Pesquisa de tipo etnográico com jovens: uma observação participante com pessoas adultas e jovens sobre o movimento estudantil

Luís Antonio Groppo, Mariana Ramos Pereira

Resumo


A partir de pesquisa com coletivos estudantis de uma universidade do interior de Minas Gerais, Brasil, é relatado sobre o uso da observação participante como instrumento de investigação. O artigo faz uma relexão sobre esse instrumento, que caracterizou a pesquisa como de tipo etnográico, destacando a capacidade de a observação participante criar uma relevante relação dialógica entre os sujeitos da pesquisa. Relata-se a observação de eventos da UNE (União Nacional dos Estudantes), em 2016 e 2017. No ENUNE, se estabeleceu uma importante relação dialógica entre o adulto pesquisador e jovens pesquisadas e pesquisados. No CONUNE, para além de uma pesquisa com jovens, a observação participante combinou os olhares do adulto pesquisador e da jovem pesquisadora, o que também permitiu o cotejo de diferentes formas de interação com os sujeitos pesquisados em campo. Conclui-se com a defesa da importância de que as equipes de pesquisa tenham espaço para ativa participação de jovens, não apenas como “tarefeiras” e “tarefeiros”, mas também na tomada de decisões sobre a metodologia, na investigação empírica e nas análises, potencializando a qualidade da pesquisa e o impacto de seus resultados.

Texto completo:

PDF

Referências


ANDRÉ, M. E. D. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995.

AZEVEDO, C. M. M. Onda negra, medo branco. O negro no imaginário das elites. Século XIX. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

BRANDÃO, C. R. Reflexões sobre como fazer trabalho de campo. Sociedade e Cultura, v. 10, n. 1, p. 11-27, 2007.

BROOKS, R. Student politics and protest. An introduction. In: BROOKS, R. (Org.). Student Politics and Protest. London and New York: Routledge, 2017. p. 1-11.

COULTER, K. Students’ Organizations in Canada and Cuba: a comparative study. Canadian and Internactional Education, v. 36, n. 1, 2007.

FONSECA, C. Quando cada caso não é um caso. Pesquisa etnográfica e educação. Revista Brasileira de Educação. n. 10, p. 58-78, 1999.

GROPPO, L. A. et al. Coletivos juvenis políticos em uma universidade pública mineira: microespaço público e experiências de participação no movimento estudantil. Práxis Educativa, Ponta Grossa, v. 14, n. 3, 2019.

GROPPO, L. A. et al. Ocupações no Sul de Minas: autogestão, formação política e diálogo intergeracional. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, v.19 n.1 p. 141-164, 2017.

LUESCHER, T. M. Altbach’s Theory of student activism in the Twentieth Century: ten propositions that matter. In: BURKETT, J. (Org.). Students in Twentieth-Century Britain and Ireland. London: Palgrave MacMillan, 2018. p. 2917-317.

MAGNANI, J. G. Etnografia como prática e experiência. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 15, n. 37, p. 129-156, 2009.

MANNHEIM, K. O problema sociológico das gerações. In: FORACCHI, M. (Org.). Mannheim. São Paulo: Ática, 1982. p. 67-95.

MESQUITA, M. R. Juventude e movimento estudantil. O “velho” e o “novo” na militância. 2001. 189 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001.

MINTZ, S. W. Encontrando Taso, me descobrindo. Dados: Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 45-58, 1984.

MOLL, J. (Org.). Os tempos da vida nos tempos da escola: construindo possibilidades. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2013.

NOVAES, R. Juventude, religião e espaço público: exemplos ‘bons para pensar’ tempos e sinais. Religião e Sociedade, v. 32, n. 1, p. 184-208, 2012.

OLIVEIRA, R. C. O Trabalho do Antropólogo. 2 ed. Brasília: Paralelo 15; São Paulo: Editora da Unesp, 2006.

SOVIK, L. Aqui ninguém é branco. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


NIPIAC – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa para a Infância e Adolescência Contemporâneas
Universidade Federal do Rio de Janeiro - Campus da Praia Vermelha
Av. Pasteur, 250 – Urca, Prédio da Decania do CFCH
Rio de Janeiro - RJ, Brasil | CEP 22.290-902