Calíope 16 (composição final)

Nely Maria Pessanha

Resumo


A revista Calíope: Presença clássica entrega à apreciação do leitor seu décimo sexto número, em que todos os que se dedicam aos Estudos Clás- sicos poderão perceber que nos move o empenho em promover o diálogo sobre as línguas e as literaturas da Antiguidade Clássica para além das fronteiras das instituições, das áreas do saber, dos países e até para além dos limites continentais.

O presente número conta com textos que apontam em direção à plura- lidade de abordagens e à riqueza temática que a grande área de Estudos Clássicos traz em sua própria essência.

O Professor Carlos Antonio Kalil Tannus oferece ao leitor um tex- to que tem por base a Conferência com a qual conquistou o cargo máxi- mo de docência, o de Professor Titular. Seu texto auscuta os corredores palacianos do Portugal do século XV e XVI e perscruta-lhes a expressão mais prestigiada, a literatura novilatina, que, escrita no idioma de Horá- cio, retoma os referentes que aquele Portugal requeria para si.

Também foi uma Conferência o núcleo do texto da Professora Jacque- line Fabre-Serris, da Universidade de Lille 3. A Professora Fabre-Serris, por ocasião de sua visita ao Programa de Pós-Graduação em Letras Clás- sicas da USP, foi convidada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas da UFRJ e pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ para proferir uma conferência acerca da poesia latina augustana de cunho erótico, partindo da leitura proposta por esses poetas da uoluptaslucreciana. A professora privilegiou o tema do conceito de uoluptas em Virgílio, Propércio e Ovídio, oferecendo uma reveladora amostragem do tratamento desse conceito e de seus desdobramentos no recorte temporal e espacial proposto.

Os poemas eróticos, mais precisamente as elegias de Tibulo, com- põem o corpus do estudo com o qual a revista Calíope: Presença clássicaconta com colaboração do Professor João Batista Toledo Prado, docen- te de língua e literatura latina da UNESP. O artigo lança luzes renovadas sobre o caráter inventivo de Tibulo a partir de um estudo acerca do trata- mento que o poeta latino dispensa ao objeto da paixão.

A filosofia grega, discurso tão prestigiado pela fortuna crítica, é alvo da atenção de dois artigos do presente número de Calíope: Presença clás- sica. O texto do Professor José Carlos Baracat Júnior, professor de língua e literatura grega da UFRGS, enfoca um ponto da vasta obra de Plotino que mostra com clareza inequívoca o que, na obra desse pensador que aprendemos a ter como neoplatônico, demonstra os limites da presença do legado platônico, a partir da releitura do livro X da República.

O mesmo livro X da República de Platão é o ponto de partida para a reflexão do Professor Marcus Reis, Doutor em Filosofia pela PUC-Rio, acerca do lugar do poeta na obra de Platão. O estudo pretende promover uma revisão do tema da expulsão do poeta da República de Platão.

O Professor Márcio Thamos, docente de língua e literatura latina da UNESP, apresenta um minucioso estudo sobre os sete primeiros versos da Eneida. Desse estudo, resulta, ao fim do texto, uma proposta de tradu- ção que segue os princípios defendidos pelo autor do ensaio e sublinha as particularidades apontadas ali.

A tragédia grega faz-se presente neste número da revista Calíope: Presença clássica com o artigo da Professora Tereza Virgínia Ribeiro Bar- bosa, docente de língua e literatura grega da UFMG. A autora tematiza a metatragicidade das Bacantes, de Eurípides, glosando com inquestioná- vel competência a assertiva de Charles Segal, para quem a peça tem por tema a própria tragédia, enquanto ritual dionisíaco.

Eurípides continua sendo alvo de estudos no trabalho do Professor Wilson Alves Ribeiro Jr., Mestre em Letras Clássicas pela USP, que em- preendeu a um levantamento referencial dos dados biográficos disponí- veis do tragediógrafo, especialmente no que concerne à questão mace- dônica que estaria, de alguma forma, presente nas tragédias Ifigênia em Aulis e Bacantes.

A Professora Zelia de Almeida Cardoso, Professora Titular de língua e literatura latina da USP, brinda-nos com um ensaio onde coloca, com muita clareza, diante do leitor a presença, na obra de vários auto

res latinos, do binômio comportamental formado pela vida sossegada e pela vida de aventuras, viagens e conflitos. A autora, preocupada com a raiz dessa dualidade, mergulha nas intertextualidades que se podem encontrar nos autores analisados e oferece-nos uma visão privilegiada dessa inquietante questão.

A seção de resenhas da revista foi agraciada com o texto do Profes- sor Pedro Paulo de Abreu Funari, Professor Titular de História Antiga da UNICAMP, onde o autor tece comentários críticos à obra Plutarco His- toriador, de Maria Aparecida de Oliveira Silva, publicada em 2006. A re- senha do Professor Pedro Paulo Funari coloca-nos diante da idéia central da obra analisada, e, além disso, mostra-lhe a atualidade, a pertinência e o caráter dialogal com a fortuna crítica dedicada a Plutarco.

Finalmente, nós, editores da revista Calíope: Presença clássica, desejamos que o presente número deste que é um dos poucos periódicos do Brasil dedicados aos Estudos Clássicos contribua para o conhecimento mútuo daqueles que se dedicam à nossa área e também para o enriqueci- mento das pesquisas que desenvolvemos.





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DOI: https://doi.org/10.17074/cpc.v1i16.44450

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