Infâncias afetadas pela violência estatal: dispositivos territoriais de escuta psicanalítica e elaboração do trauma colonial
DOI:
https://doi.org/10.54948/desidades.v1i44.72941Palavras-chave:
violência armada de Estado, Trauma colonial, Clínica territorial, Infâncias racializadas, NecropolíticaResumo
O artigo analisa os efeitos psíquicos, sociais e políticos da violência armada de Estado sobre crianças, adolescentes e suas famílias, a partir da experiência da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (RAAVE), no Rio de Janeiro. Ancorado na psicanálise e em uma perspectiva clínico-política, discute como a necropolítica racializada incide na produção de lutos interrompidos, na ameaça permanente à infância e na precarização dos laços sociais. Destaca-se a criação de oficinas e cirandas com crianças e jovens — irmãos e familiares de vítimas — como dispositivos territoriais de escuta e elaboração coletiva do trauma. Esses espaços possibilitam a circulação da palavra, a reconstrução de narrativas e a sustentação do estatuto de sujeito diante de processos de desumanização. Ao articular memória, cuidado e ação política, o trabalho evidencia que a escuta das infâncias afetadas constitui uma intervenção clínica e um gesto ético de resistência frente ao extermínio de futuros.
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