Mudanças e permanências: a polêmica sobre o destino da Casa da FEB

Patrícia Ribeiro

Resumo


O artigo tem como principal objetivo rever a trajetória da Associação Nacional de Veteranos da FEB (ANVFEB/RJ), também conhecida como Casa da FEB - localizada à Rua das Marrecas nº 35, Lapa, RJ - enquanto uma instituição de guarda de memória, desde a sua fundação em 1963. No presente momento, sua existência se encontra ameaçada em função da falta de interesse por parte da iniciativa pública e privada e do acelerado processo de dilaceração do grupo, já em idade avançada, a maioria entre 80 e 90 anos. A Casa da FEB, marcada inicialmente pela necessidade dos ex-combatentes de se organizarem por conta própria para prestar assistência social e auxílio jurídico às viúvas e às famílias de seus membros, foi, à medida que eles envelheciam, se configurando cada vez mais como um lugar de sociabilidade que deveria - ou pelo menos era esse o desejo - sobreviver à morte de seus associados, cumprindo a missão de garantir a perenidade da memória construída e consolidada pelo grupo, através do tempo. Neste sentido, torna-se imperativo investigar como os possíveis impactos dessa nova realidade podem vir a alterar significativamente os mecanismos de manutenção da memória preservada pelos ex-combatentes reunidos na Casa da FEB e, até mesmo, silenciar essa versão por eles construída.


Palavras-chave


Casa da FEB; Memória; Ex-combatentes

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