A formação do complexo florestal celulósico brasileiro

Silvia Lima de Aquino

Resumo


O artigo analisa o surgimento da indústria de papel
e celulose e a consolidação do complexo celulósico
florestal no Brasil. Com este intuito examina
o modo pelo qual o setor se transformou de um
conjunto de pequenas fábricas em um complexo
agroindustrial, com uma cadeia produtiva articulada.
Entende-se que a consolidação do referido
complexo teve como fator central a articulação
entre interesses agrários e industriais, mediados
pelo Estado, que esteve e se mantém vinculado
ao mesmo, ora como orquestrador de interesses;
ora como investidor; e por vezes como promotor
de políticas públicas. Para fundamentar a reflexão
realizou-se pesquisa bibliográfica e análise de documentos
relacionados ao aparato legal destinado
ao setor no Brasil. Conclui-se que o uso do eucalipto
e da celulose de fibra curta na fabricação de
papéis, nos anos 1950, provocou uma guinada na
indústria brasileira do setor, até então, muito rudimentar.
Esta passou a fabricar sua matéria-prima,
antes, majoritariamente, importada. Devido às
condições favoráveis a eucalipto cultura e em virtude
do importante papel do Estado na concessão de
incentivos fiscais, por meio de legislações, planos
de desenvolvimento e políticas públicas destinados
não só a introdução dos plantios e a fabricação
de papéis, mas, também a produção de celulose,
o Brasil se tornou um dos maiores fabricantes de
celulose de fibra curta do mundo.


Palavras-chave


Eucalipto; celulose; complexo florestal celulósico; Estado.

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