A construção do saber estatal sobre os indígenas: refletindo sobre o papel da antropologia histórica na produção do censo indígena
Resumo
O estudo analisa a formulação e a implementação da pesquisa censitária dos povos indígenas no Censo Demográfico de 2022, enfatizando suas inovações institucionais e teórico-metodológicas. A partir de uma perspectiva histórica, compreende o censo como instrumento estatal de classificação social e espaço de disputa por reconhecimento. Argumenta que, embora as categorias censitárias simplifiquem a diversidade étnica, a mobilização do movimento indígena e de organizações da sociedade civil impulsionou, desde 1991, o aperfeiçoamento dos questionários e a ampliação da participação indígena pelo IBGE. O Censo de 2022 consolidou esse processo ao redefinir categorias como domicílio, aldeia e localidade, inspirado na Antropologia Histórica de João Pacheco de Oliveira. As mudanças ampliaram a identificação da diversidade de povos, línguas e etnias, bem como de sua distribuição territorial e acesso a serviços públicos. Conclui-se que uma tecnoburocracia sensível às dimensões históricas e antropológicas dos povos indígenas foi decisiva para esses avanços, especialmente em um contexto em que as diretrizes governamentais eram abertamente avessas ao reconhecimento da diversidade étnico-racial brasileira.
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