LISÍSTRATA E O EMBARGO ECONÔMICO DO OLISBOS (PÊNIS ARTIFICIAL):
A SUBVERSÃO PERFORMATIVA DO GÊNERO E O FALOCENTRISMO CÔMICO ATENIENSE
Palavras-chave:
Aristófanes, Lisístrata, Gênero, Guerra do Peloponeso, olisbosResumo
O artigo examina Lisístrata, de Aristófanes, a partir das relações entre guerra, economia e gênero na Atenas do século V a.C. Argumenta-se que o embargo do olisbos, o pênis artificial mencionado na comédia, funciona como metáfora cômica que condensa as falhas logísticas do império ateniense durante a Guerra do Peloponeso. Ao deslocar para a esfera privada os efeitos de bloqueios e sanções, Aristófanes evidencia a vulnerabilidade estrutural da pólis ateniense, cuja hegemonia dependia do controle de rotas
e do abastecimento. Nesse contexto, a greve sexual e a tomada da Acrópole pelas mulheres são interpretadas, à luz da performatividade de gênero, como subversão dos papéis normativos que expõe a fragilidade do falocentrismo cívico. Metodologicamente, o artigo combina análise textual, fontes antigas e bibliografia contemporânea. Conclui-se que o olisbos, longe de ser mero elemento cômico, constitui um operador interpretativo que articula economia, desejo e poder, permitindo compreender as tensões entre militarização, gênero e crise política na Atenas Clássica.
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