LISÍSTRATA E O EMBARGO ECONÔMICO DO OLISBOS (PÊNIS ARTIFICIAL):

A SUBVERSÃO PERFORMATIVA DO GÊNERO E O FALOCENTRISMO CÔMICO ATENIENSE

Autores

Palavras-chave:

Aristófanes, Lisístrata, Gênero, Guerra do Peloponeso, olisbos

Resumo

O artigo examina Lisístrata, de Aristófanes, a partir das relações entre guerra, economia e gênero na Atenas do século V a.C. Argumenta-se que o embargo do olisbos, o pênis artificial mencionado na comédia, funciona como metáfora cômica que condensa as falhas logísticas do império ateniense durante a Guerra do Peloponeso. Ao deslocar para a esfera privada os efeitos de bloqueios e sanções, Aristófanes evidencia a vulnerabilidade estrutural da pólis ateniense, cuja hegemonia dependia do controle de rotas
e do abastecimento. Nesse contexto, a greve sexual e a tomada da Acrópole pelas mulheres são interpretadas, à luz da performatividade de gênero, como subversão dos papéis normativos que expõe a fragilidade do falocentrismo cívico. Metodologicamente, o artigo combina análise textual, fontes antigas e bibliografia contemporânea. Conclui-se que o olisbos, longe de ser mero elemento cômico, constitui um operador interpretativo que articula economia, desejo e poder, permitindo compreender as tensões entre militarização, gênero e crise política na Atenas Clássica.

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Biografia do Autor

Márcia Cristina Lacerda Ribeiro, Universidade do Estado da Bahia

Professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), vinculada à Graduação em História e ao Programa de Pós-graduação em Ensino, Linguagem e Sociedade (PPGELS/Uneb). Doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio de pós-doutoramento em Arqueologia Clássica pelo MAE/USP. Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre a Cidade Antiga (Labeca/MAE/USP). Editora-chefe do periódico Perspectivas e Diálogos: Revista de História Social e Práticas de Ensino.

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Publicado

2026-07-18

Como Citar

LACERDA RIBEIRO, Márcia Cristina. LISÍSTRATA E O EMBARGO ECONÔMICO DO OLISBOS (PÊNIS ARTIFICIAL):: A SUBVERSÃO PERFORMATIVA DO GÊNERO E O FALOCENTRISMO CÔMICO ATENIENSE. PHOÎNIX, [S. l.], v. 32, n. 1, p. 176–197, 2026. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/phoinix/article/view/75502. Acesso em: 21 jul. 2026.