O tema do volfrâmio e o neorrealismo

Maria de Fátima Marinho

Resumo


A importância da extração do volfrâmio durante a Segunda Guerra Mundial e as correspondentes consequências sociais e políticas terão, como seria de esperar, reflexos na literatura da época e na imediatamente posterior. A corrente neorrealista aproveitou-se deste fenómeno e dos problemas económicos e sociais que ele levantou e explorou-o em algumas das obras que podemos considerar paradigmáticas. Falamos dos contos Minério, de Miguel Torga (1941) e Ladrão!, de Marmelo e Silva (1943), bem como dos romances Volfrâmio (1943), de Aquilino Ribeiro e Minas de San Francisco (1946), de Fernando Namora. Apesar de não os poderemos considerar romances (ou contos) históricos, a verdade é que eles retratam as condições de vida das personagens e as mudanças que advieram das novas circunstâncias. Destacamos ainda um romance de 2008, de Miguel Miranda, intitulado O Rei do Volfrâmio – A última viagem com todo o requinte. O tom irónico e caricatural da última obra nada tem a ver com a problemática séria e empenhada dos textos dos anos 40. O contraste faz ressaltar a diferença entre o tratamento influenciado pela estética neorrealista e o aproveitamento sarcástico e de cariz alternativo da História em alguns dos romances contemporâneos.


Palavras-chave


neorrealismo; volfrâmio; romance histórico; condições socioeconómicas.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2019.v16n1a27152

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