João Melo:
a história da nação vista através de “destrutivas evidências supostamente irrefutáveis”
DOI:
https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2025.v22n02a72171Resumo
O poeta, prosador, jornalista e ex-ministro João Melo tem em sua obra um olhar bastante crítico acerca de seu país, Angola. Suas narrativas, quase sempre dotadas de irônicos jogos intertextuais, apresentam um mosaico de pequenas histórias do cotidiano capazes de remontar os tortuosos caminhos percorridos por si e seus compatriotas em busca da libertação e consolidação da nação. O filósofo italiano Giorgio Agamben, em “O que é o contemporâneo?” (2008), destaca a “singular relação com o próprio tempo” como característica essencial à contemporaneidade; ou seja, para Agamben, ser contemporâneo seria conviver com uma não adesão total ao tempo presente, mantendo um certo distanciamento e estranhamento capazes de, interpolando o tempo, colocá-lo em relação e transformá-lo. Acreditamos ser esta uma característica fundamental da prosa de Melo: inserida em um tempo presente, mantem um olhar fixo não só sobre as luzes da libertação mas em certas obscuridades do pós-independência. Tomando como corpus analítico as obras Filhos da pátria (2001); Os marginais e outros contos (2013); e O acumulador (2024), a presente proposta intenta uma possível leitura das obras de João Melo em diálogo com a história factual angolana, tendo como base teórica os conceitos de adaptação (Hutcheon, 2013); contemporâneo (Agamben, 2008); e brutalismo (Mbembe, 2020).
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