Tanto Mar (1975):

extensão e profundidade histórica em uma canção circunstancial de Chico Buarque

Autores

  • João Vitor Rodrigues Alencar IFPA

DOI:

https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2024.v21n01a62895

Resumo

Composta sob impacto da Revolução dos Cravos, “Tanto mar” (1975) é por vezes considerada como uma canção circunstancial. Apesar da deliberada singeleza do resultado formal e da referência direta ao contexto, buscaremos mostrar que ela vai além do que se espera de algo circunstancial: música e letra compõem um todo que reflete em profundidade sobre o processo histórico-social de longa duração do desenvolvimento capitalista, representado mais diretamente pela Colonização. Nesse sentido, ainda que a canção tenha sido composta na empolgação dos momentos iniciais da revolução portuguesa e se refira diretamente a ela, seu processo de estruturação não se resume ao momento imediato. Pelo contrário, sua configuração inclui uma gama mais extensa de materiais e a profundidade de seu sentido depende de outras mediações que situam tal revolução como um momento dentro de um movimento mais amplo e complexo. Para demonstrá-lo, abordaremos o processo de estruturação através da análise de sua fatura, buscando mostrar, de forma imanente, como os materiais históricos estão sedimentos na forma que os configura. É como se a singeleza das técnicas artísticas e a abundância de materiais estivessem armados numa tensa composição, em que as próprias contradições dessa relação são responsáveis por expor de maneira formal o extenso e profundo processo sócio-histórico que constitui a atualidade.

Downloads

Publicado

2025-01-09