As dobras e dobras de Suadela
o hábil uso da inuentio, dispositio e elocutio na Epistula XV “Sappho Phaoni”.
DOI:
https://doi.org/10.25187/codex.v13i2.66837Palavras-chave:
Heroides, Retórica Antiga, OvídioResumo
Públio Ovídio Nasão (43 a. C. – 17 ou 18 d. C) foi um dos autores mais versáteis e prolíficos do período augustano da literatura latina, deixando-nos como legado uma obra que abarca desde elegias que cantam aventuras e decepções amorosas ou lamentam o exílio, a poemas didáticos ou de caráter etiológico. Em meio aos primeiros escritos do autor encontram-se as Heroides, coleção de 21 elegias epistolares, tradicionalmente conhecidas por serem formadas por correspondências nas quais heroínas lendárias remetem lamentos ou súplicas persuasórias aos amados distantes. Escrito provavelmente entre 20 e 16 a.C., o conjunto de poemas destaca-se pelas suas peculiaridades argumentativas, na qual nos revela traços da retórica antiga, como, por exemplo, na Epistula XV em que Safo, remetente da Heroide, apresenta uma série de argumentos convincentes a fim de obter Fáon, seu destinatário e alvo amoroso, de volta, apresentando, convenientemente, uma organização disposta em uma partição retórica compreendida em exordium, narratio e argumentatio, argumentos éticos, patéticos e lógicos e ornatos discursivos. Portanto, ao se levar em consideração os elementos retóricos argumentativos e elocutórios, tem-se um produtivo foco de estudo, que permite demonstrar os efeitos persuasivos éticos e patéticos produzidos pela tessitura poética das epístolas que compõem as Heroides. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo analisar os recursos retóricos empregados na elaboração da décima quinta epístola “Sappho Phaoni” que integra as Heroides de Ovídio, a fim de entender e demonstrar, por meio do próprio poema, a peculiaridade da dimensão dos efeitos persuasivos.
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