Factualidade Ficcional e Reescrita da História:

a Metaficção Historiográfica em Estação das Chuvas, de Eduardo Agualusa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n02a67775

Resumo

Este artigo analisa o romance Estação das Chuvas (2010), de Eduardo Agualusa, como uma obra que emprega a metaficção historiográfica — conforme definida por Linda Hutcheon (1991) — para revisitar criticamente a história angolana, tensionando as fronteiras entre ficção e discurso histórico. Objetiva-se demonstrar como o recurso da factualidade ficcional (isto é, a capacidade da narrativa literária de assumir um estatuto de verdade histórica em contextos de carência documental e desconfiança em relação às versões oficiais) estrutura a obra, permitindo: (1) a reavaliação de eventos e personagens históricos; (2) a amplificação de vozes marginalizadas; e (3) a problematização das narrativas hegemônicas pós-coloniais. A análise centra-se na protagonista Lídia do Carmo Ferreira, cuja biografia ficcional entrelaça-se a figuras reais como Agostinho Neto, desvelando contradições do projeto nacional angolano. Conclui-se que a obra, ao articular passado e presente, não apenas reinterpreta a história, mas também a reescreve como ato político, questionando a noção de verdade histórica e propondo-se como instrumento de reflexão sobre identidade, memória e futuro.

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Biografia do Autor

Rafael Martins Nogueira, Universidade Federal do Ceará

Doutorando e mestre em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLIN) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Especialista em Linguagens, suas Tecnologias e o Mundo do Trabalho pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Licenciado em Letras - Língua Portuguesa e suas respectivas Literaturas (2018) pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Bolsista de Doutorado - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Professor do Instituto UFC Virtual/Universidade Aberta do Brasil, no curso de graduação em Letras - Língua Portuguesa, na modalidade a distância. Integrante do Grupo de Estudos Semióticos da Universidade Federal do Ceará (SEMIOCE). Revisor da Revista Vazantes do Programa de Pós-Graduação em Artes (UFC) e diagramador da Revista Estudos Semióticos da Universidade de São Paulo (USP). 

Karen Bernardo Viana, Universidade Federal do Ceará

Graduada em letras- português e literaturas pela Universidade federal do Ceará e mestre em linguística pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal do Ceará na área de práticas discursivas e estratégias de textualização. Áreas de interesse: semiótica discursiva, análise do discurso e linguística textual.

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Publicado

2026-05-11

Edição

Seção

Aquém e além do 25 de Abril: 50 anos das independências dos países africanos de língua oficial portuguesa