A função do autor-leitor-ilustrador em obras literárias infantis

Simone Lancini1
Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter
moni.lancini@gmail.com

Maria Alzira Leite2
Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter
mariaalzira35@gmail.com

Introdução

O período que a criança passa na escola é relevante para a construção de sua inteligência, socialização e afetividade, portanto, é necessário que a escola promova um ambiente saudável e motivador que atenda às necessidades das crianças nessa etapa da vida.
É indispensável que a criança na pré-escola desenvolva e conviva em um ambiente que lhe proporcione o exercício da leitura, permitindo-a perceber o mundo que a cerca por meio da leitura mediada pela voz do professor, estimulando, assim, a capacidade de escuta dos sujeitos por meio de imagens, recurso importante utilizado para a construção do imaginário da criança.
Quanto mais histórias orais inseridas com antecedência na educação infantil, maiores serão as chances de as crianças desenvolverem o gosto pela leitura. Contudo, como será que as crianças conhecem quem realmente escreveu aquela obra literária que está sendo lida pelo professor ou por pelos adultos? Primeiramente, a criança escuta a história narrada pelo professor e, posteriormente, conhece o livro como um objeto tátil que ela pode tocar, ver e tentar compreender as imagens por meio da percepção. Ao escutar a história narrada pelo professor, a criança reconhece o leitor da história como coautor ou até mesmo como autor da obra literária.
Este artigo tem como objetivo fazer uma reflexão sobre a função do autor nas obras literárias para as crianças não alfabetizadas. Pressupõe-se que para as crianças, os narradores-leitores e os ilustradores são os coautores de obras literárias infantis.

A História da Literatura Infantil

Foi a partir do século XVIII, na Europa, que foram publicadas as primeiras obras para crianças. Antes, no século XVII, alguns textos sobre os contos de fada foram adaptados e são considerados como os pioneiros da literatura infantil. Um dos principais autores da época foi Charles Perrault,

A Literatura Infantil tem seu início através de Charles Perraut, clássico dos contos de fadas, no século XVII. Naturalmente, o consagrado escritor francês não poderia prever em sua época que tais histórias, por sua natureza e estrutura, viessem constituir um novo estilo dentro da Literatura, e elegê-lo o criador da Literatura da Criança. (CARVALHO, 1982, p. 77).

De acordo com a autora, Perrault buscou retratar a sociedade da sua época em suas histórias. Assim, além de ser influenciado pelo folclore, foi responsável por um novo recorte literário, o conto de fadas, aperfeiçoando esse tipo de literatura. Muitos de nós conhecemos suas obras famosas, mas provavelmente, muitas crianças, não conhecem o autor propriamente, mas o narrador-leitor e os ilustradores como coautores dessas obras literárias. As obras que merecem mais destaque são: a Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, o Gato de Botas, Cinderela, Barba Azul e o Pequeno Polegar.
No mesmo século em que Perrault começou a escrever os contos de fadas, Fenélon começou a escrever obras para a juventude, porém com o intuito de transmitir valores educacionais, a fim de alcançar pequenos leitores.
No século XIX, Jacob Ludwig Karl e Wilhelm Carl Grimm, conhecidos como os Irmãos Grimm, trouxeram um novo estilo para a literatura com a delicadeza de personagens populares para seus contos. Os Irmãos Grimm foram responsáveis pela criação de fábulas infantis que encantaram e ainda encantam o público infantil por meio de folclore e lendas. Seus personagens eram populares por serem alfaiates, camponeses, ou seja, trabalhadores comuns. De suas obras mais famosas, destacam-se: “A Gata Borralheira”, “Branca de Neve”, “Os músicos de Bremen”, “João e Maria”, entre outros.
Ainda no século XIX, na Dinamarca, Hans Cristian Andersen buscou encantar a Literatura Infantil e Juvenil da época com diversas obras. Segundo Carvalho (1982), Andersen foi o maior poeta íntegro de movimento, pois utilizava uma linguagem encantadora e possuía um talento de dar vida a tudo – até mesmo simples objetos. Tendo este cenário em mente, o que, afinal, é literatura infantil? É um objeto cultural. São histórias ou poemas que são produzidos ao longo dos séculos que têm a característica de cativar e seduzir as crianças. Os textos literários envolvem, simultaneamente, a emoção e a razão em atividade. Sua organização provoca surpresa por fugir ao padrão característico da maioria dos textos em circulação social.
A literatura infantil é uma arte de expressão representante do Mundo, do Homem e da Vida. É uma das produções e recepções humanas mais importantes para a formação do indivíduo, pois expressa a experiência do autor e, ao mesmo tempo, provoca uma experiência no leitor. Ela também enriquece a imaginação e a fantasia da criança,
cultiva a liberdade de espírito e desenvolve seu poder de dialogismo. A literatura contemporânea, por sua vez, tem o papel de conscientizar e transformar o poder crítico do leitor e do interlocutor. A criança, através dela, contextualiza e harmoniza a fantasia e a realidade, a fim de satisfazer suas exigências internas.
Nota-se que a literatura é diacrônica, pois a cada época ela representa um momento da humanidade e/ou uma etapa de sua constante evolução. Ao conhecer a literatura que cada época destinou as suas crianças é uma forma de entender os valores e ideias em que cada sociedade se fundamentou. De acordo com Vygotsky (1998), de início, a literatura era destinada apenas ao público adulto, após, aos poucos, foi direcionada às crianças. É necessário, portanto, compreender sua concepção anterior para construir pedagogicamente seu devido lugar no mundo de hoje.

A compreensão do que é literatura, tomada do ponto de vista histórico e da investigação dos conceitos e das vivências dos alunos e seus pares, suscita o interesse pela investigação das produções literárias locais e regionais entendidas como forma de expressão, manifestação artística e interação com o mundo. E pode-se, a partir daí, identificar nos textos especificidades tais que permitam reconhecê-los como literários. Esse entendimento pode ensejar discussões a respeito da função da literatura no corpo social, uma vez que, se a manifestação tem sido cultivada através das civilizações, é interessante investigar-se que razões levaram o homem a cultivá-la e a fazer uso dela através dos tempos. (PROPOSTA CURRICULAR DE SANTA CATARINA, 1998).

A fim de que a literatura cumpra seu papel no imaginário do leitor, é fundamental a mediação do professor na seleção dos textos literários e na elaboração de atividades que possam despertar a imaginação, ao mesmo tempo que possibilitem a construção da realidade, sempre buscando inserir tais atividades em um contexto pedagógico.

Literatura Infantil no Brasil

Como mencionado anteriormente, cada época compreendeu uma constante evolução na literatura. Tratando-se do gênero infantil, ao longo do tempo, ele vem sofrendo transformações provenientes do aparecimento de novos autores e de uma variedade de livros destinados a crianças. Essa variedade não garante boa qualidade das obras literárias, por este motivo, há preocupações por parte dos pais e educadores, atentos à realidade do mundo de hoje. Acredita-se que esse aumento pela oferta e busca por livros literários tem como vantagem a formação de novos leitores, como também, a preocupação e a conscientização de materiais de boa qualidade.
A literatura infantil brasileira tem suas próprias características, que carregam consigo contribuições europeias (portuguesa), africanas e indígenas. Antigamente, os primeiros colonizadores narravam histórias contadas por suas avós, trazendo nomes de personagens como Trancoso e outros do folclore português. A essa literatura oral, somavam-se histórias de escravas negras, que andavam de engenho em engenho repassando essas mesmas histórias contadas. Além disso, a cultura indígena nos trouxe elementos que vieram enriquecer o imaginário, como personagens como a Iara, o Matitaperê, entre outros.
No século XIX, surgiram os jornais infantis, como em Salvador, além de obras como O Recompilador ou Livraria dos Meninos (1837) e O Mentor da Infância (1846); já em São Paulo temos O Caleidoscópio, de 1860.
Outros poetas contemporâneos também se dedicaram à produção de textos infantis como Menotti Del Picchia, José Lins do Rego, Viriato Corrêa, Érico Veríssimo, entre outros, porém não seguiram a mesma linha que Monteiro Lobato. Já as escritoras Cecília Meireles e Clarice Lispector foram influenciadas por Monteiro Lobato, inspiradas por um novo olhar para a literatura infantil. Assim, as obras destas dedicam- se a um discurso voltado para o diálogo com a criança.
Pode-se dizer que foi a partir da obra revolucionária de José Bento Monteiro Lobato (1882 – 1948) que a literatura infantil brasileira estabeleceu-se e ganhou uma real definição. A escrita de Lobato relacionava-se com o contexto social do período, com personagens contemporâneos, talvez por esse motivo o sucesso. Porém, a literatura dessa época era confundida e tratada como literatura escolar, ligada ao pedagógico. Foi com o livro de Monteiro Lobato de 1921, Narizinho Arrebitado, que os conceitos maniqueístas foram deixados de lado. A característica didática e/ou pedagógica cedeu a uma produção mais autêntica, no qual passou-se a dar mais ênfase ao uso de onomatopeias e neologismos.
Na década de 1970, observaram-se modificações na produção literária com o surgimento de novos autores que incorporavam as raízes lobateanas e suas obras produziram um novo modelo de literatura infantil, com histórias mais bem-humoradas e imaginárias sob uma linguagem inovadora e poética, possibilitando, desta forma, crianças mais críticas e reflexivas. De acordo com Bordini (1998), foi na década de 1970 que grandes autores começaram a incorporar em suas obras valores propostos por Monteiro Lobato para o melhoramento da Literatura Infantil. Já a década de 80 foi considerada como um período de evolução na literatura infantil, pois temas que antes não eram tratados em narrativas infantis passaram a ser abordados. Dentre estes, destacam-se temas como: separação dos pais, mudanças sexuais, preocupação ecológica, entre outros. Desde então, o livro infantil passou a ser cada vez mais valorizado e sua produção exige cuidados em todos os detalhes, pois isso facilita o manuseio e a compreensão dos leitores que, neste caso, podem ser as crianças ou os narradores-leitores. Assim, podemos dizer que as mudanças que ocorreram ao longo do tempo tornam a literatura infantil um veículo de várias linguagens que possibilitam o encontro de novas descobertas.

A Narrativa de Histórias

De acordo com Walter Benjamin (1994), narrar é como tecer um manto, alimentando-o diariamente com pontos de linha da memória, assim como Penélope tecia e o desfazia, manipulando o tempo e a experiência. O contador de histórias é o que transmite a memória e a experiência, além de ser considerado aquele que reproduz a cultura. Ele é o elemento fundamental para que as narrativas se constituam como herança de um patrimônio cultural rico nascido da oralidade. As histórias narradas são muitas vezes anônimas, mas, de certo modo, intrinsicamente ligadas ao domínio coletivo.
Há uma variedade de gêneros textuais como: contos de fadas, contos folclóricos, aventuras, etc., todos eles alimentam a imaginação e o desejo da revelação, da descoberta e da exploração. No universo imaginário da criança, inicia-se um processo de reflexão acerca do comportamento dos personagens, dos medos, das alegrias, e tudo isso as obras literárias e os narradores podem proporcionar.
Consideramos que o escritor de textos literários para crianças ocupa, atualmente, o lugar de histórias dos primórdios da humanidade e da Idade Média, pois era um período marcado pela oralidade, pelo encantamento das palavras e pela fruição dos sons.
Cecília Meireles (1984, p. 49) tem razão quando diz que “o gosto de contar é idêntico ao de escrever”, “os primeiros narradores são os antepassados anônimos de todos os escritores” e “o gosto de ouvir é como o gosto de ler”. Por este motivo, incentivar as crianças ainda não alfabetizadas a ouvir as histórias narradas, folhar os livros, observar as ilustrações, formar opiniões próprias já é uma forma de leitura. Assim, as crianças já estão desenvolvendo seu gosto pela leitura e pelas obras literárias.
O contador de histórias resgata tradições e transmite mensagens auditivas. Contar histórias é uma arte, pois é necessário captar a essência da obra; desempenhar os papéis de personagens; criar um ambiente adequado; dar atenção ao tom da voz e suas possibilidades, como sussurrar; imitar os ruídos, as vozes dos animais, as inflexões que indicam suspense e clímax. “Toda voz emana de um corpo [...] que permanece visível e palpável enquanto ela é audível”, afirma Zumthor (1993, p. 241) a respeito da performance oral nos contextos anteriores à reprodutibilidade técnica.
Ainda segundo Zumthor:

A palavra pronunciada não existe (como o faz a palavra escrita) num contexto puramente verbal: ela participa necessariamente de um processo mais amplo[...] cuja totalidade engaja os corpos dos participantes. A palavra falada sempre carrega uma carga corporal, ela é “ligação de sema e soma, de signo e corpo”. (ZUMTHOR, p. 1993).

Assim, o narrador conduz a narrativa e sua arte de narrar atua como uma senha mágica para que o ouvinte entre no mundo imaginário da obra literária.

O Leitor das Histórias Infantis

A oralidade, o texto escrito e o leitor complementam-se. No caso de crianças que não sabem ler ainda, o narrador-leitor cumpre um papel fundamental para que esses sujeitos sejam estimulados a lerem no futuro. Por este motivo, há diversos estudos preocupados com o leitor, mais exatamente, no sentido que o leitor dá ao texto escrito. O leitor, no contexto escolar o professor, faz sua interpretação e recria o texto. Quando o leitor recria o texto, identifica sua melodia profunda, reproduzindo com uma voz pessoal, com uma visão de mundo única, conferindo, assim, ao texto a chance de viver. Segundo o autor Pareyson (1997), “a execução é o único modo de viver da obra”. O leitor de um texto resgata os valores da obra e desperta a vida do texto. Esses valores e esse despertar serão transferidos para os ouvintes na oralidade através da voz e da performance, como já mencionado anteriormente.
De acordo com Wayne Booth (1980), concede-se ao narrador/escritor uma autoridade artificial de saber o que vai na mente e no coração do personagem. A narrativa primitiva sempre teve um contar autoritário em que o autor manipulava os juízos do leitor, por apresentar de modo favorável ou não as personagens, a fim de despertar sentimentos de simpatia ou desprezo. O narrador não intervém de modo direto na história e nos personagens, não faz uma avaliação externa, não analisa condutas, pois toda a realidade externa transposta não pode ser traduzida por ele. Assim, como consequência, a função do autor é de ceder o seu lugar ao leitor. Como diz Umberto Eco (1994, p. 9), “todo texto é uma máquina preguiçosa pedido ao leitor que faça uma parte do seu trabalho”.
Se considerarmos que o leitor, ou, no contexto escolar, o professor, não é um intérprete, nem um simples decodificador do gênero textual, mas um coautor de obras literárias infantis, cabe a ele transmitir posições ou ideais sutis ou implícitos inseridos nos textos. Contudo, como a criança ainda está em fase de desenvolvimento lógico e crítico, ela é influenciada pelas ideologias transmitidas por esse mediador, o leitor. Logo, a função de coautor do leitor, tanto dos professores como de qualquer outro adulto que lê para uma criança, deve ser consciente.

As Ilustrações

Conforme vimos, o narrador-leitor possui um papel importante como coautor e mediador no processo de formação de leitores iniciantes. Porém, ele também deve considerar as ilustrações como um elemento enriquecedor e motivador de leitura para as crianças. Nos livros literários infantis, as ilustrações funcionam como um elemento chave da obra, pois o aspecto visual atrai as crianças pela sua beleza. Além disso, as ilustrações são formas de leitura. A leitura não está presa apenas às palavras, mas é um processo abrangente destas e das imagens. Ressalta-se a importância de educadores que, desde cedo, desenvolvam a leitura de imagens.
Há, nesta perspectiva, uma necessidade urgente de investimento na “alfabetização visual”, pois a interpretação das imagens envolve aprendizagem, desenvolvimento do pensamento crítico, raciocínio e capacidade do observador (COSTA, 2009). Cabe, pois, à instituição escolar e aos educadores investirem e selecionar como uma das prioridades para a formação de leitores proficientes.
Nessa perspectiva, Amarilha (2002, p. 41) diz que “a ilustração contribui para o desenvolvimento de alguns aspectos do leitor”. De acordo com a autora, as imagens favorecem “a capacidade de observação e análise”, além de promover “uma rica experiência de cor, forma, perspectivas e significados”. Compreende-se, dessa forma, a relevância da “alfabetização visual” no processo de construção do significado e também nas experiências significativas para a faixa etária.
Lima (2008, p. 76) também traz estudos complementares a respeito das contribuições das ilustrações para a formação de leitores, afirmando que as imagens possibilitam “reconstruir o passado, refletir o presente, imaginar o futuro ou criar situações impossíveis no mundo real”. Logo, percebe-se que a leitura de imagens proporciona situações de desenvolvimento do sujeito.

A Função do Ilustrador

Segundo a ilustradora Márcia Széliga (2008) a função do ilustrador é como a de um coautor silencioso despertando e instigando a curiosidade no leitor. A autora afirma:

Ilustrar é despertar um questionamento, é instigar a curiosidade para desvendar os mistérios incrustados nas entrelinhas das palavras, na ambientação das formas e cores que acionam os sentidos do leitor, para que ele possa se sentir, em seu íntimo, um coautor silencioso. (p. 181)

É perceptível hoje a quantidade de livros de imagem disponíveis no mercado, e é importante destacar, em um crescimento geral da indústria de livros infanto-juvenis e o status que eles vêm conquistando. O ilustrador, agora, não é apenas um profissional contratado para prover as “figuras” de uma história alheia como era vista, ele tem o mesmo peso do escritor, cria com ele ou é o único autor do livro.
De acordo com Thiago Lopes (2012), ilustrador de livros infantis, o livro infantil é um diálogo entre linguagens: a palavra, a imagem e o suporte; apesar de pequena a quantidade de texto escrito, quando comparado a livros para adultos, por exemplo, não é uma tarefa fácil. O ilustrador tem a função de contar a história através das imagens, assim, é por meio dessas imagens que se dá a linguagem do ilustrador. Como em certos textos, há lacunas deixadas pelos autores, isso permite ao ilustrador criar novas interpretações ou ampliar novas perspectivas, deixando desta forma, o livro mais interessante.
Portanto, o ilustrador não pode ser considerado apenas um criador de figuras. Pode ser considerado um coautor, pois ele conta a história a partir das imagens, manipula parte dela e cria significados.

Considerações Finais

A partir de todas as reflexões feitas sobre a função do autor-leitor-ilustrador nas obras literárias infantis para as crianças não alfabetizadas, constatou-se a importância de detalhes que fazem grandes diferenças para a aproximação e envolvimento dos leitores pré-escolares da literatura infantil. Nesses detalhes, incluem-se as funções do ilustrador, do leitor, do ambiente, que necessita ser adequado para estimular à leitura, o tom de voz e da performance do narrador-leitor, as imagens cada vez mais chamativas, etc.
A literatura infantil está presente em nossas vidas desde bebês, através das histórias que ouvimos de um narrador-leitor, nesse caso os pais. Os bebês acabam aprendendo a linguagem de maneira mais rápida, tendo o adulto ou o narrador-leitor como um modelo. Além disso, as obras infantis estão cada vez mais preocupadas com a formação de leitores críticos e lógicos.
Toda criança necessita de um narrador de histórias, seja em casa, na escola, em qualquer espaço que ela esteja inserida. Cabe aos professores e pais, como mediadores, despertar não só o interesse pela literatura, mas também estimular as crianças a ouvir essas histórias contadas, e acima de tudo, aprender a interpretá-las e reproduzi-las posteriormente. Em relação a isso, quando pensamos no âmbito escolar, há um déficit entre os alunos que chegam ao ensino médio, talvez por eles não estarem sendo conduzidos a esse tipo de aprendizagem interpretativa e reprodutiva.

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Resumo: Este artigo tem como objetivo fazer uma reflexão sobre a função do autor- leitor-ilustrador nas obras literárias infantis para as crianças não alfabetizadas. Pressupõe os narradores-leitores como coautores de obras literárias infantis, assim como os ilustradores, que despertam e instigam a curiosidade dos leitores. Sugere-se a mediação do professor para a formação de leitores críticos na seleção de obras literárias infantis que despertem a imaginação, mas que, ao mesmo tempo, reproduzam a realidade no contexto em que as crianças estão inseridas.
Palavras-chave: Autor; Leitor; Ilustrador; Crianças.

Abstract: This article aims to reflect on the role of the author-reader-illustrator in children’s literary works for non-literate children. It presupposes narrator-readers, as co- authors of children’s literary works, as well as illustrators, who arouse and instigate the curiosity of readers. The teacher’s mediation is suggested for the training of critical readers, through the selection of children’s literary works which awake the imagination, but at the same time, reproduce reality in the context in which children are inserted.
Keywords: Author; Reader; Illustrator; Children.

Recebido em: 24/04/19
Aceito em: 07/09/19

  • 1 Mestre em Letras pela Uniritter. Graduação em Letras - Habilitação Inglês pela Unisinos (2008). Habilitação em Letras - Português pelo Centro Universitário Claretiano. Especialização em Supervisão Escolar (2015) pela Faculdade Uniasselvi - IERGS. Atualmente é professora do curso de Letras da Universidade Laureate Internacional - UniRitter, ministrante de provas de proficiências para mestrandos e doutorandos e revisora de provas do ENADE.

  • 2 Possui Graduação em letras pelo UniBH (2001). Cursando uma 2a Licenciatura em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia, Mestrado em Linguística e Língua Portuguesa (PUC Minas 2009), Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa (PUC Minas 2014), com período PDSE na Universidade Nova de Lisboa - FCSH. Pós-doutorado em Linguística Aplicada pela Unicamp (2016). Coordenadora institucional do PIBID e da Residência Pedagógica e corretora da prova escrita CELPEBRAS.

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