustentabilidade informacional como abordagem na CI ancora-se em reflexões que buscaram articular o papel da informação no contexto do desenvolvimento sustentável, presentes desde os anos 1990. Nesse percurso, destacam-se as discussões de Spink (1995), Albagli (1995) e Nolin (2010), que contribuíram para a construção de um campo conceitual voltado à integração entre informação e desenvolvimento sustentável.
Spink (1995) abordou visões dicotômicas do desenvolvimento sustentável e suas implicações para o futuro da CI, ao destacar que o desafio da área não se restringe à contribuição para o debate sobre sustentabilidade, mas inclui a reflexão sobre a própria natureza de uma CI sustentável. Albagli (1995), por sua vez, enfatizou, no contexto do desenvolvimento sustentável, o papel multifacetado da “informação ambiental”, a qual, conforme a autora, abrange diferentes dimensões: científica, técnico-econômica, sociopolítica e geopolítica. A autora também ressaltou sua relevância tanto como instrumento decisório quanto como elemento estratégico de negociação e transformação .
Nolin (2010) amplia esse debate ao propor o conceito de “informação sustentável” como meio de conectar a CI ao desenvolvimento sustentável:
A informação sustentável refere-se a recursos que facilitam a integração e a participação de acordo com as três partes constitutivas do desenvolvimento sustentável (proteção social, econômica e ambiental) e/ ou contribuem para o reforço do processo de transformação da sociedade de acordo com os ideais do desenvolvimento sustentável (Nolin, 2010, p. 21, tradução nossa).
Por meio desse conceito, Nolin (2010) busca articular a integração dos pilares social, ambiental e econômico do desenvolvimento sustentável com a produção, a preservação e o compartilhamento da informação. Nesse sentido, delineia duas frentes de atuação para a área: (1) informação para o desenvolvimento sustentável e (2) desenvolvimento de informação sustentável. A primeira busca fortalecer os aspectos comunicativos do desenvolvimento sustentável, ao promover sua aceitação e integração na sociedade. A segunda visa alinhar a tecnologia ao desenvolvimento sustentável, com o objetivo de tornar a produção e o uso das tecnologias da informação mais “limpos” (Nolin, 2010). Desse modo, atribui-se à CI papel ativo na transformação social e na promoção de práticas informacionais alinhadas aos princípios da sustentabilidade.
Esses estudos iniciais evidenciam que a relação entre informação e desenvolvimento sustentável já recebia atenção sob diferentes enfoques, ainda que de modo disperso e sem a consolidação de um conceito unificado. As contribuições de Spink (1995), Albagli (1995) e Nolin (2010) abriram caminhos para a incorporação da sustentabilidade como perspectiva analítica e prática na CI, ao enfatizar o papel estratégico da informação na transformação social e ambiental .
Nesse contexto, emerge o termo “sustentabilidade informacional”. O conceito passou a ser utilizado de forma mais sistemática a partir das pesquisas de Geraldo e Pinto (2019a, 2019b, 2021, 2022, 2024, 2025), que contribuíram para o aprofundamento teórico e o fortalecimento das discussões sobre o tema no campo da CI.
As investigações desses autores indicam que a sustentabilidade informacional não se limita a uma única perspectiva, mas abrange diferentes linhas de pesquisa, em diálogo com temas emergentes e interdisciplinares. Nesse sentido, destacam-se como possibilidades de investigação: Marketing Verde em Unidades de Informação; uso de tecnologias sustentáveis da informação; organização sustentável da informação; competências em sustentabilidade informacional na CI; desafios informacionais da sustentabilidade informacional; alinhamento entre a CI e objetivos globais; sustentabilidade da informação no enfrentamento da desinformação; e ecossistemas sustentáveis (Geraldo; Pinto, 2021).
Complementarmente, Geraldo, Pinto e Duarte (2022) identificam, como vertente emergente, estudos voltados à compreensão e à discussão de desafios relacionados à organização, à recuperação, à disponibilização e ao uso da informação, com ênfase em pesquisas dedicadas ao funcionamento de sistemas complexos na área.
Diante desse cenário, a sustentabilidade informacional revela-se abordagem relevante e necessária no campo da CI, marcada por desenvolvimentos conceituais progressivos e por um campo de pesquisa em expansão. Sua formulação ao longo dos anos expressa esforço contínuo de integração entre os pilares do desenvolvimento sustentável e os processos informacionais, ao reforçar o papel estratégico da informação na construção de uma sociedade mais consciente, inclusiva, equilibrada e comprometida com a sustentabilidade em suas diferentes dimensões.
3 DESAFIOS, POTENCIALIDADES E PRÁTICAS DA SUSTENTABILIDADE INFORMACIONAL
A sustentabilidade informacional, como conceito emergente, envolve não apenas o alinhamento das práticas informacionais aos aspectos do desenvolvimento sustentável, mas também a superação de desafios e o aproveitamento de oportunidades. A compreensão desses elementos favorece o aprofundamento da temática e contribui para uma gestão da informação mais eficiente e sustentável.
Diversos autores discutem os desafios associados à sustentabilidade informacional. Chowdhury (2013) apresenta obstáculos específicos relacionados à sustentabilidade econômica, social e ambiental dos serviços de informação digital e destaca que cada dimensão possui desafios e objetivos próprios. Na dimensão econômica, o desafio consiste em assegurar formas mais econômicas, simples e eficientes de acesso à informação; na social, em garantir acesso equitativo à informação como meio de promover uma sociedade mais bem informada; e, na ambiental, em minimizar impactos, sobretudo as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida dos serviços de informação digital (Chowdhury, 2013).
Geraldo, Pinto e Duarte (2022) ampliam o debate ao indicar que um dos principais desafios da sustentabilidade informacional se relaciona ao volume crescente de informações geradas diariamente, o que dificulta o gerenciamento eficiente e sustentável desse conjunto. Os autores também ressaltam a necessidade de tecnologias e práticas capazes de assegurar a preservação de recursos informacionais, bem como a falta de clareza conceitual e a ausência de padrões específicos para a gestão sustentável, fatores que limitam sua aplicabilidade (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022).
Além de desafios técnicos e conceituais, há aspectos sociopolíticos a considerar. A transição para uma sociedade sustentável exige processos decisórios complexos, especialmente no campo político, com decisões fundamentadas em informações consistentes e análises precisas (Geraldo; Pinto, 2021). Por isso, o acesso à informação e à educação torna-se indispensável para que a sociedade compreenda que um ambiente saudável sustenta o bem-estar humano, o funcionamento da economia e a continuidade da vida no planeta (Geraldo; Pinto, 2022; Nolin, 2010). Esse horizonte inclui desafios de sensibilização, enfrentamento de resistências culturais e promoção do acesso à informação.
Outro desafio relevante refere-se à necessidade de não tratar a sustentabilidade informacional de modo isolado, mas articulá-la a outras áreas do conhecimento. O desenvolvimento de ações estratégicas que favoreçam essa integração representa passo essencial para ampliar a eficácia das soluções propostas (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022).
Santos e Damian (2024) complementam essa discussão ao abordar desafios mais específicos no contexto da gestão sustentável da informação nas organizações. Entre os principais, destacam-se: a falta de conscientização e de conhecimento sobre os impactos ambientais associados ao uso inadequado da informação; a dificuldade de mensurar e avaliar os impactos das práticas de gestão sustentável da informação, em razão da exigência de precisão nos dados coletados, da definição de indicadores adequados e de análises mais criteriosas das informações obtidas; a resistência cultural; e a necessidade de investimentos em infraestrutura apropriada.
Diante desse panorama, os desafios da sustentabilidade informacional configuram-se como um conjunto de fatores interligados, que abrange desde a gestão do volume e dos impactos da informação até questões culturais, estruturais e interdisciplinares. Para superá-los, tornam-se necessárias mudanças na cultura organizacional, nas práticas de trabalho e no comportamento informacional dos indivíduos. Desse modo, a transformação de mentalidades e atitudes constitui fator decisivo para enfrentar obstáculos e usufruir dos benefícios da sustentabilidade informacional. Esses desafios reforçam a importância de soluções integradas e coordenadas, que articulem tecnologia, conhecimento e mudança comportamental como estratégias de superação (Chowdhury, 2013; Chowdhury; Koya, 2017; Santos; Damian, 2024) .
Apesar dos obstáculos, a sustentabilidade informacional também oferece oportunidades relevantes para qualificar a gestão da informação. A adoção de práticas informacionais sustentáveis proporciona benefícios ambientais, operacionais e sociais. A identificação e o aproveitamento dessas oportunidades podem consolidar ambiente favorável à transformação da informação em recurso estratégico sustentável .
A esse respeito, Geraldo, Pinto e Duarte (2022) destacam que a gestão e o uso responsáveis e eficientes da informação contribuem para segurança, privacidade e disponibilidade informacional, além de favorecerem a sensibilização e a mobilização social em prol de uma sociedade mais equilibrada e sustentável.
Santos e Damian (2024), por sua vez, ressaltam que a adoção de tecnologias mais sustentáveis, como equipamentos e infraestruturas com menor consumo de energia e de recursos naturais, pode reduzir o impacto ambiental da gestão da informação. Tais práticas favorecem a redução de custos operacionais, a otimização de recursos e o aumento da produtividade organizacional. Além disso, a busca pela sustentabilidade pode estimular ambiente propício à inovação e ao desenvolvimento de produtos e serviços mais sustentáveis, com oportunidades de mercado e vantagens competitivas. A gestão sustentável da informação também favorece a identificação e a mitigação de riscos ambientais e sociais, o que permite postura proativa na prevenção de problemas e na implementação de medidas corretivas (Santos; Damian, 2024).
Dessa forma, evidencia-se que a sustentabilidade informacional contribui para a preservação da memória organizacional, a otimização de processos, a inovação, a gestão de riscos, a redução de impactos e a mobilização social em favor do desenvolvimento sustentável. Assim, fortalece a responsabilidade socioambiental das organizações, amplia sua capacidade de resposta e transparência e favorece a construção de uma sociedade mais engajada, informada e participativa, capaz de influenciar decisões coletivas e impulsionar transformações sociais alinhadas ao desenvolvimento sustentável (Geraldo; Pinto; Duarte, 2022; Santos; Damian, 2024).
No entanto, para converter oportunidades em resultados concretos, torna-se essencial adotar práticas efetivas de sustentabilidade informacional. Isso implica incorporar tais práticas em contextos organizacionais e sociais, com prioridade para a gestão eficiente de recursos informacionais, a acessibilidade, a equidade de acesso e a promoção da transparência (Geraldo; Pinto, 2024). Trata-se de transformar intenções em ações alinhadas aos princípios do desenvolvimento sustentável.
Nesse sentido, Nathan (2012) argumenta que as práticas de informação sustentável envolvem comportamentos socialmente negociados, por meio dos quais se criam, organizam, compartilham e armazenam informações ao longo de seu ciclo de vida, com protocolos adaptados às necessidades de diferentes setores, sem comprometer recursos destinados às gerações futuras. Chowdhury e Koya (2017) complementam ao afirmar que práticas de informação sustentável devem empregar tecnologias, ferramentas, normas e políticas apropriadas para assegurar sustentabilidade ao longo de todo o ciclo de vida da informação. Os autores também destacam que essas práticas precisam ultrapassar o âmbito das unidades de informação e alcançar toda a organização e suas atividades, com impactos que abrangem infraestruturas tecnológicas e políticas de informação digital, assim como comportamentos humanos e dinâmicas sociais e institucionais no uso da informação para a sustentabilidade.
Ao considerar os elementos discutidos ao longo desta seção, observa-se que a sustentabilidade informacional oferece à CI possibilidade concreta de fomentar uma gestão informacional orientada por valores sustentáveis. Trata-se de abordagem que contribui para o desenvolvimento de uma sociedade mais informada e consciente, com melhores condições de enfrentar desafios presentes e futuros por meio de informações sustentáveis (Geraldo; Pinto, 2021). Sua consolidação requer avanços conceituais e operacionais, o que inclui a superação de obstáculos estruturais, culturais e tecnológicos, bem como o fortalecimento de estratégias que promovam o uso responsável, ético e eficiente da informação.
Diante do que se discutiu até aqui, compreende-se que a identificação dos desafios e das potencialidades da sustentabilidade informacional amplia a compreensão sobre o alcance dessa abordagem, ao evidenciar suas complexidades, fragilidades e oportunidades. Ao explicitar benefícios e fatores que condicionam sua materialização, essas reflexões oferecem subsídios para a compreensão dos aspectos e das práticas apresentados posteriormente.
Por fim, para fins desta pesquisa, adotou-se o entendimento de que os aspectos da sustentabilidade informacional correspondem às diferentes formas pelas quais essa abordagem se manifesta, ao caracterizar e estruturar sua base conceitual. As práticas, por sua vez, compreendem ações concretas e observáveis que materializam esses aspectos em contextos organizacionais, sociais ou institucionais. Essa distinção conceitual entre aspectos e práticas fundamenta a análise desenvolvida neste estudo, que busca, a partir da produção científica, identificar e relacionar tais elementos.
4 ASPECTOS METODOLÓGICOS
Metodologicamente, trata-se de pesquisa básica, conduzida de forma exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa e coleta de dados centrada em revisão de literatura não exaustiva.
A pesquisa classifica-se como básica por visar à produção de conhecimentos teóricos voltados à compreensão e à sistematização de fenômeno ainda em consolidação no campo da CI, sem objetivo imediato de aplicação prática dos resultados (Prodanov; Freitas, 2013).
Quanto aos objetivos, o estudo configura-se como exploratório por tratar de tema que ainda carece de delimitação conceitual, a sustentabilidade informacional, e por buscar levantar informações, examinar abordagens existentes e ampliar a compreensão do objeto de estudo, o que possibilita a construção de novas perspectivas (Prodanov; Freitas, 2013). Paralelamente, assume caráter descritivo, pois busca identificar, caracterizar e analisar, de forma detalhada, os aspectos e as práticas da sustentabilidade informacional presentes na produção científica da área, além de estabelecer relações entre esses elementos (Santos, 2016; Oliveira, 2007).
No que se refere à abordagem, adotou-se o enfoque qualitativo, uma vez que a pesquisa busca compreender significados, relações e construções teóricas presentes nos textos analisados. Assim, realiza-se análise interpretativa dos dados, com base na leitura e na compreensão dos fenômenos investigados, sem emprego de mensurações estatísticas (Prodanov; Freitas, 2013; Sampieri; Collado; Lucio, 2013).
A estratégia metodológica adotada foi a pesquisa bibliográfica, realizada por meio de revisão de literatura não exaustiva. Essa classificação justifica-se pelo fato de o estudo ter realizado levantamento da bibliografia relacionada ao tema investigado, neste caso, trabalhos que abordam, direta ou indiretamente, a sustentabilidade informacional e práticas associadas, o que permite explorar o assunto e sustentar teoricamente as análises (Medeiros, 2003).
O levantamento bibliográfico ocorreu entre 17 e 25 de abril de 2025, com estruturação e execução em etapa única da pesquisa. Para ampliar e refinar os resultados, utilizaram-se estratégias de busca como o operador booleano AND e o uso de aspas. A busca foi guiada por quatro descritores principais: “sustentabilidade informacional”; “informational sustainability”; “sustainable information” AND “practice”; e “informação sustentável” AND “prática”. As pesquisas ocorreram inicialmente nas bases especializadas BRAPCI e Portal de Periódicos da CAPES e, de forma complementar e exploratória, no Google Acadêmico, em razão de sua abrangência e maior volume de indexação. Além das fontes digitais, integrou-se ao levantamento a obra de referência em formato físico Gestão da Informação, Gestão do Conhecimento, Inovação e Sustentabilidade: aproximações necessárias, organizada por Pinto, Silva e Mota (2024).
No total, ao considerar apenas as bases BRAPCI e Portal de Periódicos da CAPES, recuperaram-se 78 documentos. Durante a triagem, baseada na leitura de títulos, palavras-chave e resumos, identificou-se a ocorrência de duplicações entre as bases consultadas. Ressalta-se, ainda, o caráter não exaustivo do levantamento bibliográfico, cujo objetivo consistiu em identificar produções representativas e aderentes ao escopo da pesquisa.
Como critérios de inclusão, selecionaram-se produções completas, disponíveis em acesso aberto, publicadas em português ou inglês, com aderência ao objetivo do estudo e vinculadas ao campo da CI. Como critérios de exclusão, desconsideraram-se documentos duplicados e textos sem acesso ao conteúdo completo. Ao final, selecionaram-se 12 documentos, listados no Quadro 1, os quais compuseram o corpus da pesquisa.
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AUTORES |
TITULO |
ANO |
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NOLIN, J. |
Sustainable information and information Science |
2010 |
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NATHAN, L. P. |
Sustainable information practice: An ethnographic investigation |
2012 |
|
CHOWDHURY, G. G. |
Sustainability of digital information services. |
2013 |
|
CHOWDHURY, G.; KOYA, K. |
Information practices for sustainability: Role of iSchools in achieving the UN sustainable development goals (SDGs). |
2017 |
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GERALDO, G.; PINTO, M. D. S. |
Aspectos epistemológicos da Ciência da Informação e a construção conceitual da sustentabilidade informacional. In: BARBALHO, C. R. S.; INOMATA, D. O.; FERNANDES, T. B. (org.). Sustentabilidade informacional em ecossistemas de conhecimentos. |
2021 |
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BARBOSA, R. |
Gestão da informação para a sustentabilidade. In: BARBALHO, C. R. S.; INOMATA, D. O.; FERNANDES, T. B. (org.). Sustentabilidade informacional em ecossistemas de conhecimentos. |
2021 |
|
SANTOS, L. L.; PINTO, M. D. S.; ASCENCIO, M. A. |
Abordagens arquivísticas internacionais sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. |
2021 |
|
GERALDO, G.; PINTO, M. D. S.; DUARTE, E. J. |
A sustentabilidade informacional pode ser vista como um novo paradigma da Ciência da Informação? |
2022 |
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SANTOS, B. R. P.; DAMIAN, I. P. M. |
Gestão da informação para a sustentabilidade na era digital: aproximações necessárias. In: PINTO, M. D. S.; SILVA, E.; MOTA, F. R. L. Gestão da informação, gestão do conhecimento, inovação e sustentabilidade: aproximações necessárias. |
2024 |
|
MOTA, F. R. L. et. al. |
Contribuições efetivas para o desenvolvimento sustentável: reflexões a partir dos processos de gestão eletrônica de documentos no SEBRAE Alagoas. In: PINTO, M. D. S.; SILVA, E.; MOTA, F. R. L. Gestão da informação, gestão do conhecimento, inovação e sustentabilidade: aproximações necessárias. |
2024 |
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GERALDO, G; PINTO, M. D. S. |
Urgências climáticas e as dimensões da sustentabilidade: o que a Ciência da Informação tem a ver com isso? |
2024 |
|
GERALDO, G.; PINTO, M. D. S. |
A gestão de sustentabilidade na perspectiva dos bibliotecários dos Tribunais Regionais Federais. |
2025 |
Para a organização e a sistematização dos dados extraídos das obras apresentadas no Quadro 1, utilizou-se a técnica de fichamento, que envolve leitura atenta, decomposição textual e identificação de ideias centrais e de inter-relações entre conteúdos. Esse procedimento favorece análise mais racional e com maior distanciamento interpretativo, o que contribui para a organização dos achados da pesquisa (Medeiros, 2003).
A análise qualitativa dos dados coletados nesta pesquisa ocorreu por meio da técnica de análise de conteúdo, entendida como procedimento sistemático que permite classificar o conteúdo textual em categorias a partir de declarações, sentenças ou palavras. A técnica possibilita interpretar mensagens a partir de seus significados e sustenta inferências que ultrapassam o conteúdo explícito, ao indicar realidades subjacentes ao que se apresenta diretamente. Optou-se, em particular, pela análise temática, centrada na identificação e na organização de temas recorrentes no material analisado, o que permite leitura interpretativa e sistemática das unidades textuais (Flick, 2012).
A operacionalização da análise de conteúdo estruturou-se em três etapas principais: preparação dos dados, codificação e interpretação dos resultados.
Na etapa inicial, realizou-se a organização e a preparação dos dados. Para tanto, procedeu-se à leitura flutuante, o que favoreceu primeiro contato com o material e identificação de impressões gerais. Ainda nessa fase, definiram-se duas categorias de análise, previamente alinhadas aos objetivos do estudo: Aspectos da Sustentabilidade Informacional e Práticas de Sustentabilidade Informacional. Essa definição orientou a elaboração dos fichamentos, com extração e registro sistemáticos das informações relevantes de cada documento selecionado.
Na etapa seguinte, realizou-se a codificação temática por meio da segmentação dos textos em unidades temáticas e do agrupamento de informações com características semelhantes. As categorias previamente estabelecidas orientaram a codificação e a análise, ao funcionarem como eixos de organização para a identificação de temas recorrentes. Na categoria “aspectos”, identificaram-se oito temas: gestão sustentável; acesso equitativo; mobilização social; preservação; sustentabilidade ambiental; transparência na comunicação; tecnologias sustentáveis de informação; e ética da informação. Esses temas, identificados na análise dos aspectos, orientaram também a análise dos dados vinculados à categoria “práticas”, o que permitiu estabelecer correspondência direta entre aspectos conceituais e manifestações práticas descritas na literatura.
Por fim, na etapa interpretativa, analisaram-se os dados à luz dos objetivos da pesquisa e do referencial teórico adotado. A etapa permitiu estabelecer conexões entre aspectos conceituais e práticas identificadas na produção científica. Como resultado, elaborou-se quadro integrador, apresentado na seção de resultados, com a finalidade de sintetizar as evidências encontradas e articular os principais elementos identificados na análise. Assim, a sistematização realizada contribuiu para o alcance do objetivo da pesquisa.
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A presente pesquisa teve como objetivo identificar, na literatura científica da área da CI, os aspectos relacionados à sustentabilidade informacional e as práticas associadas, com vistas ao estabelecimento de conexões entre esses elementos. A análise dos estudos permitiu identificar oito aspectos da sustentabilidade informacional: gestão sustentável da informação; acesso equitativo à informação; conscientização e mobilização social; preservação da informação; sustentabilidade ambiental da informação; transparência na comunicação; tecnologias sustentáveis de informação; e ética da informação. Cada aspecto associou-se a um conjunto de práticas mencionadas na produção científica. O Quadro 2 apresenta a sistematização dos resultados e possibilita visualizar como fundamentos teóricos da sustentabilidade informacional se traduzem em ações concretas.
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ASPECTOS |
DESCRIÇÃO DO ASPECTO |
PRÁTICAS RELACIONADAS |
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GESTÃO SUSTENTÁVEL DA INFORMAÇÃO |
Adoção de práticas e comportamentos voltados à criação, organização, armazenamento, uso e compartilhamento da informação de forma eficiente e responsável, ao longo de todo o ciclo de vida, com foco na redução de desperdícios e na otimização de recursos. |
Criação e organização da informação - Produção, compartilhamento e distribuição digital (e-book, cartilhas, folhetos, folders) - Uso de sistemas eletrônicos para criação e tramitação de documentos - Adoção de medidas eficientes de organização da informação - Ações informacionais para o acesso e esclarecimentos ao cidadão Armazenamento e preservação - Técnicas de compressão de arquivos e sistemas robustos de backup - Armazenamento em nuvem, virtualização de servidores, data centers verdes, sistemas de gestão da informação ambiental e aplicativos verdes - Avaliação e descarte racional de documentos Uso e compartilhamento responsável - Computação em nuvem para melhor distribuição, acesso e uso das informações digitais - Implementação de tecnologias eficientes compartilhamento (como em rede, na nuvem, por canais institucionais, etc) - Disponibiliza transparência e acesso à informação pública - Oferece atendimento digital aos cidadãos, acesso a relatórios anuais de sustentabilidade como recurso informacional de interesse coletivo e acesso informacional por múltiplos canais (redes sociais, ouvidoria, chat etc.) Minimização de desperdícios - Adoção de tecnologias digitais para substituir papel - Políticas de descarte, reciclagem e doação de resíduos eletrônicos e materiais - Adoção de trabalho remoto e práticas administrativas sustentáveis |
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AUTORES |
Barbosa, 2021; Chowdhury, 2013; Chowdhury; Koya, 2017; Geraldo; Pinto, 2024; 2025; Geraldo; Pinto; Duarte, 2022; Mota et al., 2024; Nathan, 2012; Nolin, 2010; Santos; Damian, 2024; Santos; Pinto; Ascencio, 2021 |
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ACESSO EQUITATIVO À INFORMAÇÃO |
Garantia de igualdade de acesso à informação a todos os indivíduos, independentemente de condições materiais, sociais, tecnológicas ou de acessibilidade. |
- Democratização do acesso por meios digitais (e-books, publicações eletrônicas, acesso aberto) - Padronização e transparência em plataformas informacionais - Atendimento digital por múltiplos canais (chat, redes sociais, ouvidoria) - Práticas de gestão de documentos digitais, como digitalização e uso de sistemas eletrônicos - Armazenamento em nuvem e compartilhamento online de informações - Produção, compartilhamento e distribuição digital (e-book, cartilhas, folhetos, folders) para esclarecimentos aos cidadãos - Sistemas de gestão ambiental para supervisionar melhorias - Sistemas de gestão da informação ambiental para acesso à informação relacionada ao ambiente |
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AUTORES |
Barbosa, 2025; Chowdhury, 2013; Geraldo; Pinto, 2021; 2024; 2025; Mota et al., 2024; Nathan, 2012; Nolin, 2010; Santos; Damian, 2024 |
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CONSCIENTIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL |
Uso da informação como recurso para sensibilização, engajamento e participação cidadã em ações sustentáveis, com estímulo à compreensão crítica, à responsabilidade coletiva e à transformação social por meio do acesso, compartilhamento e visualização de informações. |
- Campanhas digitais (cartilhas, folders, vídeos, redes sociais) voltadas à informação ambiental - Apoio a iniciativas assistenciais voltadas à cidadania - Disponibilização de relatórios de sustentabilidade anual como instrumento de transparência e engajamento - Ações informacionais estratégicas para esclarecimentos ao cidadão - Utilização de TI para monitorar e reportar práticas sustentáveis - Tecnologias para facilitar compreensão e visualização informacional interativa (InfoVis, Visual Analytics, sistema de medição inteligente) - Sistemas de gestão da informação ambiental, estímulo aos aplicativos verdes e Sistemas de gestão ambiental voltados ao monitoramento do meio ambiente |
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AUTORES |
Barbosa, 2021; Chowdhury; Koya, 2017; Geraldo; Pinto, 2021; 2024; 2025; Geraldo; Pinto; Duarte, 2022; Mota et al., 2024; Nathan, 2012; Nolin, 2010; Santos; Damian, 2024; Santos; Pinto; Ascencio, 2021 |
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PRESERVAÇÃO DA INFORMAÇÃO |
Adoção de estratégias e tecnologias que assegurem segurança, privacidade e disponibilidade da informação ao longo do tempo, com proteção de registros informacionais e garantia de acesso às gerações futuras. |
- Criação de sistemas robustos de backup e recuperação de dados - Práticas de preservação digital (e-book, preservação de documentos, armazenamento em nuvem, compartilhamento online) - Uso de sistemas eletrônicos para criação e tramitação de documentos com certificação e assinatura digital - Acesso informacional contínuo e multicanal (redes sociais, ouvidoria e chat, etc) - Avaliação e descarte racional de documentos, com foco na memória institucional - Adoção de tecnologias de visualização informacional interativa (InfoVis e Visual Analytics) para facilitar a compreensão de grandes volumes de dados |
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AUTORES |
Barbosa, 2021; Chowdhury, 2013; Geraldo; Pinto, 2025; Geraldo; Pinto; Duarte, 2022; Mota et al., 2024; Nolin, 2010; Santos; Damian, 2024; Santos; Pinto; Ascencio, 2021 |
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SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA INFORMAÇÃO |
Adoção de práticas informacionais voltadas à redução de impactos ambientais ao longo do ciclo de vida da informação digital, por meio do uso consciente de tecnologias, descarte adequado de dispositivos, racionalização de recursos e integração de soluções que reduzam emissões e resíduos. |
- Incentivo e redução de material impresso (produção de e-books, digitalização de documentos, uso de sistemas de gestão eletrônica, cartilhas e folhetos digitais) - Tecnologias e práticas limpas e redução de uso de equipamentos físicos (virtualização de servidores, computação em nuvem, Data centers verdes, Rede elétrica inteligente - smart grid, tecnologia de medição inteligente e sensoriamento, aplicação de inovações tecnológicas sustentáveis, sistema de gestão ambiental, desenvolvimento de políticas, produtos e serviços sustentáveis) - Adoção de políticas de descarte, reciclagem e reuso de dispositivos e documentos - Adoção de trabalho remoto para redução de deslocamentos e consumo energético - Adoção de política interna de licitações sustentáveis |
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AUTORES |
Barbosa, 2021; Chowdhury, 2013; Geraldo; Pinto, 2025; Mota et al., 2024; Nathan, 2012; Nolin, 2010; Santos; Damian, 2024; Santos; Pinto; Ascencio, 2021 |
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TRANSPARÊNCIA NA COMUNICAÇÃO |
Disseminação clara, honesta e acessível de informações, com promoção de compreensão, inclusão, participação cidadã e responsabilização nos processos comunicacionais. |
- Divulgação clara, acessível e honesta de informações - Ações informacionais estratégicas e inteligíveis para esclarecimento e orientação dos cidadãos - Utilização de TI para monitorar e reportar práticas sustentáveis - Padronização de relatórios de sustentabilidade e de plataformas informacionais em múltiplos canais como redes sociais, ouvidoria e chat - Uso de sistemas eletrônicos para criação e tramitação de documentos com certificação e assinatura digital |
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AUTORES |
Barbosa, 2021; Geraldo; Pinto, 2024; 2025; Mota et al., 2024; Nathan, 2012 |
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TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS DE INFORMAÇÃO |
Desenvolvimento, uso e descarte de recursos tecnológicos informacionais com eficiência energética, responsabilidade socioambiental e acessibilidade. |
- Produção e uso de TI energeticamente eficientes (Data centers verdes, computação em nuvem, virtualização de servidores, rede elétrica inteligente (smart grid), tecnologia de medição inteligente, aplicativos verdes, uso de sistemas eletrônicos para criação e tramitação de documentos) - Desenvolvimento de política interna de licitações sustentáveis voltadas à adoção de tecnologias limpas |
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AUTORES |
Barbosa, 2021; Geraldo; Pinto, 2021; 2025; Mota et al., 2024; Nathan, 2012; Nolin, 2010; Santos; Damian, 2024. |
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ÉTICA DA INFORMAÇÃO |
Incorporação de valores e princípios que orientem, na formação profissional e nas práticas institucionais, o uso consciente, responsável e comprometido da informação e de tecnologias associadas ao longo do ciclo de vida informacional. |
- Inserção da informação sustentável como conjunto de valores éticos na formação profissional - Implementação de políticas e normas institucionais comprometidas com o ODS e ações sociais voltadas ao bem-estar coletivo - Desenvolvimento de políticas e práticas informacionais responsáveis, seguras e inclusivas - Comprometimento ético com o uso e a disseminação da informação para a melhoria da vida no presente e no futuro - Foco dos serviços públicos na solução das necessidades dos cidadãos - Promover a transparência e acesso à informação pública - Promover educação e conscientização pública sobre questões de sustentabilidade e cidadania |
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AUTORES |
Chowdhury; Koya, 2017; Geraldo; Pinto, 2021; 2024; 2025; Nathan, 2012; Nolin, 2010. |
A sistematização dos aspectos e das práticas evidenciou articulação estreita entre a temática e os princípios do desenvolvimento sustentável. Por relacionar-se a múltiplas dimensões, a sustentabilidade informacional consolida-se como elemento transversal, capaz de integrar diferentes perspectivas em favor do desenvolvimento sustentável, conforme defendem Geraldo e Pinto (2024).
Os resultados confirmam a multiplicidade e a transversalidade da sustentabilidade informacional, conforme apontam Nolin (2010) e Geraldo, Pinto e Duarte (2022). Esses autores defendem abordagem ampla e integrada da gestão da informação, desde a produção até o uso socialmente responsável, com incorporação de práticas tecnológicas, políticas institucionais e ações voltadas à inclusão e à sensibilização. Os dados levantados reforçam essa compreensão e ressaltam o papel estratégico da informação.
Entre os aspectos identificados, a gestão sustentável da informação refere-se à adoção de práticas responsáveis ao longo de todo o ciclo de vida informacional, com foco em eficiência, racionalização de recursos e minimização de desperdícios. Nathan (2012) destaca que o excesso de informações pode comprometer a qualidade da comunicação e a efetividade de práticas informacionais, ao indicar que a sustentabilidade também deve ser considerada na forma de distribuição e apropriação da informação. Entre as práticas observadas, incluem-se: criação e tramitação digital de documentos com assinatura eletrônica; digitalização de materiais; organização e recuperação adequadas da informação; uso de servidores virtuais; compartilhamento em rede; e compressão de arquivos. Tais práticas aparecem em Geraldo, Pinto e Duarte (2022), Santos e Damian (2024) e Mota et al. (2024), que ressaltam a importância de estruturas digitais eficientes e da conscientização sobre descarte de equipamentos eletrônicos como elementos relevantes desse processo.
O acesso equitativo à informação diz respeito à garantia de igualdade de acesso a conteúdos informacionais, independentemente de barreiras materiais, geográficas ou tecnológicas. Na literatura, identificam-se práticas como adoção de publicações eletrônicas, promoção do acesso aberto, atendimento digital ao cidadão e disponibilização informacional por múltiplos canais, como redes sociais, ouvidorias e chats. Nessa perspectiva, Chowdhury (2013, p. 605, tradução nossa) defende “garantir o acesso equitativo para construir uma sociedade melhor (bem informada) e saudável”. O acesso à informação, como base para a transformação sustentável, também aparece em Nolin (2010, p. 18, tradução nossa), ao afirmar que “o acesso universal à informação está na base da proteção do meio ambiente”. Na mesma direção, Geraldo e Pinto (2024) destacam que a sustentabilidade informacional envolve uso e gestão eficazes da informação, com o acesso livre e equitativo como elemento importante para a tomada de decisões sustentáveis.
O aspecto de conscientização e mobilização social refere-se ao uso estratégico da informação para sensibilizar, engajar e fomentar a participação cidadã em favor dos ODS. Entre as práticas exemplificativas, destacam-se campanhas educativas, materiais digitais explicativos e ações informacionais de orientação da sociedade sobre desenvolvimento sustentável. Nessa linha, Geraldo, Pinto e Duarte (2022) e Geraldo e Pinto (2021) ressaltam o papel da informação na mobilização coletiva, enquanto Nolin (2010) associa o compartilhamento informacional à construção de sentidos coletivos. Chowdhury e Koya (2017) corroboram essa perspectiva ao propor integração de políticas informacionais que articulem informação, participação e sustentabilidade institucional.
A preservação da informação contempla estratégias voltadas à garantia de segurança e disponibilidade informacional ao longo do tempo, com fortalecimento da memória institucional. Práticas como criação de backups robustos, preservação digital de registros históricos, descarte racional de documentos e uso de sistemas digitais certificados alinham-se à proposta de Nolin (2010) de desenvolver conservação sustentável da informação, de modo a assegurar sua longevidade. Geraldo, Pinto e Duarte (2022, p. 238) também abordam esse aspecto ao afirmarem que “a Sustentabilidade Informacional também está relacionada à preservação da memória e do conhecimento, garantindo que informações importantes sejam mantidas para o futuro.” Essa concepção converge com Santos, Pinto e Ascencio (2021), que associam a preservação documental a práticas de avaliação, transferência ou recolhimento e eliminação, com vistas à racionalização eficiente do volume documental a preservar e à mitigação de riscos de perdas informacionais. Tais práticas inserem-se no escopo da sustentabilidade informacional, ao buscar garantir continuidade, acesso e segurança da informação.
Outro ponto observado na literatura refere-se à sustentabilidade ambiental da informação, que diz respeito à adoção de práticas informacionais voltadas à minimização de impactos ambientais ao longo do ciclo de vida da informação. Nessa perspectiva, Chowdhury (2013) sugere que uma das metas dos serviços de informação digital deve consistir na redução do impacto ambiental associado à informação, mensurado, por exemplo, pela diminuição de emissões de poluentes. A literatura aponta práticas como virtualização de servidores, com redução do uso de recursos físicos e de energia; computação em nuvem, com diminuição de equipamentos locais; implementação de programas de reciclagem e reutilização de dispositivos eletrônicos; digitalização de documentos e uso de sistemas de gestão eletrônica, com economia de papel e de recursos naturais; além do incentivo ao trabalho remoto, com redução de deslocamentos, consumo energético e emissões. Autores como Santos e Damian (2024), Barbosa (2021) e Mota et al. (2024) discutem tais iniciativas como estratégias de racionalização de recursos e redução de resíduos.
O aspecto da transparência na comunicação pode ser compreendido como a disseminação clara, honesta e acessível da informação, com favorecimento da compreensão, da inclusão e da responsabilização nos processos comunicacionais. Segundo Cappelli (2025), a sustentabilidade informacional depende diretamente da capacidade de as pessoas compreenderem o que lhes é comunicado, pois não basta disponibilizar informação; faz-se necessário assegurar que ela seja compreensível, inclusiva e útil. Para Geraldo e Pinto (2025), a transparência constitui condição fundamental para o controle social e oferece subsídios para que a sociedade promova práticas sustentáveis. Nolin (2010) reforça essa compreensão ao afirmar que comunicação clara e acessível sustenta a construção de sentidos mútuos favoráveis à promoção do desenvolvimento sustentável. Desse modo, a compreensão da informação constitui alicerce da sustentabilidade informacional e estabelece elo entre informação e ação cidadã (Cappelli, 2025). Entre as práticas associadas a esse aspecto, destacam-se: padronização de relatórios de sustentabilidade e de plataformas informacionais; emprego de linguagem simples, com disponibilização clara e acessível de informações públicas; oferta de acesso multicanal; desenvolvimento de plataformas abertas; e implementação de ações informacionais estratégicas e inteligíveis.
A perspectiva de tecnologias sustentáveis de informação envolve criação, uso e descarte de recursos tecnológicos de forma eficiente, responsável e acessível. Em consonância com esse aspecto, Nolin (2010, p. 21) defende que uma dimensão da informação sustentável se concentra no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis de informação, cujo “principal objetivo é tornar a produção e o uso das tecnologias de informação o mais limpo possível” (tradução nossa). De forma convergente, Chowdhury e Koya (2017) destacam que práticas de informação sustentável incluem desenvolvimento e uso de infraestruturas de TIC alinhadas à sustentabilidade. Entre as práticas associadas, incluem-se uso de aplicativos e data centers verdes, redes elétricas inteligentes e tecnologias de sensoriamento para eficiência energética, além da implementação de políticas internas de licitações sustentáveis que viabilizem adoção de tecnologias de menor impacto. Ao aprofundar essa abordagem, Barbosa (2021) discute tecnologias da informação verdes, voltadas à produção, ao uso e ao descarte de equipamentos e infraestruturas tecnológicas, com foco na redução de impactos ambientais, e sistemas de informação verdes, orientados ao aumento de eficiência e sustentabilidade dos sistemas informacionais. Para o autor, essas tecnologias representam alternativas capazes de reduzir o impacto ambiental da infraestrutura informacional e, ao mesmo tempo, ampliar eficiência energética e acessibilidade (Barbosa, 2021).
Por fim, a ética da informação refere-se à incorporação de valores e princípios que orientem, na formação profissional e nas práticas institucionais, o uso consciente, responsável e comprometido da informação ao longo de seu ciclo de vida. Esse aspecto aparece em Nolin (2010, p. 24, tradução nossa), ao afirmar: “[...] nossa área tende a ter mais sucesso na educação de profissionais para o desenvolvimento sustentável se lhes ensinarmos a informação sustentável como um conjunto de valores éticos essenciais.” Em consonância, Chowdhury e Koya (2017) propõem formação de pesquisadores e profissionais orientada por valores sustentáveis, e Geraldo e Pinto (2021) enfatizam que a inclusão da disseminação e do uso da informação sustentável nos estudos da CI favorece reflexão sobre o papel do indivíduo na sociedade e fortalece compromisso com ações coletivas e individuais voltadas à melhoria da vida e do planeta, no presente e para as gerações futuras. Entre as práticas associadas, destacam-se: inserção da sustentabilidade informacional na formação profissional; desenvolvimento de políticas institucionais alinhadas aos ODS; e promoção de culturas organizacionais social e ambientalmente responsáveis.
Portanto, a análise evidencia que, embora abordados sob diferentes enfoques, os aspectos e as práticas da sustentabilidade informacional convergem para abordagem integrada, que exige mudanças culturais, tecnológicas e institucionais. A constatação sugere concepção da sustentabilidade informacional como processo de construção coletiva, multidimensional e dinâmico.
Ao sistematizar e relacionar aspectos e práticas, este estudo oferece estrutura de referência capaz de orientar tanto o desenvolvimento teórico quanto a aplicação do conceito. A contribuição preenche lacuna observada na produção científica da área, especialmente no que se refere à articulação entre teoria e operacionalização da sustentabilidade informacional. Desse modo, à luz dos estudos analisados, o trabalho avança ao demonstrar como aspectos da sustentabilidade informacional se traduzem em ações e, assim, favorecem iniciativas voltadas à transformação informacional e social.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo teve como objetivo geral analisar, com base na literatura científica, os aspectos e as práticas da sustentabilidade informacional, com o propósito de estabelecer conexões entre esses elementos por meio de revisão bibliográfica não exaustiva. O objetivo foi alcançado, pois foi possível mapear e organizar, de forma estruturada, conjunto de aspectos conceituais e associá-los a práticas identificadas na literatura, o que evidenciou diversidade de abordagens relacionadas à sustentabilidade informacional.
Entre os principais resultados, destaca-se a identificação de oito aspectos na literatura analisada: gestão sustentável da informação; acesso equitativo à informação; conscientização e mobilização social; preservação da informação; sustentabilidade ambiental da informação; transparência na comunicação; tecnologias sustentáveis de informação; e ética da informação. Cada aspecto associou-se a conjunto de práticas que os autores discutem como relevantes para a promoção da sustentabilidade no contexto informacional, o que reforça a articulação entre teoria e prática.
Do ponto de vista teórico, a principal contribuição deste estudo consiste na sistematização temática dos aspectos e das práticas de sustentabilidade informacional identificados na literatura científica, o que permite compreensão integrada do fenômeno. Essa organização amplia possibilidades de aplicação e de articulação conceitual em contextos científicos, educacionais e institucionais, com favorecimento da consolidação do campo e de sua adoção em diferentes cenários. Ao delimitar esse campo emergente no âmbito da Ciência da Informação, a pesquisa contribui para seu fortalecimento ao oferecer panorama estruturado capaz de subsidiar futuras investigações, diretrizes institucionais e políticas informacionais .
O estudo apresenta limitações inerentes à sua natureza. A revisão bibliográfica não teve caráter exaustivo, o que admite a possibilidade de outras abordagens e práticas relevantes não integrarem o corpus analisado. Além disso, por se tratar de análise exclusivamente bibliográfica, os resultados restringem-se a formulações e experiências descritas nos textos examinados, sem incorporar evidências empíricas de sujeitos e contextos diretamente envolvidos com sustentabilidade informacional.
Diante dessas limitações, recomendam-se estudos futuros com investigação empírica para examinar ações voltadas à sustentabilidade informacional. Tais pesquisas podem aprofundar a compreensão sobre a materialização dos aspectos e das práticas identificados nas rotinas informacionais de organizações públicas, privadas e acadêmicas, com avaliação de efetividade, desafios e impactos.
Por fim, o trabalho reforça a importância de conceber a sustentabilidade informacional de forma integrada, ética e estratégica, em consonância com princípios do desenvolvimento sustentável. Ao articular dimensões conceituais e práticas, contribui para a consolidação de campo de reflexão cada vez mais relevante diante de urgências sociais, ambientais e informacionais contemporâneas.
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Quadro 1 – Artigos selecionados para identificar aspectos e práticas de Sustentabilidade Informacional
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Quadro 2 – Aspectos e práticas da sustentabilidade informacional identificados na literatura
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).