O philosophein como ergon: Sócrates de Platão no Sólon de Heródoto

Adriano Machado Ribeiro

Resumo


Procura-se mostrar neste artigo que Platão não tem, de imediato, o poeta como principal adversário: o problema de Platão não é apenas, como Havelock parece querer demonstrar, a querela da oralidade da poesia contra o intelectual letrado. É preciso, assim, notar que Platão, na Apologia de Sócrates, propõe-se inicialmente em mostrar a diferença entre o philosophein de Sócrates e a atividade dos denominados sophistai, dado que em As Nuvens de Aristófanes a personagem socrática seja apresentada como um sophistes. Não se pode esqecer, contudo, que no V século a.C. filósofo e sofista possuiam um sentido semelhante. Tenta-se aqui argumentar, no entanto, que em Heródoto, no encontro entre Creso e Sólon, há uma possibilidade, ainda que tênue, de distinguir uma atividade filosófica de outra sofística e que Platão possivelmente utilizou tal distinção para destacar, em diversos momentos de sua obra, Sólon como um sábio distinto dos demais. Haveria assim uma possivel diversidade de erga na investigação para obtenção de um saber. Seria, pois, menos uma diferenciação entre o poeta da cultura oral e o filósofo intelectual o que Platão procuraria efetuar de imediato, mas sobretudo, qual o melhor modo, pelo saber teórico, de racionalmente justificar as mais belas ações humanas.


Palavras-chave


Platão; Heródoto; sofista; filosofar; poesia

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DOI: https://doi.org/10.25187/codex.v5i2.14568

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