Chamada para 2022-1 - Dossiê Linguagens em movimento: América Latina, feminismos e dissidências

Se for possível afirmar que todo pensamento é uma ação e também que toda linguagem é uma prática, parece necessário hoje interrogar de que modo esses pensamentos e ações se articulam no que vemos como uma forte presença feminista e das dissidênciasna América Latina, tanto na militância política mais tradicional quanto nas políticas linguísticas, literárias e artísticas. Em outras palavras, de que modos teoria e prática se articulam nas iniciativas feministas em torno da palavra e das imagens? Como uma disputa de espaços de atuação, de direitos políticos, torna-se também uma disputa de linguagens e discursos, e vice-versa? Em que sentido os feminismos contestam, reescrevem ou são capturados pela instituição literária e artística, pelo discurso crítico ou académico? De que modo a literatura ou a arte, mesmo não se declarando feministas, articulam políticas que podemos considerar dentro dessa perspectiva? 

A ênfase que se dá aqui à produção latino-americana entende que as pautas dos movimentos feministas, nos últimos anos, muitas vezes partem da América Latina, de questões que são vistas de modo situado. Entrecruzando debates sobre gênero, raça, classe, corpo, capitalismo e novas formas de luta e estabelecendo “alianças insólitas” entre mulheres e dissidências, entendemos que questionar a relação entre linguagem e práticas artísticas e políticas passa por questionar também a relação com o corpo, a natureza, o território e a nação.

Assim, pensando o feminismo enquanto uma perspectiva crítica que se debruça sobre epistemologias e saberes, inclusive os literários e os artísticos, esta chamada propõe convocar e interrogar tanto textos, quanto imagens, assim como ações perfomáticas ou articulações culturais onde seja possível observar a articulação, de práticas, teorias e disputas de linguagens. Assim, a chamada pretende acolher a maior diversidades de objetos, já que partimos da constatação de um momento fértil para a exploração dessas articulações, quando se observam, entre muitos exemplos contemporâneos, a forte disputa do espaço editorial levada adiante por mulheres; a tradução de escritoras mulheres feita por tradutoras mulheres que tem alterado a relação de forças de visibilidade da literatura; o movimento internacionalizado Ni una menos que utiliza diversos recursos tradicionalmente poéticos como ferramenta e como espaço de militância, que varia em cada contexto; as ações do coletivo boliviano Mujeres Creando quem articulam diversas práticas artísticas na suas intervenções públicas mas também no seu modo de construir uma casa; os diversos Slams no Brasil que reconfiguraram os espaços de enunciação e as vozes;  as pesquisas na universidade que têm disputado não apenas os temas mas também as perspectivas críticas no espaço académico. No entanto, sabemos que essas articulações não são novas, e seria necessário investigar a disputa pela arte e a literatura feita por mulheres nas décadas anteriores, criando conexões possíveis também com outras temporalidades.
Esta chamada da revista Terceira Margem, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura, organizada pelo Laboratório de Teorias e Práticas Feministas – PACC/UFRJ, convoca trabalhos que procurem pensar diversas linguagens na sua articulação enquanto práticas e teorias.

 

Edição de 2022-1: v. 26, n. 48, jan-abr 2022.

Data limite para submissão de artigos: 15 de novembro de 2021.

Publicação prevista para fevereiro de 2022.

Organizador: Laboratório de Teoria e Práticas Feministas



A Revista Terceira Margem é uma publicação quadrimestral do Programa de Pós-graduação em Letras (Ciência da Literatura) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Divulga pesquisas nas áreas de Teoria Literária, Literatura Comparada e Poética, voltadas para literaturas de língua portuguesa e línguas estrangeiras, clássicas e modernas, contemplando suas relações com filosofia, história, artes visuais, artes dramáticas, cultura popular e ciências sociais. Também se propõe a publicar resenhas críticas, para avaliação de publicações recentes. Buscando sempre novos caminhos teóricos, Terceira margem segue fiel ao título rosiano, à inspiração de um pensamento interdisciplinar, híbrido, que assinale superações de dicotomias em busca de convivências plurívocas capazes de fazer diferença.

É exigido que o autor possua o doutorado completo para submeter artigos. Serão aceitos artigos de mestrandos e doutorandos, desde que em parceria com um doutor.

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