Factualidade Ficcional e Reescrita da História:
a Metaficção Historiográfica em Estação das Chuvas, de Eduardo Agualusa
DOI:
https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n02a67775Resumo
Este artigo analisa o romance Estação das Chuvas (2010), de Eduardo Agualusa, como uma obra que emprega a metaficção historiográfica — conforme definida por Linda Hutcheon (1991) — para revisitar criticamente a história angolana, tensionando as fronteiras entre ficção e discurso histórico. Objetiva-se demonstrar como o recurso da factualidade ficcional (isto é, a capacidade da narrativa literária de assumir um estatuto de verdade histórica em contextos de carência documental e desconfiança em relação às versões oficiais) estrutura a obra, permitindo: (1) a reavaliação de eventos e personagens históricos; (2) a amplificação de vozes marginalizadas; e (3) a problematização das narrativas hegemônicas pós-coloniais. A análise centra-se na protagonista Lídia do Carmo Ferreira, cuja biografia ficcional entrelaça-se a figuras reais como Agostinho Neto, desvelando contradições do projeto nacional angolano. Conclui-se que a obra, ao articular passado e presente, não apenas reinterpreta a história, mas também a reescreve como ato político, questionando a noção de verdade histórica e propondo-se como instrumento de reflexão sobre identidade, memória e futuro.
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