O liberal-desenvolvimentismo da FIESP nos governos do PT: a construção pragmática de uma agenda político-econômica

Francisco Duarte

Resumo


Após ter reivindicado as políticas econômicas que contribuíram para o fracassodo governo Dilma, a Fiesp participou da derrubada da presidente e da formulação da agenda ultraliberal que alçou Temer ao poder. Este comportamento expôs o pragmatismo histórico da Fiesp, que busca alianças para alcançar seus interesses, mas não hesita em rompê-las, com certa autonomia, a depender do contexto. Para testar essa tese, recuamos aos governos Lula e analisamos como o pragmatismo e a busca por autonomia contribuem na construção da agenda da Fiesp. Abordamos, qualitativamente, fontes primárias e secundárias. Sem partido definido, a Fiesp tem uma agenda ancorada na convenção liberal-desenvolvimentista, que pendulaentre pautas desenvolvimentistas e neoliberais. O comportamento pendular da Fiesp é sensível às conjunturas. Na década passada, diante do pactolulistae da retomada do crescimento, movimentou-semoderadamente. Nesta década, com a queda das taxas de lucro e a crescente desindustrialização, acompanhou a radicalização dos abastados.


Palavras-chave


Agenda da Fiesp; liberal-desenvolvimentismo; convenções do desenvolvimento; pragmatismo; governos do Partido dos Trabalhadores

Referências


ARANTES, Flávio e LOPREATO, Francisco. O NOVO CONSENSO EM MACROECONOMIA NO BRASIL: A POLÍTICA FISCAL DO PLANO REAL AO SEGUNDO GOVERNO LULA. Rev. Econ. Contemp., v. 21, n. 3, p. 1-34, set-dez/2017.

BASTOS, Pedro P. Z. Ascensão e crise do governo Dilma Rousseff e o golpe de 2016: Poder estrutural, contradição e ideologia. Rev. Econ. Contemp., núm. esp., 2017.

BIANCHI, Álvaro. Por que a Fiesp apoia o impeachment.Blog Junho,2015. Acesso em: 10 set. 2018. Disponível em: .

________________. O ministério dos industriais: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo na crise das décadas de 1980 e 1990.2004. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Departamento de Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, da Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

BOSCHI, Renato. Elites industriais e democracia: hegemonia burguesa e mudança política no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. A construção política do Brasil: sociedade, economia Estado desde a Independência. São Paulo: Editora 34, 2014.

CARVALHO, Laura. Valsa brasileira: do boom ao caos econômico. São Paulo: Todavia, 2018.

DINIZ, Eli. Empresário, Estado e capitalismo no Brasil (1930-1945). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

__________. e BOSCHI, Renato. Empresário, interesses e mercado: dilemas do desenvolvimento no Brasil. Belo Horizonte: Editora UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2004.

ERBER, Fábio Stefano. As convenções de desenvolvimento no Governo Lula: um ensaio de economia política. Revista de EconomiaPolítica, v. 31, n. 1, p. 31-55, jan./mar. 2011.

__________________. The Brazilian development in the nineties – myths, circles and structures. Nova Economia, v. 12, n. 1, 2002.

EVANS, Peter. Autonomia e Parceria: Estado e Transformação Industrial. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2004.

FERRAZ, João C. et al. Incerteza, adaptação e mudança: a indústria brasileira entre 1992 e 1998. Boletim de Conjuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999.

FIESP. Revista da Indústria. São Paulo, 2004-2010.

HIRSCHMAN, Albert e ROTHSCHILD, Michael. The changing tolerance for income inequality in the course of Economic development. In: ADELMAN, Jeremy (Ed.). The Essential Hirschman. Princeton and Oxford: Princeton University Press, 2013, 74-101.

IANONI, Marcus. Estado e coalizões no Brasil (2003-2016): social-desenvolvimentismo e neoliberalismo. 1ª ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2018.

LEOPOLDI, Maria A. P.Política e interesses: as associações industriais, a política econômica e o Estado na industrialização brasileira. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

NIEDERLE, Paulo André. Economia das Convenções: subsídios para uma sociologia das instituições econômicas. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 34, n. 2, p. 439-470, dez. 2013.

SALLUM JR., Brasilio. O Brasil sob Cardoso: neoliberalismo e desenvolvimentismo. Tempo Social: Revista de Sociologia da USP, v. 11, n. 2, 1999.

_____________. O desenvolvimentismo e o Estado brasileiro contemporâneo. In: Bresser-Pereira, Luiz Carlos (Org.). O Que Esperar do Brasil? Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013,61-72.

______________.e GOULART, Jefferson. O Estado brasileiro contemporâneo: liberalização econômica, política e sociedade nos governos FHC e Lula. Rev. Sociol. Polit., v. 24, n. 60, p. 115-135, dez. 2016.

SECCO, Lincoln. História do PT. Cotia: Ateliê, 2011

SERRANO, Franklin e SUMMA, Ricardo. CONFLITO DISTRIBUTIVO E O FIM DA “BREVE ERA DE OURO” DA ECONOMIA BRASILEIRA. Novos estudos. CEBRAP. São Paulo. v. 37 n.02. 175-189. mai.–ago. 2018.

SINGER, A. Cutucando onças com varas curtas. Novos Estudos, n.102, julho de 2015.

__________. O lulismo em crise: um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016). São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

___________. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.