Escutar os mortos com os ouvidos. Dilemas historiográficos

os sons, as escutas e a música

Autores

  • josé geraldo vinci de moraes Universidade de São Paulo

Palavras-chave:

Música, Escuta, Historiografia, Historiadores

Resumo

"Escutar os mortos" é uma preocupação presente já no surgimento da história como conhecimento do passado. A historiografia, desde sua tradição helênica, criou um universo teórico de "escutá-los com os olhos" e uma prática metodológica de "ouvir com os olhos". Nesta longa trajetória, a escuta do mundo e dos homens tornou-se secundária diante da presença hegemônica do olhar, da escrita e da leitura. Porém, na segunda metade do século XIX essa relação se alterou profundamente, principalmente com o surgimento dos registros mecânicos e depois eletrônicos dos sons, a possibilidade de sua reprodução para além do momento da criação e emissão original e com o aparecimento das inúmeras possibilidades de sua propagação a distância. Essa virada auditiva rapidamente se integrou à vida cotidiana do homem contemporâneo, tornou-se preocupação de alguns campos do conhecimento, mas permaneceu distante da historiografia. Só mais atualmente a historiografia tem se preocupado em "escutar os mortos" e o passado com seus próprios "ouvidos" e se questionado sobre como escutá-los com "ouvidos emprestados". Este artigo pretende justamente discutir aspectos dessa trajetória e introduzir questões e alguns dilemas historiográficos relacionados ao universo dos sons, das escutas e da música.

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Publicado

2026-03-29

Edição

Seção

Artigos