Os Bics e o Desenvolvimento Verde: como a China está forjando um novo modelo de desenvolvimento verde que o Brasil, a Índia e outros já estão copiando

John Mathews

Resumo


Brasil, Índia e China (os BICs) estão orquestrando uma ‘Grande Convergência’ que vai de encontro aos dois últimos séculos da Grande Divergência que os separou do Ocidente. Nesse processo, os BICs estão tirando bilhões de pessoas da pobreza. Mas o modelo do capitalismo industrial que serviu tão bem ao Ocidente, e que mostrou ser um modelo também para os BICs, simplesmente não “se ajustará” para atender às aspirações de tantos. O modelo de industrialização que se apodera de recursos, e expande linhas de suprimento através de conquista armada, simplesmente não está disponível para os BICs, nem eles podem ter confiança em um modelo que os prende à dependência de combustível fóssil indefinidamente, mesmo que os suprimentos de petróleo e carvão cresçam e depois declinem, e as emissões de carbono se acumulem. Portanto,  um novo modelo de capitalismo industrial tem de ser desenvolvido, e está sendo desenvolvido pela China em primeira instância, à medida que ela forja novos arranjos institucionais e novas estratégias de industrialização, baseadas em energias renováveis  e tecnologias de baixa emissão de carbono; em iniciativas de economia circular; e em ecofinanças. Essas novas estratégias e instituições – na verdade, um novo modelo verde de capitalismo industrial– estão sendo forjadas enquanto a China também aumenta sua energia fóssil e demanda por suprimentos. Esse modelo verde de desenvolvimento, que envolve estabilidade, resiliência e segurança, oferecerá um atraente modelo para outros países, preferencialmente ao “engododo desacreditado Consenso de Washington – e em particular para o Brasil e a Índia, que já deram início a uma mudança com relação a uma estratégia de desenvolvimento verde. A grande pergunta não respondida, tanto para si próprios quanto para o mundo, é se eles irão sucumbir ao ‘lock-in de carbono, como seus predecessores ocidentais.


Palavras-chave


Estratégias de desenvolvimento verde; Estratégias de industrialização; China; India; Brasil; Energias renováveis

Texto completo:

PDF

Referências


AGGARWAL, A. 2010. Economic impacts of SEZs: Theoretical approaches and analysis of newly notified SEZs in India. Working paper, available from: http://mpra.ub.unimuenchen.de/20902/

CASTRO, A. BARROS de 2008. ‘From semi-stagnation to growth in a sinocentric world’, Revista de Economia Politica 28 (1): 3-27.

FRISCHTAK, C. R.2011. Brazil and the green economy: Foundations and strategy for transition,

Política Ambiental, 8: 96-107.

GILDING, P. 2011. The Great Disruption, Bloomsbury Publishing, London 2011.

GOLDEMBERG, J., COELHO, s.t. and GUARDABASSI 2008. The sustainability of ethanol production from sugarcane, Energy Policy, 36: 2086-2097.

HARDIN, G. 1968. The tragedy of the commons, Science, 162: 1243-1248.

HU, A. 2006a. Green development: The inevitable choice for China (Part 1), China Dialogue, available at: http://www.chinadialogue.net/article/show/single/en/134

HU, A. 2006b. Green development: The inevitable choice for China (Part 2), China Dialogue, available at: http://www.chinadialogue.net/article/show/single/en/135-Green-developmentthe inevitable-choice-for-China-part-two-

HU, A. 2011. China in 2020: A New Type of Superpower. Washington, DC: Brookings Institution.

KALDOR, N. 1970. The case for regional policies, Scottish Journal of Political Economy, 17: 337-348.

KOROTAYEV, A.v. and TSIREL, S. V. 2010. A spectral analysis of world GDP dynamics: Kondratieff waves, Kuznets swings, Juglar and Kitchin cycles in global economic development, and the 2008-2009 economic crisis, Structure and Dynamics, 4 (1), available at permalink: http://128.48.120.222/uc/item/9jv108xp

LEE, k. and MATHEWS, J.A. 2010. From the Washington Consensus to the BeST Consensus for world development, Asian Pacific Economic Literature, 24 (1): 86-103.

LI, v. and LANG, G. 2010. China’s “Green GDP” experiment and the struggle for ecological modernisation, Journal of Contemporary Asia, 40 (1): 44-62.

LINS, m.e., OLIVEIRA, l.B., DA SILVA, A.C., ROSA, l.P. And PEREIRA Jr, A.o. 2011. Performance assessment of alternative energy resources in Brazilian power sector using Data Envelopment Analysis, Renewable and Sustainable Energy Reviews, (in press).

MACEDO, i.C., SEABRA, J.e.A. and SILVA, J.e.A.r. 2008. Greenhouse gases emissions in the production and use of ethanol from sugarcane in Brazil: The 2005/2006 averages and a prediction for 2020, Biomass and Bioenergy, 32 (7): 582-595.

MATHEWS, J.A. 2007a. Can renewable energies be turned to a source of advantage by developing countries? Revue de l’Energie, No. 576 (Mar-Apr 2007): 96-105.

MATHEWS, J.A. 2007b. Latecomer strategies for catching-up: The cases of renewable energies and the LED programme, International Journal of Technological Learning, Innovation and Development, 1 (1): 34-42.

MATHEWS, J.A. 2008. Energizing industrial development, Transnational Corporations, 17 (3): 59- 84.

MATHEWS, J.A. 2009. China, India and Brazil: Tiger Technologies, Dragon Multinationals and the Building of National Systems of Economic Learning, Asian Business and Management, 8 (1): 5-32.

MATHEWS, J.A. 2011a. Naturalizing capitalism: The next Great Transformation, Futures, 43: 868-879.

MATHEWS, J.A. 2011b. China’s energy industrial revolution, l’Industria, 32 (2): 309-328.

MATHEWS, J.A. and KIDNEY, S. 2010. Climate bonds: Mobilizing private financing for carbon management, Carbon Management, 1 (1): 9-13.

MATHEWS, J.A. and TAN, H. 2011. Progress towards a Circular Economy in China: Drivers (and inhibitors) of eco-industrial initiative, Journal of Industrial Ecology: 15 (3): 435-457.

MATHEWS, J.A., HU, m.-C. And WU, C.-W. 2011. Fast-follower industrial dynamics: The case of Taiwan’s Solar PV industry, Industry and Innovation, 18 (2): 177-202.

MATHEWS, J.A., TANG, Y. and TAN, h. 2011. China’s move to a Circular Economy as a development strategy, Asian Business & Management, (in press).

MOL, A.P.J. 2002. Ecological modernization and the global economy, Global Environmental Politics, 2 (2): 92-115.

MYRDAL, G. 1957. Economic Theory and Under-Developed Regions. London: Duckworth. Nair, C. 2011. Consumptionomics: Asia’s Role in Reshaping Capitalism and Saving the Planet, Infinite Ideas, Oxford.

NURKSE, r. 1953. Problems of Capital Formation in Underdeveloped Countries. Oxford: Basil Blackwell.

POLANYI, k. 1944 (1957; 2001). The Great Transformation: The Political and Economic Origins of Our Time (Foreword Joseph E. Stiglitz; Introduction Fred Block). Boston, MA: Beacon Press.

POMERANZ, k. 2000. The Great Divergence: China, Europe and the Making of the Modern World Economy. Princeton, NJ: Princeton University Press.

ROSA, l.P., RIBEIRO, s.k., MUYLAERT, m.s. and de CAMPOS, C.P. 2004. Comments on the Brazilian proposal and contributions to global temperature increase with different climate responses – CO2 emissions due to fossil fuels, CO2 emissions due to land use changes, Energy Policy, 32: 1499-1510.

ROSENSTEIN-RODAN, P.n. 1943. Problems of industrialisation in Eastern and South-Eastern Europe, Economic Journal 53 (210/211) (Jun-Sep 1943): 202-211.

SPENCE, m. 2011. The Next Convergence: The Future of Economic Growth in a Multispeed World. New York: Farar, Straus & Giroux.

UNEP 2011. Towards a Green Economy: Pathways to sustainable development and poverty eradication – A synthesis for policy makers. Nairobi: United Nations Environment Program. Available at: http://www.unep.org/greeneconomy/GreenEconomyReport/tabid/29846/Default. aspx

UNRUH, G. C. 2002. Escaping carbon lock-in, Energy Policy, 30 (4): 317-325.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.