Publicado 2026-08-24
Palavras-chave
- Kira Murátova; absurdo; tempo suspenso; repetição; cinema potencial
Copyright (c) 2026 Erivoneide Barros, Biagio D'Angelo

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Resumo
O filme Eterno retorno (2012), de Kira Murátova, apresenta-se como um laboratório de variações construído sobre uma restrição rigorosa: repetir a mesma cena de formas diferentes. Esse procedimento aproxima o filme dos Exercícios de estilo, de Raymond Queneau, e das práticas oulipianas, nas quais a restrição não limita, mas expande o potencial da linguagem. Ao mesmo tempo, a suspensão narrativa, a antidramaturgia e os microdesvios do cotidiano remetem à poética do absurdo de Daniil Kharms. Cada variação funciona como um “tempo-agora” benjaminiano, um fragmento intensivo que interrompe a linearidade e compõe uma constelação de possibilidades do real. Por fim, a diferença de registros de atuação e tonalidades emocionais configura o filme como uma obra polistilística semelhante às estratégias musicais de Alfred Schnittke. O artigo mostra como Murátova combina procedimento, absurdo, suspensão e dissonância para criar um cinema potencial, no qual o sentido emerge não da narrativa, mas da própria proliferação de suas variações.
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Referências
- Benjamin, Walter. Sobre o conceito de história. Edição crítica. Organização e tradução de Adalberto Müller e Márcio Seligmann-Silva. São Paulo: Alameda, 2020.
- Tarkovski, Andrei. Esculpir o tempo. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
- Ямпольский, Михаил. Муратова: опыт киноантропологии. 2 ed. Санкт-Петербург: Сеанс, 2015.
- Filmografia
- Muratova, Kira. Вечное возвращение [Eterno retorno]. YouTube, 11 de setembro de 2015. 1h50min02s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rOg5SBzKGyI&t=2219s. Último acesso em: 10 de dez. 2025.
