O ritual das Lemúrias nos Fastos de Ovídio: tradução performativa

Fábio Frohwein de Salles Moniz, Walace Pontes de Mendonça

Resumo


Um dos primeiros desafios da tradução performativado dístico elegíaco consiste em emular, na língua de chegada, a alternância métrica característica da estrofe. Márcio Meirelles Gouvêa Júnior (ovídio, 2015) traduziu os Fastos, recriando o hexâmetro com dodecassílabos e o pentâmetro com decassílabos. Guilherme Gontijo Flores (2011) apresenta dez propostas de tradução para a elegia 20 do livro iii, de Tibulo, composta em dístico elegíaco, empregando, basicamente, dois sistemas opositivos: 1) verso núnico para o hexâmetro X “pentâmetro aproximado”, verso em língua portuguesa dotado de quatorze sílabas poéticas com tônicas obrigatórias em 4-7-8-11-14; 2) “tradução em dístico elegíaco alemão”, isto é, criação de um dístico brasileiro a partir de regras da metrificação alemã, empregando, para a emulação do hexâmetro, seis tônicas, entre as quais uma ou duas sílabas átonas, para recriar possibilidades de espondeu ou dátilo; e técnica semelhante para pentâmetro, mas sem a diérese obrigatória após o terceiroictus, como em latim. Luiza dos Santos Souza (2016) propõe uma emulação do ritmo original do dístico elegíaco latino a partir das propostas de Carlos Alberto da Costa Nunes (virgílio, 1983) e de Leonardo Antunes (2009). Nossa tradução partiu dessas abordagens e estratégias, mas sem concordância completa com uma determinado tradutor, buscando emular o padrão rítmico do hexâmetro datílico sem variações, tal como nas traduções núnicas. Com base nesse critério técnico, aplicamos o mesmo tratamento à tradução do pentâmetro datílico.


Palavras-chave


Antiguidade clássica; latim; poesia latina; tradução; Ovídio; Fastos

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DOI: https://doi.org/10.17074/cpc.v1i37.30406

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