Subjetivação e concepção histórica em Guerra e Paz

Mario Cesar Newman de Queiroz

Resumo


Este artigo busca refletir sobre Guerra e paz, a partir das discussões ali propostas sobre a História e as crenças, que para Tolstói, essa disciplina alimenta. Dentre essas crenças, de modo central, está a da “forma falsa do herói europeu” a colocar de forma epigramática o culto ao individualismo dos modos capitalistas de subjetivação por individualização. Na esteira de uma série de historiadores nominalmente citados e criticados, Tolstói, principalmente nos dois epílogos reflexivos, combate de modo sistemático, mas não nomeado, o pensamento da filosofia da história de Hegel. Na narrativa, todas as formas de compreensão racional de grandes movimentos humanos ao longo do tempo surgem como uma espécie de mania em buscar causas, de compreender e explicar racionalmente situações que estão para muito além da capacidade humana. Mas essa “mania” elevada a uma condição de base epistemológica esteia o modo de subjetivação por individualização. É essa engrenagem que Tolstói, parece-nos, percebe e condena.


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