Artigo_01_-Bibliotecários_e_fake_news_

Bibliotecários e Fake News: análise de publicações nacionais

Librarians and fake news: analysis of national publications

Livia de Oliveira Lima Cavalcanti de Araújo

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0547-7986

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

araujolivia02@gmail.com

Michely Jabala Mamede Vogel

ORCID: : https://orcid.org/0000-0002-0311-3161

Doutora em Ciência da Informação — Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)

michelyvogel@id.uff.br

RESUMO: Fake News são notícias que, apesar de todas as características de verdadeiras, trazem dados falsos ou manipulados, visando a atender a objetivos de determinado grupo. Foram importante arma de guerra política, e ganharam destaque principalmente após as eleições norte-americanas de 2016, quando houve um intenso fluxo de disseminação de informações falsas sobre candidatos à presidência daquele país. No Brasil, durante as eleições presidenciais de 2018, essas notícias tiveram o mesmo objetivo que nos Estados Unidos. Isso foi possível, especialmente, por causa das redes sociais, que foram as principais plataformas usadas para disseminar essas informações. O objetivo deste trabalho foi analisar as Fake News e como os bibliotecários têm lidado com esse fenômeno e suas consequências. Foram analisados os conceitos de pós-verdade, desinformação, bolhas informacionais e fact-checking. Como metodologia, foi feita uma revisão de literatura, auxiliada por um estudo bibliométrico nas bases de dados. Dessa forma, foram encontrados 45 trabalhos, a maioria artigos; constatou-se que a área que mais os publica, além da Ciência da Informação, é a Comunicação; percebeu-se que as palavras-chave mais citadas, além de fake news, são Desinformação e Pós-verdade. Conclui-se que o tema ainda está começando a ser estudado academicamente, e que é preciso que os bibliotecários, bem como os estudantes de Biblioteconomia e as Instituições Biblioteconômicas estejam atentos a esse movimento, busquem entendê-lo e formulem diretrizes mais eficazes no combate das fake news.

PALAVRAS-CHAVE: Fake news. Pós-verdade. Desinformação. Fact-checking. Bibliotecários.

ABSTRACT: Fake News are news which, despite all the characteristics of truth, bring false data, manipulated, aiming to meet the goals of a particular group. They were an important weapon of political war and they gained prominence mainly after the 2016 US elections, when there was an intense flow of false information about presidential candidates. In Brazil, during the 2018 presidential elections, this news had the same purpose as in the United States. This was possible especially with social media, which were the main platforms used to disseminate this information. The objective of this paper was to analyze the Fake News and how librarians have dealt with this phenomenon and its consequences. The concepts of fake news, post-truth, disinformation, informational bubbles and fact-checking have been analyzed. As a methodology, a literature review was performed, aided by a bibliometric study in Brazilian databases, resulting in 45 works, mostly articles. Information and Communication are the most productive area, and the main keywords were fake news, disinformation and post-truth. It is concluded that the topic is beginning to be studied academically, and that librarians, as well as students of Librarianship, libraries organizations are aware of this movement and seek to understand it and formulate more effective guidelines to combat this news.

Keywords: Fake News. Post-truth. Disinformation. Fact-checking. Librarians.

1 Introdução

Receber correntes, propagandas, matérias jornalísticas, seja por meio de redes sociais na internet como Facebook, Twitter, YouTube e Instagram ou por meio de grupos de Whatsapp, tem se tornado algo cotidiano. Nem sempre o conteúdo de tais mensagens é verídico, e um estudo de 2018, entrevistando mais de 19 mil pessoas de 27 países diferentes (CARSOSIMO, 2018) identificou que as pessoas não apenas recebem notícias falsas, como concordam com elas, e as compartilham. Por acreditar-se que tais notícias estão de acordo com aquilo que essas pessoas defendem, os fatos ou fontes não são verificados e, em muitos casos, nem ao menos as notícias são abertas ou lidas na íntegra, o que estabelece uma leitura guiada apenas por seus títulos ou chamadas.

O que no passado era chamado de boato ou rumor, que corria de boca em boca, e era contado de diversas formas, ganhou novo nome e nova forma de compartilhamento, fake news e redes sociais.

A presidente da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), para acompanhar as eleições presidenciais brasileiras de 2018, apontou que o Brasil se destaca por usar intensamente as fake news para influenciar diretamente a opinião do eleitor. “É um fenômeno tão novo e tão recente, é a primeira vez que em uma democracia estamos observando o uso do Whatsapp para difundir maciçamente notícias falsas, como no caso do Brasil” (JUBÉ; CHINCHILA, 2018).

Em pesquisa de 2017 do Instituto Reuters, dois dados chamam atenção: 33% dos entrevistados afirmam que as redes sociais os expõem a variadas fontes e pontos de vista, e 27% acreditam que as redes sociais são mais autênticas e um lugar onde “pessoas de verdade” expressam sua opinião. (SEHL; CORNIA, 2017)

As fake news provocam uma polarização política (ORTELLADO, 2018), especialmente pela forma como são escritas, culminando em violência das manifestações políticas (JUBÉ; CHINCHILA, 2018).

Diferente do que ocorreu nas eleições americanas, quando as notícias foram repassadas preferencialmente pelo Facebook e Twitter, em que é possível identificar a fonte geradora e ou propagadora da notícia, no caso brasileiro o Whatsapp foi a ferramenta mais usada para essa propagação, visto que o aplicativo apresenta um padrão de criptografia que torna difícil rastrear a fonte da notícia. O aplicativo de mensagens foi alvo de várias polêmicas, justamente por não permitir essa quebra de criptografia, e isso fez com que as milícias digitais aproveitassem essa brecha para propagar notícias falsas (SALGADO, 2018).

Apesar de toda polêmica, o usuário tem a possibilidade de fazer uma checagem e descobrir se o conteúdo daquela notícia é verdadeiro ou se foi manipulado. Com todas as situações, surgem nesse contexto as agências de fact checking (conferência de fatos), permitindo ao usuário uma checagem de conteúdo.

No Brasil, a preocupação com essas notícias vem crescendo a ponto de o Senado Federal constituir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar o fluxo dessas notícias, e como elas influenciaram no período eleitoral, favorecendo e prejudicando candidatos de vários partidos. Vale, também, destacar que existem no país algumas legislações, como, por exemplo, a Lei 13.834/2019 (BRASIL, 2019), que altera a Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 Código Eleitoral, para tipificar o crime de denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. Acredita-se que é um importante passo no que diz respeito às questões eleitorais, mas não abrange todos os tipos de fake news, permitindo que tais notícias continuem sendo divulgadas.

Diante desse contexto, pesquisas na perspectiva da área da Comunicação buscam entender como as notícias falsas afetam o processo de comunicação, para o qual gera consequências. Essas pesquisas também procuram compreender como o crescente fluxo de informação e acesso à internet favorece a difusão das notícias falsas. Na perspectiva da área da Informação, uma das preocupações é a de como favorecer a consulta a fontes de informação, tanto em formato físico como digital, que agreguem conhecimento e informação, e, sobretudo, como filtrar, de maneira adequada e sistematizada, diferenciando informações verdadeiras de discursos falsos ou desatualizados. Diante do exposto, o objetivo geral deste trabalho é analisar como a Ciência da Informação vem tratando a questão das fake news, por meio de análise bibliométrica das publicações sobre o tema.

Para tanto, apresentamos os conceitos de fake news, pós-verdade, bolhas informacionais, desinformação e métodos de checagem, assim como a relação dos profissionais da informação com o fenômeno fake news.

2 Fake News e conceitos relacionados

Fake News é a expressão em inglês para notícias falsas. Trata-se de informações noticiosas que não representam a realidade, compartilhadas na internet como se fossem verídicas, principalmente através das redes sociais. O ato de compartilhar notícias sem a sua devida verificação foi identificado de forma sistêmica em 2016, durante a corrida presidencial americana, ou seja, as chamadas fake news ganharam força, principalmente nesse momento (WANG, 2016). Não se pode dizer que nunca houve esse tipo de notícia, mas, devido ao momento histórico e aos interesses políticos e econômicos, elas cresceram consideravelmente, trazendo uma preocupação ao cenário informacional.

Leite e Matos (2017) comparam a ampla divulgação das fake news a uma epidemia zumbi: “O comportamento de consumir e disseminar desinformação sem saber é, assim, considerado em analogia com uma epidemia zumbi — figura folclórica da cultura pop mundial.” De acordo com os autores, as pessoas que compartilham tais conteúdos fazem isso sem nem mesmo saber ou verificar as fontes, pois essas notícias têm um apelo tão forte, que levam a acreditar que são verdades.

Pós-verdade, eleita como a palavra do ano de 2016, é um “neologismo criado para nomear o fenômeno social desenvolvido na internet onde notícias falsas (fake news) passam a ser consideradas verdades devido a sua massiva difusão” (SIGNIFICADOS, 20211). Trata-se do fenômeno através do qual a opinião pública reage mais a apelos emocionais do que a fatos objetivos. De acordo com o dicionário (OXFORD DICTIONARY, 2016). Esse termo tem sido associado às fake news, justamente por usar do mesmo apelo para manipular a informação.

Para Castilho (2016) vivemos a Era da pós-verdade, na qual a verdade dos fatos não é mais prioridade nem para os meios de comunicação, nem para a sociedade. A informatização criou um fluxo excessivamente alto de produção e troca de informações, tornando difícil distinguir o que é verdadeiro do que é falso. De acordo com ele, isso é o que fundamenta o conceito. O fluxo de troca de mensagens, especialmente na internet, em que as informações são repassadas de forma imediatista para um número altíssimo de pessoas, cria, em pouco tempo, uma verdade fabricada defendida por uma massa de indivíduos que acredita que a informação é verdadeira.

Alguns autores associam as fake news aos termos disinformation (desinformação) e misinformation (mis-informação). A primeira é aquela informação que tem a intenção deliberada de ser compartilhada mesmo sendo incorreta. É aquela falsa informação propagada na intenção de ferir o receptor, através da informação compartilhada pelo provedor (TUDJMAN; MIKELIC, 2003). Já a mis-informação é aquela cujo emissor passa a mensagem sem saber se é real ou não. Calvert (1999) adverte que a mis-informação é uma informação que não tem relação normativa com a verdade, podendo ser incompleta, sem informações precisas. Fitzgerald (1997) identificou alguns tipos de mis-informação online bastante características, como piadas, contradições, datas erradas, incompatibilidades de softwares.

Para Fetzer (2004) há alguns tipos de desinformação que são bem típicas: distribuição, afirmação ou disseminação de informações falsas, equivocadas ou enganosas, em um esforço intencional ou deliberado para enganar ou confundir. A essas características, ele chama de Teoria da Desinformação.

Mars (2018) cita um estudo que sugeriu ser a desinformação o que alavancou e consequentemente levou o presidente norte-americano Donald Trump à vitória. Porém, segundo a análise do Instituto IPSOS (CARSOSIMO, 2018), as pessoas vivem em uma bolha, em que somente aceitam aquilo que está de acordo com o que já acreditavam. Por mais que a notícia pareça alarmante, fabricada demais, ainda assim, as pessoas tomam aquilo como verdade para si.

De acordo com Pariser (2012), somos manipulados pelas redes sociais e pela internet de uma maneira geral. Para o autor, tendemos naturalmente a nos aproximar de pessoas que pensem da mesma maneira que nós e dessa forma criam-se grupos, e ao mesmo tempo, evitamos o pensamento oposto. Como consequência, entramos em uma bolha que acaba moldando nossa forma de pensar e que não condiz com o que de fato é o mundo “lá fora”.

As “pessoas repassam fake news não pela veracidade, mas porque reforçam suas convicções», e as redes sociais, além da democratização do acesso, formaram «uma massa de ignorantes manipuláveis (que) está sendo influenciada por fake news” (BARBOSA, 2019, p. 7). É a substituição do ‘acredito em’ pelo ‘faço parte de’. Os grupos de família no Whatsapp tornaram-se os principais vetores de notícias falsas (BBC, 2018). As pessoas acreditam em quem compartilhou a notícia, e isso seria suficiente para validar aquela informação e tomá-la como verdade para si.

A preocupação com o processo de desinformação que vem ocorrendo nos últimos anos tem feito com que várias agências, entidades, ligadas à Ciência da Informação ou não, como jornais e revistas, lancem manuais, criem sites, contratem pessoas preparadas para identificar as fake news.

Em 2018, a International Federation of Library Association — IFLA passou a recomendar oito passos essenciais para identificar uma notícia falsa (IFLA, 2017):

  1. Estude a fonte: pesquise mais, verifique o site, objetivos e informações de contato.
  2. Leia mais: um título impactante pode capturar sua atenção, mas qual é o texto completo?
  3. Quem é o autor? Faça uma busca rápida sobre o autor. É confiável? É real?
  4. Fontes adicionais: abra as páginas e comprove se há dados que concordam com a informação publicada.
  5. Verifique a data: publicar notícias velhas não significa que sejam relevantes atualmente.
  6. É uma brincadeira? Se é muito extravagante pode ser uma sátira. Investigue o site e o autor.
  7. Considere os argumentos: tenha em conta que suas crenças e seus valores podem alterar sua opinião sobre algo.
  8. Pergunte a um especialista da área: consulte um bibliotecário ou um site de verificação.

Adicionalmente, a IFLA (2017) indica o que fazer quando identifica-se algo que se trata mesmo de fake news:

• O primeiro a se fazer: não compartilhar.

• Leia os comentários da notícia. Pode ser que alguém já a tenha desmentido.

• Copie a imagem da notícia e busque em Google Imagens. Essa ação recolhe resultados caso a imagem tenha sido utilizada em outro site previamente com uma história completamente distinta.

• Veja se o site que compartilha a notícia é um meio confiável.

• Leia outras notícias que são divulgadas no meio para averiguar seu tom geral, se costuma ser verossímil ou duvidoso.

• Busque quem assina essa informação e busque mais informações sobre seu autor.

• Compare com outros meios para ver se comentaram a notícia.

• Revise as citações de fontes oficiais. Comprove se realmente querem dizer o que a notícia colocou.

• Se você detectar que é uma notícia falsa, recorra aos meios sociais, basta reportá-la como “spam” ou informação falsa.

• Se ainda assim não está claro, revise se a notícia aparece na web como fake news.

Com a mesma motivação da IFLA, agências foram criadas com o intuito de fazer o chamado fact-checking, que consiste na verificação dos hiperlinks das notícias. Cada agência possui um padrão de análise, mas todas têm o mesmo objetivo em comum, qualificando o debate público por meio da apuração jornalística, de checar qual é o grau de verdade das informações. Spinelli e Santos (2018) destacam no Brasil a Truco, pertencente à Agência Pública, que verifica falas, correntes e informações em circulação na internet ou redes sociais; Aos Fatos, que verifica declarações de políticos e autoridades de expressão nacional de diversas colaborações partidárias; e Lupa, que analisa o noticiário diário de política, economia, cidade, cultura, educação, saúde e relações internacionais.

É necessário, portanto, pensar em como essas notícias afetam o processo informacional, e quem são os maiores afetados por esse processo. Vale ressaltar que nenhuma notícia é criada sem intenção, sejam elas comerciais ou políticas ou ainda de outra natureza. De todo modo, embora o tema ainda seja recente e o conceito de fake news encontre-se em construção, a literatura consultada leva à compreensão de que este fenômeno está ligado a um contexto político, social e econômico, cujo objetivo é criar situações de dúvida.

3 Bibliotecários e as Fake News

O bibliotecário deve ser aquele profissional apto a lidar com a informação, tratando-a de maneira responsável e crítica. O ciclo informacional só está completo “quando a informação é convertida em conhecimento, capaz de promover desenvolvimento e de ser comunicada, gerando assim novos estoques de informação e retroalimentando o ciclo” (DUARTE, 2009). Deve ser, portanto, uma informação fidedigna e confiável.

Por isso, bibliotecários e profissionais da informação devem ser capazes de apresentar ao usuário as fontes de pesquisa confiáveis, e aquelas que não devem ser creditadas, por se alimentarem de conteúdos duvidosos. Para tanto, se faz necessário conhecimento e acesso a ferramentas e canais que permitam a verificação de fontes, além de uma atitude contestadora, a fim de conferir se o que disseminam é adequado e verdadeiro.

As pessoas que chegam a uma graduação no Brasil, em sua maioria, não foram usuários nem de bibliotecas públicas, nem de biblioteca escolar (quando estas existem), por isso apresentam dificuldades na hora de construir e interpretar um texto. Na maioria das vezes, eles apenas copiam e colam, usam frases, pensamentos de autores, sem lhes dar o devido crédito, desse modo, cometendo o plágio, ainda que inconscientemente. Associado a isso, não conseguem validar uma informação, e se utilizam daquele recurso mais rápido e fácil, principalmente nos dias de hoje, onde a internet é acessível pelo celular, fazendo valer uma falsa ideia de que se está na internet é verdade (SUAIDEN 2018).

Nesse sentido, a biblioteca nunca foi tão importante no que diz respeito à manutenção da verdade (SUAIDEN, 2018). Porém, com o fenômeno das fake news e as chamadas bolhas informacionais, estratégias devem ser criadas pelos bibliotecários, para que os usuários saiam de suas bolhas, e busquem a informação corretamente.

Nesse cenário, ocorre uma perda de controle (COOKE, 2017, p. 215). Os usuários têm muitas opções, mas pouca habilidade de trabalhar com a informação, e isso também é um fator que contribui para que essas notícias, mis-informação e desinformação continuem em circulação. Dessa forma, é preciso que os bibliotecários e as bibliotecas avancem, no sentido de estarem mais conectados a seus usuários. Não é possível combater as notícias sem antes evoluir quanto ao letramento informacional, especialmente o online. É preciso acompanhar esse movimento nas redes e entender o comportamento dos usuários (SULLIVAN, 2018).

A sociedade prioriza a rapidez acima da precisão, o compartilhamento acima da leitura, comentários acima da compreensão. Isso pode ser entendido como características de analfabetismo funcional, e parece que com essa rapidez e “caos” de informações, trata-se de um processo em aceleração (LEETARU, 2019). Além disso, os indivíduos não dão conta de interpretar e refletir sobre a carga informacional que recebem diariamente (RIPOLL; MATOS, 2017). Isso pode ser compreendido como a causa da desinformação nos meios digitais.

Ao mesmo tempo em que se vive a era da Sociedade da Informação, temos o outro lado, que vem sendo chamado de “Sociedade da Desinformação” (FRANCISCO, 2014), na qual, apesar de haver meios de validar as informações recebidas antes de decidir compartilhá-las, a checagem não é feita simplesmente porque se quer acreditar em tal informação. Para combater esta Sociedade, é imperativa a avalição contundente das fontes de informação:

Ter acesso às fontes de informações é uma tarefa diária e essencial na atualidade. Contudo, não basta que se tenha acesso a qualquer tipo de informação, pois é necessário qualidade, relevância e veracidade nos mais diferentes contextos, de forma que sejam evitadas desinformações e notícias falsas nas bolhas informacionais em que somos inseridos (ZATTAR, 2017).

Percebe-se que temas como acesso à informação, oferta de bibliotecas escolares e públicas, e competência informacional são as armas que a Biblioteconomia e a Ciência da Informação têm para lidar com o fenômeno da desinformação e das fake news.

4 Metodologia

Durante o processo de desenvolvimento do trabalho, a revisão de literatura foi a opção escolhida por ajudar a entender o conhecimento que buscamos nesse momento, através da pesquisa. Santaella (2001) afirma que a ciência é o questionamento inesgotável de uma realidade também tida como inesgotável, e conhecer é deter informação ou saber a respeito de algo. É preciso que se explore mais a área, pois até o momento possui-se pouco conhecimento acumulado.

Aliada a esse processo, está a bibliometria, ferramenta de organização, gestão e difusão da informação e do conhecimento científico e tecnológico (GUEDES, 2012). Pao (1989) afirma que o termo bibliometria é usado para “denotar a área de assunto, que utiliza métodos matemáticos e estatísticos, com o objetivo de analisar os processos de comunicação escrita.”

Para tanto, foram realizados levantamentos em algumas bases de dados da área da Ciência da Informação que possuem publicações acerca do assunto. É uma parte importante para o estudo, pois teremos um panorama de como o tema está sendo tratado na área.

Foram pesquisadas inicialmente as bases de dados Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), BRAPCI, SCIELO, e o Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF), sendo realizadas pesquisas entre setembro e outubro de 2019. O termo de busca utilizado foi fake news, tanto na busca geral como na busca avançada, sendo, quando fosse o caso, filtrado pela área da Ciência da Informação, data de publicação, tipo de documento. Os textos recuperados tiveram seus resumos lidos para confirmar se tratavam do tema.

Num segundo momento, os trabalhos foram divididos de modo a identificar a abordagem dada ao tema fake news: se apenas citavam a expressão sem entrar em detalhes, se a definiam, ou se mostravam o papel do bibliotecário e das bibliotecas no seu combate, ou ainda, se indicavam formas de combate mas sem relacionar com a Biblioteconomia.

Como um último passo, foi realizada a análise específica sobre os resultados encontrados, e o que nos revelam acerca deste tema.

5 Resultados e discussões

Ao todo, foram recuperados 45 trabalhos que tratam do tema fake news. Os resultados encontrados foram observados conforme os indicadores: ano, base de dados, fonte (periódicos, eventos e instituições), tipo de documento, palavras-chave e área do conhecimento.

No ano de 2017 foram apresentados três trabalhos. Contudo, em 2018, o número salta para 22 publicações e em 2019, somam-se 18 até o mês de outubro, o que demonstra um crescente interesse pela temática.

Com relação às bases de dados, BRAPCI foi a que retornou mais resultados (28 trabalhos), seguida por SCIELO, com 15 publicações. Destaca-se que uma dessas publicações também estava presente na BRAPCI. O RIUFF apresentou dois resultados e a BDTD apenas um. No entanto, dado o recorte de tempo em que teses (quatro anos) e dissertações (2 anos) são desenvolvidas, teses que provavelmente venham tratar do tema ainda não foram concluídas, justificando o quadro da BDTD e do RIUFF.

O artigo científico foi o meio preferido para publicar, com 26 ocorrências, seguido de comunicação oral com sete trabalhos, três artigos de revisão, duas dissertações, e dois relatos de pesquisa. Os seguintes tipos apresentaram uma ocorrência cada: apresentação, editorial, monografia, pôster, e relato de experiência. Observamos que essa classificação veio das próprias bases de dados consultadas.

Ao analisarmos os títulos dos periódicos, os eventos e as instituições (estas nos casos de teses e dissertações e trabalhos de conclusão de curso) onde foram publicados os trabalhos, encontramos com maior ocorrência o ENANCIB, com oito publicações, a revista Mútiplos Olhares em Ciência da Informação, com seis trabalhos, e com duas ocorrências cada temos as revistas Bibliotecas-Anales de Investigación; Liinc em Revista; Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação; Media & Jornalismo; assim como a UFF, com uma monografia e uma dissertação. Publicaram apenas um trabalho o convênio IBICT/UFRJ (dissertação) e as seguintes revistas: (OBS*) Observatorio; Logeion: Filosofia da Informação; Galáxia; Ágora; P2P & Inovação; História; Anais da Academia Brasileira de Ciências; Perspectivas em Ciência da Informação; Revista Mexicana de Sociología; Biblionline; Ciência da Informação; Páginas de Educación; Ciência da Informação em Revista; Revista Conhecimento em Ação; Universitas Philosophica; Cuadernos.info; CS; Tempo Social; Revista de Comunicación; e Tydskrif vir Geesteswetenskappe. São, portanto, três tipos de comunicação científica: Periódicos Científicos (24 revistas com 34 artigos), trabalhos de Eventos (um evento com oito trabalhos), uma Monografia, uma Tese e uma Dissertação.

Nosso levantamento trouxe ainda documentos relacionados a nove áreas de conhecimento: Ciência da Informação (30 trabalhos), Comunicação (sete trabalhos), Ciências Sociais (dois trabalhos) e, com um trabalho cada, Computação, Educação, Engenharia, Filosofia, Serviço Social, e Sociologia.

Podemos perceber que a área da Ciência da Informação foi aquela que mais pesquisou sobre as fake news. De certa forma, apesar de expressivo, com o recorte temporal, ainda é pouco o que se pesquisa e publica na área que lida e trata a informação. É interessante notar a área da Comunicação com uma tímida publicação nas bases selecionadas. De todo modo, é possível ver a dimensão multidisciplinar do tema.

Quanto às temáticas abordadas, as 45 publicações recuperadas apresentaram 227 palavras-chave, sendo que um texto não as continha. Sem repetições, passamos a 145. Essas palavras-chave, por terem as mais variadas fontes e línguas, apresentam algumas repetições, pois algumas delas são traduções em espanhol ou em inglês de expressões em português (ou vice e versa). Houve ainda casos de expressões que apareciam ora no singular ora no plural. Quando agrupadas, temos 129 expressões.

Dez palavras-chave ocorreram pelo menos três vezes (Gráfico 1). Como a pesquisa se apoia principalmente em fake news, essa foi a expressão mais usada durante o levantamento. Porém, as quatro palavras-chave com maior ocorrência — Fake News, Desinformação, Pós-verdade, e Competência em Informação) — são aquelas que mais se relacionam, e é muito comum encontrarmos ora uma associada a outra, ou duas, até mesmo as quatro, dentro de um mesmo trabalho, pois elas estão associadas.

As palavras-chave que ocorreram duas vezes foram: Eleições Presidenciais; Jornalismo; Política; Propaganda; Rede Social Online; Rumor; Disseminação da Informação; Erebd; Ética da Informação; Fonte de Informação; Informação; Populismo; Redes Sociais; Sociedade da Informação; Tecnologia; e Verdad.

Uma imagem contendo captura de tela

Descrição gerada automaticamente

Outras 103 palavras-chave apareceram apenas uma vez, o que aponta para a interdisciplinaridade do tema.

Embora o fenômeno fake news não seja considerado recente, a preocupação, a nível mundial, ocorre após as eleições presidenciais americanas de 2016, momento em que os termos fake news e pós-verdade foram muito usados.

Porém, mesmo com o crescente interesse sobre o tema, parece que a Ciência da Informação ainda precisa aprofundar mais o assunto, tendo em vista que muitas outras áreas (Comunicação, Direito) parecem estar muito interessadas no assunto. Mesmo dando preferência às bases de dados mais voltadas para a área, a produção ainda é bem discreta.

6 Considerações finais

Neste momento, não é possível dizer que esse tema chegou ao fim, pelo contrário, ele só cresce, e será passível de análises em um próximo momento. Porém, algumas considerações precisam ser feitas.

Em primeiro lugar, por não termos uma literatura definida sobre o assunto, e poucas discussões em congressos da área da Ciência da Informação, não é tão fácil encontrar material com alto grau de confiabilidade.

Para elaboração dessa pesquisa, foi preciso buscar os dados em bases de dados certificadas, mas em muitos momentos foram os jornais eletrônicos (Nexo, Washington Post, O Estado de São Paulo), bem como revistas científicas, que ajudaram a validar as informações encontradas.

As instituições da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, como a IFLA, por exemplo, se preocupam com o problema, mas ainda não firmaram oficialmente um compromisso em ajudar a diminuir a disseminação dessas notícias. No ano de 2018, foi lançado um manual de como detectar se uma notícia é falsa ou não, em 8 idiomas. Porém, nas suas novas diretrizes, firmadas no ano de 2019, ela não expressa nenhuma ação de combate contra essas notícias.

Alguns autores, como Suaiden (2018), apontam a desinformação como um dos fatores do crescimento dessas notícias. Aliado a isso, temos o fenômeno das redes sociais (Whatsapp, Facebook, Twitter, Instagram), e os planos de internet móveis (Tim, Vivo, Claro, Oi), disponíveis em smartphones, que permitem ao usuário ter acesso a notícias em qualquer lugar, a qualquer hora.

Uma análise recente aponta que as redes de telefonia móveis adotam o zero rating (não tarifação) para que os usuários tenham acesso às redes sociais de maneira ilimitada, sem consumir seu pacote de dados móveis. Essa modalidade funciona como um bônus apenas para a utilização dessas redes. Como exemplo, vemos que quando um usuário recebe uma notícia via Whatsapp, e não tem mais dados móveis, apenas o pacote de redes sociais, ele não consegue acessar e validar a notícia em um navegador. Por achar que a notícia é verdadeira, ele compartilha para a sua lista de contatos, e com isso, as fake news são divulgadas. Esse não é o principal fator, mas é visto como um impulsionador. O Whatsapp, por detectar uma divulgação de notícias em massa, limitou os usuários a compartilhar a um número reduzido de contatos por vez.

Outro fator relevante, e que foi tratado no estudo do Instituto IPSOS, aponta as bolhas como um dos fatores de compartilhamento dessas notícias. Isso está de acordo com o que foi falado sobre o compartilhamento de mensagens via Whatsapp, pois, dependendo de quem compartilhe os dados, o receptor confia tanto que não verifica a veracidade da notícia.

Temos exemplo disso em um dos indicadores adotados no estudo, no qual pessoas disseram que acreditam no compartilhador das mensagens e por isso não fazem a checagem delas.

É importante que os profissionais da informação, para fins deste estudo os bibliotecários, investiguem e discutam sobre o tema. Ao longo do levantamento de dados para análise, conforme apresentado no trabalho, foi possível perceber que cada vez mais os profissionais têm se preocupado.

Vale destacar que o tema tem sido discutido já na graduação, como visto em trabalhos apresentados por alunos em congressos estudantis, como o Encontro Regional de Estudantes de Biblioteconomia e Documentação da Região Sudeste, Centro-Oeste e Sul (EREBD SECOSUL) 2018, bem como a premiação do trabalho de conclusão de curso pela Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN) 2019, de Jaqueline Alves Ribeiro, com o tema: “Notícias falsas ou questionáveis compartilhadas em mídias sociais na era da pós-verdade: uma análise do uso da informação científica em postagens sobre vacinas no Facebook”, laureado na categoria nacional.

O tema está, portanto, em desenvolvimento e ainda há bastante o que se estudar.

Referências:

BARBOSA, M. (org.). Pós-verdade e fake news: reflexões sobre a guerra de narrativas. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

BBC News Brasil. Pesquisa inédita identifica grupos de família como principal vetor de notícias falsas no whatsapp. Portal R7, São Paulo, 20 abr. 2018. Disponível em: https://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/pesquisa-inedita-identifica-grupos-de-familia-como-principal-vetor-de-noticias-falsas-no-whatsapp-20042018. Acesso em: 3 ago. 2019.

BRASIL. LEI Nº 13.834, DE 4 DE JUNHO DE 2019 . Altera a Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral, para tipificar o crime de denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. BRASÍLIA: Palácio do Planalto, [2019]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13834.htm. Acesso em: 10 set. 2019.

CALVERT, P.J. Misinformation in the context of higher education. Asian Libraries, v. 8, n. 3, p. 83-91, 1999.

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Fonte: Dados da pesquisa

Gráfico 1 - Definição dos termos de arranjo.

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ISSN: 2525-7935

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