Art-_01_-_A_pesquisa_científica_e_seus_títulos

A pesquisa científica e seus títulos

Scientific research and its titles

Marcos de Souza

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9829-7249

Doutor em Gestão e Organização do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor do Departamento de Ciência e Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná, Brasil.

Email: marcosdesouza82@gmail.com

RESUMO: Em uma pesquisa científica, o título é o primeiro contato do leitor com o produto, seja ele uma tese, dissertação, monografia, artigo, resumo, livro, capítulo de livro, entre outros gêneros. O título de uma pesquisa deve possuir diferentes características. Dessa maneira, questiona-se: de que maneira os autores têm apresentado os títulos dos trabalhos científicos publicados nos anais do XXI Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (ENANCIB)? Com o intuito de responder a tal questionamento, o objetivo geral pretende analisar se os títulos dos trabalhos científicos, publicados nos anais do evento investigado, estão de acordo com as orientações da escrita científica. A pesquisa empírica foi realizada em três fases, a saber: a) organizar em etapas – pré-análise, seleção e preparação do material; construção do corpus; b) explorar o material – técnicas de codificação; classificação de categorias; c) tratamento dos resultados – operações estatísticas; síntese e inferências; interpretação e descrição. Entre os resultados, foram criadas duas categorias e nove subcategorias para realizar a classificação dos títulos, sendo elas: 1) título não específico; 2) título afirmativo; 3) título interrogativo; 4) título com fórmulas ou símbolos; 5) título com abreviações; 6) títulos sensacionalistas; 7) títulos com o uso de termos em demasia; 8) títulos contendo a metodologia; e 9) temas no lugar do título. O corpus analisado apresentou 67,3% ou 230 referências de um total de 342 dos títulos analisados como sendo de qualidade e 32,7% das pesquisas apresentam algum ou mais de um tipo de problema. Enquanto elemento fundamental de uma pesquisa científica, o título deve apresentar boas qualidades, como ser curto e específico, uma vez que sintetiza o conteúdo do tema e apresenta qual será a principal contribuição da pesquisa.

PALAVRAS-CHAVE: pesquisa científica; escrita científica; título.

ABSTRACT: In a scientific research, the title is the reader’s first contact with the product, be it a thesis, dissertation, monograph, article, abstract, book, book chapter, among other genres. The title of a research study must have different characteristics. Thus, the question is: how have the authors presented the titles of scientific papers published in the annals of the XXI Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (ENANCIB)? In order to answer this question, the general objective is to analyze whether the titles of scientific papers, published in the annals of the event investigated, are in accordance with the guidelines of scientific writing. The empirical research was carried out in three phases, namely: a) organizing in stages - pre-analysis, selection and preparation of the material; construction of the corpus; b) exploring the material - coding techniques; classification of categories; c) treatment of results - statistical operations; synthesis and inferences; interpretation and description. Among the results, two categories and nine subcategories were created to classify the titles: 1) non-specific title; 2) affirmative title; 3) interrogative title; 4) title with formulas or symbols; 5) title with abbreviations; 6) sensationalist titles; 7) titles with the use of too many terms; 8) titles containing the methodology; and 9) themes in place of the title. The analyzed corpus showed 67.3% or 230 references out of a total of 342 of the analyzed titles as being of quality, and 32.7% of the researches presented some or more than one type of problem. As a fundamental element of a scientific research, the title must present good qualities, such as being short and specific, since it synthesizes the content of the theme and presents what will be the main contribution of the research.

Keywords: scientific research; scientific writing; title.

1 Introdução

Espera-se que pesquisas científicas, após o seu encerramento e como consequência, sejam apresentadas à sociedade. Essa apresentação pode ocorrer por meio da escrita científica em publicações, como papers ou livros, ou oratória, como apresentações ou palestras. Independente da modalidade de apresentação, a linguagem deve ser técnica, e a comunicação, objetiva (AQUINO, 2010).

O título é um dos elementos que compõem diferentes modalidades de trabalhos científicos. Severino (2016) lista algumas das modalidades: trabalhos científicos e monografia – teses, dissertações, pesquisas rigorosas; trabalhos didáticos; trabalho de conclusão de curso; relatório de pesquisas de iniciação científica; resumos e resenhas; ensaios teóricos; relatórios técnicos de pesquisa; artigos científicos; resumos técnicos de trabalhos científicos.

Enquanto elemento que contempla diferentes modalidades de trabalhos científicos, o título possui diferentes características, como, por exemplo, corresponder de maneira adequada ao seu respectivo conteúdo e abordar aquilo que tem de novo para os cientistas da área. Uma das funções do título é permitir que o leitor julgue o conteúdo e a natureza da pesquisa. Mais que tudo, o título é essencial para que uma determinada pesquisa seja indexada e recuperada de maneira eficiente e, posteriormente, seja referenciada em pesquisas por outros autores. Partindo desse princípio, questiona-se: de que maneira os autores têm apresentado os títulos dos trabalhos científicos publicados nos anais do XXI Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (ENANCIB)?

Na tentativa de responder ao questionamento apresentado, parte-se da hipótese de que os títulos das pesquisas científicas publicadas nos anais do ENANCIB não estão em conformidade com as características descritas na literatura, podendo, assim, contribuir para o desinteresse do leitor em relação ao conteúdo, uma vez que o título, geralmente, é o primeiro elemento a ser lido.

A pesquisa tem como objetivo geral analisar se os títulos dos trabalhos científicos publicados nos anais do ENANCIB estão de acordo com as orientações da escrita científica. Diante disso, possui como objetivos específicos: a) identificar na literatura os principais problemas que contribuem para que o título de uma pesquisa científica apresente baixa qualidade; b) criar uma categorização de títulos de pesquisas científicas de acordo com as teorias encontradas na literatura; e c) classificar as categorias de títulos com os títulos das pesquisas científicas publicadas nos anais do XXI ENANCIB.

Esta pesquisa justifica-se, pois, com a existência de padrões na escrita científica, faz-se necessário contribuir para a comunidade científica no fator qualidade, visando a uma melhor recuperação da informação e, principalmente, para que as pesquisas sejam lidas e referenciadas. Já a relevância social deste estudo se dá, pois que a pesquisa científica, muitas vezes enquanto produto voltado para a sociedade, deve ser redigida a partir de uma escrita científica que possa ser lida e entendida por indivíduos que não fazem parte do meio acadêmico.

Para fundamentar o trabalho aqui proposto, a pesquisa está dividida em cinco seções: a introdução apresenta a contextualização e a problematização; o referencial teórico, as teorias que sustentam a investigação, destacando temas como a pesquisa e a linguagem científica, e os títulos, bem como suas características; a metodologia, que descreve as etapas da pesquisa, tanto qualitativa quanto quantitativa; os resultados e a discussão; e as considerações finais.

2 Referencial teórico

O referencial teórico deste estudo aborda os tópicos da pesquisa e da linguagem científica, seguida dos conceitos e das características de um título.

2.1 A Pesquisa e a linguagem científica

A pesquisa é a atividade básica da ciência e está relacionada à descoberta científica da realidade (MICHEL, 2015). Trata-se de um procedimento racional e sistemático que busca proporcionar respostas aos problemas propostos (GIL, 2010). Por meio de métodos de pensamentos reflexivos, apresenta tratamentos científicos que direcionam caminhos para conhecer a realidade ou verdades parciais (MARCONI; LAKATOS, 2003).

Faz-se necessária a pesquisa cientifica quando não se dispõe de informações suficientes ou quando as informações existentes estão em desordem para solucionar um determinado problema (GIL, 2010). A pesquisa, enquanto atividade que busca a verdade e a essência das coisas, é um processo contínuo, que não possui fim e é intrinsecamente processual (MICHEL, 2015).

Andrade (2003, p. 121) define pesquisa científica como “[...] um conjunto de procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para os problemas propostos mediante o emprego de métodos científicos” Já Michel (2015, p. 36) enfatiza que a pesquisa científica se trata de “[...] um fenômeno de busca de conhecimento constituído de aproximações sucessivas e nunca esgotado; ou seja, não é uma situação definitiva diante da qual já não haveria mais o que descobrir”.

A pesquisa, para ser científica, necessita ancorar em originalidade, critérios rígidos de coerência, análises consistentes e objetividade, fazendo uso de metodologia previamente determinada e aplicada. Para isso, deve-se seguir um caminho, um percurso, considerando planejamento, controle de objetos, divisão de etapas, atividades específicas, recursos a serem utilizados e cronograma (MICHEL, 2015).

A publicação de uma pesquisa científica possibilita o controle de qualidade de uma determinada área, bem como a preservação do conhecimento, e reconhece a prioridade ao autor. Trata-se de um processo contínuo de transações e mediações comunicativas (SILVA; MENEZES, 2005). Para isso, usa-se como meio de comunicação a linguagem científica. Ela é objetiva e não faz uso de termos subjetivos, nem prosa nem poesia (AQUINO, 2010).

O texto científico utiliza uma linguagem técnica e tem como finalidade a transmissão do conhecimento, devendo ser o mais didático possível e de caráter impessoal. Além disso, requer linguagem perfeita em relação às regras gramaticais, devendo evitar vocabulário popular, vulgar e pomposo (MARCONI; LAKATOS, 2003). Michel (2015) corrobora com Marconi e Lakatos (2003) ao destacar que a linguagem científica não é livre, não é pessoal, e deve seguir quesitos de apresentação, padronização, formatação e expressão.

Embora cada pessoa possua um estilo próprio de escrita científica, devem-se seguir algumas características no trabalho científico, como: clareza e objetividade; linguagem direta, precisa e acessível; frases curtas e concisas; e simplicidade, evitando-se textos prolixos, retóricos e confusos (MARCONI; LAKATOS, 2003).

A pesquisa científica, enquanto um conjunto de procedimentos sistemáticos baseados no raciocínio, faz uso de uma linguagem técnica cuja finalidade é a transmissão do conhecimento. Dentre os elementos que compõem os diferentes tipos de trabalhos acadêmicos, está o título. A seção 2.2 apresenta os conceitos e as características dos títulos de uma pesquisa no contexto acadêmico.

2.2 Títulos: Conceitos e características

Em uma pesquisa científica, o título é o primeiro contato do leitor com o produto, seja por meio de teses, dissertações, monografias, artigos, resumos, livros, capítulos de livros, entre outros gêneros. O título de uma pesquisa deve possuir diferentes características, como simplicidade e completitude, e ser curto (AQUINO, 2010). Além disso, pode ser acompanhado ou não por subtítulo e deve sintetizar o conteúdo da pesquisa, estabelecer o assunto e, por vezes, a intenção do autor (MARCONI; LAKATOS, 2003; SILVA; MENEZES, 2005). Quando aplicável o uso de subtítulos, devem ser diferenciados tipograficamente ou separados por dois pontos e na língua do texto (SILVA; MENEZES, 2005).

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas número 6023, título é definido como “Palavra, expressão ou frase que designa o assunto ou o conteúdo de um documento” e subtítulo se refere a “Informações apresentadas em seguida ao título, visando esclarecê-lo ou complementá-lo, de acordo com o conteúdo do documento” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2018, p. 4).

O papel do título é descrever o conteúdo de uma pesquisa científica de forma que possa cativar e gerar boas impressões aos leitores (AQUINO, 2010). O autor faz uma alusão entre os títulos de uma pesquisa científica e as manchetes de magazines, que, quanto melhores, aumentam a probabilidade de venda e de leitura do conteúdo.

O título é um elemento da pesquisa científica que merece atenção e precisa corresponder, de maneira adequada, ao seu respectivo conteúdo (MARCONI; LAKATOS, 2003, KAUARK; MANHÃES; MEDEIROS, 2010, VOLPATO, 2010). Não cabe, por exemplo, o uso de termos sensacionalistas. Para isso, o autor deve escolher bem as palavras utilizadas (AQUINO, 2010).

Como o título é considerado o primeiro elemento de contato entre o leitor e uma determinada pesquisa cientifica, ao ser rejeitado pelo leitor, o conteúdo não será lido. Por isso, o título não pode iludir ou enganar o leitor. Além de ressaltar o conteúdo de um trabalho, deve destacar os objetivos ou a conclusão da pesquisa. O autor deve abordar em um título aquilo que tem de novo para os cientistas da área (VOLPATO, 2010).

Nesse sentido, a finalidade do título é permitir que o leitor possa julgar a natureza geral e o conteúdo da pesquisa (SAVICKAS, 2009). Um título que apresente boas qualidades também irá subsidiar a introdução da pesquisa científica (KAUARK; MANHÃES; MEDEIROS, 2010). Os títulos com características de boa qualidade são aqueles curtos, específicos e que não possuem quaisquer espécies de fórmulas (VIEIRA, 2008). São considerados curtos os títulos que contemplam entre dez e 20 palavras (AQUINO, 2010). Dentre outras características para construir um título de boa qualidade, Vieira (2008) apresenta uma série de recomendações, conforme apresentado no Quadro 1:

CARACTERÍSTICAS

EXEMPLOS

Curto e específico

Título: Aids no Brasil

Nota: trata-se de um título curto, mas não é específico. Sobre qual aspecto da Aids o título está relacionado: preservação? Estatística? Aspectos Sociais? Dados estatísticos?

Longo, símbolos e fórmulas

Título: Aspectos estatísticos das funções de produção ajustadas aos ensaios fatoriais 3° de adubação NPK de milho

Nota: parece específico, mas é cansativo. Títulos não devem conter símbolos ou fórmulas de qualquer espécie, mesmo que sejam familiares. Nem todo leitor sabe ler NAP ou CaCO ou possui conhecimento para entender a fórmula da função de densidade da curva normal que um estatístico tem conhecimento.

Afirmativo e interrogativo

Título 1: Adubação nitrogenada é essencial para o milho.

Título 2: Que sabe você sobre prevenção de cáries?

Nota: são considerados títulos bons para a imprensa, mas não são aconselháveis para uma pesquisa científica.

Palavras em demasia

Título 1: Introdução ao estudo de...

Título 2: Algumas observações sobre...

Nota: o título é utilizado para referenciar a pesquisa e o uso palavras que não contribuem para a sua construção, o uso abusivo de termos inexistentes no dicionário, pretensões abusivas e preposições obscuras contribuem negativamente na recuperação da informação em sistemas de busca.

Silva (2010) corrobora com Vieira (2008) ao enfatizar que termos em demasia como “Um estudo de ...”, “Investigações sobre ...”, “Observações a cerca de ...” devem ser omitidos em um título de pesquisa científica. O título deve ser elaborado com o menor número de palavras possíveis e descrever de forma precisa seu conteúdo. Além disso, deve-se evitar o uso de ponto, vírgula, ponto de exclamação, aspas ou quaisquer elementos que interfiram no seu significado (SILVA, 2010).

Savickas (2009) destaca alguns dos erros comuns ao elaborar um título: títulos longos – assemelhando-se a um breve resumo; questões retóricas – sendo uma interrogação que não tem como objetivo obter uma resposta, mas uma reflexão do indivíduo; sentença completa; cômico. Além dessas características, o título de uma pesquisa não deve conter trechos que pertencem à seção de metodologia de uma pesquisa científica, apesar de ser um erro cometido com frequência em teses, dissertações e artigos científicos (AQUINO, 2010).

Enquanto projeto ou plano de trabalho de uma pesquisa cientifica, o título, bem como os demais elementos, pode sofrer modificações de nomenclaturas (KAUARK; MANHÃES; MEDEIROS, 2010). O título, ainda que provisório, deve representar o mais próximo possível o conteúdo temático do trabalho, podendo eventualmente ser metafórico caso faça uso do subtítulo (SEVERINO, 2016).

O título de uma pesquisa, acompanhado ou não de um subtítulo, difere-se do tema. Enquanto o título sintetiza o conteúdo, o tema perpassa por um processo de delimitação e especificação, buscando, assim, tornar viável a pesquisa (MARCONI; LAKATOS, 2003). Diferente do título, o tema ou assunto é a definição da área de conhecimento (MICHEL, 2015).

Para uma pesquisa cientifica ser lida, faz-se necessário elaborar um título com relevância e que represente a pesquisa científica, uma vez que o título se trata de uma etiqueta; quando bem definido e aplicado, permite maior visualização (VIEIRA, 2008). Além disso, o título é utilizado para indexação em bases de dados e, consequentemente, para a recuperação de documentos (KAUARK; MANHÃES; MEDEIROS, 2010).

Os serviços de indexação dependem especificamente do título. Caso um título de uma pesquisa cientifica seja definido de maneira inadequada, poderá encontrar dificuldades para atingir o seu público em questão, sendo necessário ser preciso e específico na sua escolha (SILVA, 2010).

A seção apresentou conceitos e características que norteiam a elaboração de títulos de pesquisas científicas com qualidades específicas da escrita científica. Portanto, serve como base para a criação de diferentes tipos de categorias embasadas nas teorias dos autores citados. A próxima seção apresenta a metodologia da pesquisa a fim de apontar os resultados e realizar as discussões.

3 Metodologia

Esta pesquisa se classifica como aplicada quanto à sua finalidade, quali-quantitativa quanto à abordagem do problema, exploratória do ponto de vista dos objetivos e bibliográfica quanto aos procedimentos técnicos (GIL, 2010). O referencial teórico foi elaborado a partir de livros sobre metodologia e projetos de pesquisa, e escrita acadêmica.

A pesquisa empírica foi realizada em três fases, a saber: 1) organizar em etapas – pré-análise, seleção e preparação do material; construção do corpus; 2) explorar o material – técnicas de codificação; classificação de categorias; 3) tratamento dos resultados – operações estatísticas; síntese e inferências; interpretação e descrição.

Foi realizada a coleta de dados dos artigos completos e resumos expandidos publicados nos anais do XXI ENANCIB. A limitação do corpus se apresenta pelos seguintes fatores: a) quantidade representativa de títulos para serem analisados; b) trabalhos com menos de um ano de publicação, ou seja, com temas atuais e; c) evitar discussões que não contribuem para a ciência, como atribuir a qualidade ou a falta da qualidade dos títulos dos trabalhos publicados nos anais do evento a gestões anteriores, uma vez que os coordenadores e coordenadores adjuntos dos GTs são eleitos para ciclos.

Os títulos foram organizados em 11 documentos, sendo um para cada Grupo de Trabalho (GT). Posteriormente, os documentos com os títulos foram importados e analisados qualitativamente por meio do software NVIVO.

As categorias para realizar a classificação dos títulos foram embasadas no referencial teórico. A classificação entre os títulos e as categorias são do tipo interpretativa (SEVERINO, 2016) e realizada entre 21 e 30 de março de 2022. Os resumos das pesquisas também foram consultados para realizar a classificação de maneira mais assertiva. Os dados quantitativos e qualitativos estão disponíveis no Figshare1.

4 Resultados e discussões

Os anais do XXI ENANCIB tiveram um total de 342 pesquisas publicadas, sendo: GT1, 19 trabalhos ou 5,6% do total das pesquisas; GT2, 38 (11,1%); GT3, 38 (11,1%); GT4, 49 (14,3%); GT5, 41 (12,0%); GT6, 33 (9,6%); GT7, 26 (7,6%); GT8, 43 (12,6%); GT9, 15 (4,4%); GT10, 25 (7,3%); e GT11, 15 (4,4%).

Aquino (2010) sugere que um título completo deve apresentar entre dez e 20 palavras. Considerando os aspectos quantitativos entre os títulos analisados, 230 (67%) dos títulos atendem a essa característica, 91 (27%) possuem menos de 10 palavras e 21 (6%) possuem mais de 20 palavras por título.

Os títulos das pesquisas publicadas nos anais do XXI ENANCIB totalizam 1289 palavras diferentes quando não realizado o tratamento de stop words2 (em português, palavras de parada). Os termos mais frequentes são: “de”, com 329 repetições; “da”, com 256; “informação”, com 130; “em”, com 91; e “na”, com 70. Já quando aplicado o tratamento com as palavras de parada, os termos mais frequentes foram: “informação”, com 130 repetições; “análise”, com 40; “ciência”, com 40; “conhecimento”, com 26; e “gestão”, com 24.

A contagem e a análise das palavras são fundamentais para identificar, por exemplo, quais são as palavras apresentadas em demasia que podem interferir na qualidade do título de uma pesquisa. Um dos problemas ao utilizar o software NVIVO para identificar os termos mais frequentes está na impossibilidade de trabalhar com bigramas ou trigramas, excluindo as palavras de parada, como por exemplo: “Ciência da Informação” e “Gestão e Organização do Conhecimento”. O NVIVO trabalha somente com unigramas, ou seja, termos podem ser contabilizados fora de contexto.

O fator qualitativo é essencial para a análise e verificação da qualidade dos títulos de uma pesquisa, uma vez que podem existir títulos com poucas palavras e que descrevem, de maneira adequada, o conteúdo da pesquisa, bem como os títulos longos, que não fazem uso de termos em demasia e ressaltam o conteúdo da pesquisa, destacando, por exemplo, os objetivos ou a conclusão da pesquisa, além de poder subsidiar a introdução.

A elaboração das categorias e subcategorias dos títulos de uma pesquisa foi realizada com base no referencial teórico. As subcategorias que não fazem parte de um título de uma pesquisa científica são: 1) título não específico, seja curto ou longo – podendo iludir ou enganar o leitor (VIEIRA, 2008); 2) título afirmativo (VIEIRA, 2008); 3) título interrogativo (VIEIRA, 2008); 4) título contendo fórmulas ou símbolos (VIEIRA, 2008); 5) título fazendo uso de abreviações (VIEIRA, 2008); 6) títulos sensacionalistas, cômicos (SAVICKAS, 2009; AQUINO, 2010); 7) títulos com o uso de termos em demasia, como palavras que não existem no dicionário, contendo pretensões abusivas e preposições obscuras (VIEIRA, 2008; SILVA, 2010); 8) títulos contendo trechos da seção de metodologia (AQUINO, 2010); e 9) temas no lugar do título (MARCONI; LAKATOS, 2003).

Já os títulos que possuem características científicas não estão divididos em subcategorias, uma vez que um dos objetivos desta pesquisa é identificar os problemas encontrados na elaboração dos títulos. Dessa maneira, algumas das qualidades de um título foram consideradas, a saber: simplicidade, completitude e, via de regra, serem curtos e específicos; quando aplicável o subtítulo, deve-se sintetizar o conteúdo; destacar os objetivos ou a conclusão da pesquisa; e subsidiar a introdução da pesquisa científica.

4.1 Títulos não específicos

Para os títulos não específicos, independentemente de serem curtos, com menos de dez palavras, ou longos, com mais de 20 palavras, foram referenciados 22 vezes (6,4%) em oito GTs, sendo eles: GT1; GT2; GT3; GT4; GT5; GT7; GT8; e GT9.

Um exemplo de título não específico é “JESSE SHERA E MORTIMER TAUBE: VISÕES DIFERENTES DE UMA MESMA ÉPOCA”, que contém 11 palavras e apresenta lacunas sobre o assunto do texto, quais tipos de visões são e qual é a época que se passa, podendo estar subentendido, caso – ou somente se – o leitor tenha conhecimento de quem são ou foram JESSE SHERA e MORTIMER TAUBE.

Além disso, o leitor pode identificar que se trata de dois autores de uma determinada área, como também pode considerar que sejam personagens de uma história. As interpretações sobre o termo “VISÕES” podem ocorrer em diferentes contextos, bem como o termo “ÉPOCA”, ambos fora de contexto e apresentados de maneira genérica.

Para um melhor entendimento, o leitor deve realizar a leitura do resumo da pesquisa científica a fim de identificar que o texto aborda assuntos sobre a Biblioteconomia e avanços científicos e tecnológicos que culminariam na criação da área da Ciência da Informação. As orientações de Vieira (2008) com relação aos títulos não específicos são justamente para não iludir ou enganar o leitor, independentemente de ser um título longo ou curto.

4.2 Títulos afirmativos

Para os títulos afirmativos, foram identificadas seis referências (1,8%) em seis GTs: GT1; GT3; GT4; GT5; GT6; e GT10. São exemplos de títulos afirmativos: “PRECISAMOS SUPERAR O ‘INFORMATION AS THING’: UMA ANÁLISE DAS CITAÇÕES DE BUCKLAND, DAY, FROHMANN E LUND NOS [...]”; “GESTÃO DE RISCOS NAS UNIDADES INFORMACIONAIS: PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO”; “COMO COMBATER A DESINFORMAÇÃO A PARTIR DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA”. De acordo com Vieira (2008), os títulos afirmativos são bons para outros meios de comunicação, como, por exemplo, para textos jornalísticos, e não para textos científicos.

Também foram identificados títulos nesta categoria que possuem mais de uma categoria. Para exemplificar, tem-se: “CÂMERA DESLIGADA: O NOVO REGIME DE INFORMAÇÃO NO ENSINO REMOTO”, que apresenta uma linguagem de títulos sensacionalistas e cômicos, e o título “CAPITAL MATA: A FARSA INFORMACIONAL DOS CARTÓRIOS EM TERRAS DO SEM FIM DE JORGE AMADO”, classificado na categoria de títulos não específicos. Nos dois casos, os títulos podem confundir o leitor em relação ao conteúdo do texto, levando-o a realizar a leitura do resumo para um melhor entendimento do conteúdo.

4.3 Títulos interrrogativos

A categoria de títulos interrogativos foi referenciada seis vezes (1,8%) em cinco GTs: GT2; GT3; GT5; GT6; e GT10. São alguns exemplos de títulos interrogativos: “UM CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DAS EXPRESSÕES POPULARES? ITINERÁRIOS DE FABRICAÇÃO DA MEMÓRIA [...]”; “REGULAMENTAÇÃO DO STREAMING: POSSÍVEL DEMOCRATIZAÇÃO MIDIÁTICA?”; e “LITERATURA ERÓTICA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: HÁ SILENCIAMENTO?”.

Também foram encontrados títulos interrogativos que se encaixam em outras categorias, como “POLITICAMENTE CORRETO OU ERRONEAMENTE POLIDO?”. Esse título não apresenta quaisquer indicativos sobre de que se trata o assunto do texto. Por isso, foi classificado como um título não específico. É importante ressaltar que, conforme Vieira (2008), os títulos afirmativos e interrogativos, embora possam parecer bons, não são utilizados na linguagem científica, tanto que as categorias totalizam 3,5% do total de títulos analisados.

4.4 Títulos com fórmulas ou símbolos

Para os títulos com fórmulas ou símbolos, foram encontradas duas referências ou 0,6% do total de pesquisas publicadas, sendo um título no GT3 e outro no GT4. Embora os títulos “CRIAÇÃO E COMPARTILHAMENTO DO CONHECIMENTO: O YOUTUBE® COMO UM Ba” e “@INSTAGRAM CIENTÍFICO?: PRÁTICAS INFORMACIONAIS A PARTIR DA ANÁLISE DOS STORIES” apresentem símbolos conhecidos como “®” para marcas registradas e “@” indicando a localização de um endereço eletrônico, problemas maiores constituem os títulos e podem dificultar a interpretação do leitor.

No primeiro caso, existe um conceito específico por trás do termo “Ba”, não sustentado no resumo da pesquisa, tampouco aparece em outras ocorrências nos anais do XXI ENANCIB. Caso o leitor não tenha conhecimento sobre o significado do termo “Ba”, poderá perder o interesse pela leitura. No segundo caso, além do símbolo “@”, universalmente conhecido, o título está no formato de pergunta, conforme discutido no tópico 4.3 deste artigo.

4.5 Títulos com abreviações

Os títulos com abreviações foram referenciados 46 vezes e apareceram em todos os GTs do XXI ENANCIB. As abreviações que aparecem com maior frequência são os das universidades/institutos/fundação, com 12 (26,1%) referências da categoria, como, por exemplo, “AVALIAÇÃO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO PELOS ESTUDANTES DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA NA MODALIDADE A DISTÂNCIA DA UFBA”, com 17 palavras. Mesmo que o nome da universidade fosse utilizado por extenso, não ultrapassaria as 20 palavras, conforme sugerido por Aquino (2010). Além disso, não geraria dúvidas ao leitor sobre qual local a pesquisa foi realizada.

Abreviações de Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação, Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação e Grupos de Trabalhos representam nove (19,6%) dos títulos das pesquisas da categoria em questão. Para leitores da área, essas abreviações podem parecer óbvias, mas, para a sociedade em geral, pode gerar o desinteresse pela leitura do conteúdo.

Outro problema de grandeza maior, por se tratar de conhecimentos específicos, está nos títulos com abreviações de conceitos, termos ou acrônicos, sendo referenciados 21 vezes (45,7%) do total da categoria. São exemplos: “[...] INSTRUMENTOS MUSICAIS NO MVIM” – Museu Virtual de Instrumentos Musicais (MVIM); “[...] CIÊNCIA DE DADOS EM CRIS INSTITUCIONAL: MODELO CONCEITUAL” – Current Research Information System (CRIS); “[...] MODELOS DE ACEITAÇÃO TAM e UTAUT” – Modelo de Aceitação da Tecnologia (TAM), Teoria Unificada de Aceitação e Uso da Tecnologia (UTAUT); “DISSONÂNCIAS ENTRE O PNLL E O ODS [...]” – Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

4.6 Títulos sensacionalistas ou cômicos

Os títulos que representam a categoria sensacionalistas ou cômicos apareceram quatro vezes (1,2%) do total de trabalhos publicados. Estão presentes em três grupos: GT1; GT5; e GT6. Para exemplificar, tem-se o título: “AS TRANÇAS RESISTEM: FEMINISMO NEGRO E EPISTEMOLOGIA SOCIAL A PARTIR DE TRAJETÓRIAS DE VIDA DE PESQUISADORAS NEGRAS EM BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO”. Nesse exemplo, o título, de maneira lúdica, apresenta características culturais e não científicas. Já o subtítulo da pesquisa utiliza uma linguagem simples e específica. Dessa forma, representa, de maneira clara e objetiva, o assunto da pesquisa.

Características similares são apresentadas nos títulos “O ‘EFEITO TRUMP’ E OS DESAFIOS DAS POLÍTICAS [...]” e “DIGA ‘XIS’: EFEITOS SOCIAIS DOS ALGORITMOS [...]. Ambos enfatizam termos sensacionalistas que não fazem parte da linguagem científica, conforme defende Aquino (2010). Importa ressaltar que os títulos desta categoria não se encaixam em títulos com metáforas seguidos de subtítulos que descrevem o conteúdo, conforme apontado por Severino (2016). Além disso, tais títulos podem se encaixar na categoria de títulos não específicos e com uso de termos em demasia.

4.7 Títulos com o uso de termos em demasia

Trata-se da subcategoria mais abrangente, pois contempla palavras que não existem no dicionário, pretensões abusivas e preposições obscuras. Os títulos desta categoria foram referenciados 30 vezes (8,8%) do total de trabalhos publicados. Estão presentes em todos os GTs que constituem os anais do XXI ENANCIB.

Dentre alguns exemplos, estão: “ALGUMAS EXPLANAÇÕES INICIAIS SOBRE MEMÓRIA [...]”; “[...] DITADURA MILITAR NO BRASIL: UM OLHAR PELO CAMPO DA HISTÓRIA”; “[...] saúde: reflexões acerca de uma atuação com mais responsabilidade social”; “[...] UMA IMPORTANTE ESTRATÉGIA DE MEDIAÇÃO ARQUIVO-USUÁRIO”; “REFLEXÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA CRÍTICA E DO LETRAMENTO”; “PENSANDO RECURSOS VISUAIS PARA A DEMOCRATIZAÇÃO [...]”.

Os títulos apresentados, além de não serem específicos, apresentam termos em excesso, o que pode dificultar o entendimento do leitor. Além disso, acabam aumentando o tamanho do título, tornando a leitura cansativa. Em um primeiro instante, o leitor pode se perguntar: “Por que algumas explanações e não todas as explanações ou as explanações X, Y e Z? O que significa olhares pelo campo da história? O que é a luz e a sombra de fulano de tal ou alguma área de conhecimento? Por que reflexões? Por que uma importante estratégia é melhor do que identificar uma estratégia?”.

Para evitar esse tipo de questionamento por parte leitor, antes mesmo de iniciar a leitura do material científico, o pesquisador deve optar por não usar termos em demasia, conforme apontado por Vieira (2008) e Silva (2010), além de utilizar termos específicos para a construção do título.

4.8 Títulos com trechos da seção de metodologia

Os títulos com trechos da seção de metodologia foram referenciados 13 vezes (3,8%) do total de trabalhos publicados e estão presentes em cinco grupos: GT2; GT4; GT6; GT8; e GT11. Exemplos de títulos desta categoria: “[...] AVALIAÇÃO COM O SOFTWARE WAVE E TESTES COM ALUNOS CEGOS”; “[...] WEB SEMÂNTICA: UMA REVISÃO DA LITERATURA”; “[...] SEMI-AUTOMÁTICA DE METADADOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA”; “[...] INFORMACIONAL DURANTE A PANDEMIA COVID-19: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.

Embora os títulos classificados nesta categoria não apresentem o passo a passo de suas respectivas metodologias, remetem termos utilizados na classificação de pesquisa abordada por Gil (2010) e que fazem parte da seção de metodologia da pesquisa cientifica, como revisão de literatura, revisão sistemática e revisão bibliográfica, indo de encontro às características apresentadas por Aquino (2010) sobre títulos com trechos da seção de metodologia.

4.9 Temas no lugar do título

Já os temas no lugar do título resultaram em uma única referência (0,3%) do total de pesquisas publicadas. Está presente no GT6: “COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E INCLUSÃO DIGITAL”. O estudo busca analisar as proposições teóricas e empíricas relacionais entre a Competência em Informação e Inclusão Digital no contexto dos Pontos de Cultura da Cidade de Maceió no Estado de Alagoas. Analisado em um contexto de significados de termos, “competência em informação e inclusão digital” abrange um leque maior em relação à proposta da pesquisa.

Por fim, é possível considerar regras como limitações de caracteres na elaboração de um título de pesquisa, geralmente, estabelecidas em normas para submissão de manuscrito em periódicos ou eventos científicos. Um exemplo está nas diretrizes estabelecidas no XXI ENANCIB e que se repete na XXII edição, limitando os títulos a 70 caracteres, incluindo espaços.

A limitação de caracteres, dependendo do tamanho, pode contribuir para que um título seja simples e objetivo, porém não específico. O fato é que a limitação de caracteres pode desencadear uma série de problemas, como o uso de siglas nos títulos, também orientado pelo template do evento para não ser utilizado em títulos e resumos. Dos 342 títulos analisados na XXI edição do ENANCIB, 171 (50%) apresentam mais de 70 caracteres.

5 Considerações finais

Enquanto elemento fundamental de uma pesquisa científica, o título deve apresentar boas qualidades, uma vez que sintetiza o conteúdo do tema e apresenta qual será a principal contribuição da pesquisa. Além disso, é considerado o primeiro elemento de contato entre o leitor e uma pesquisa, podendo ser determinante para a leitura ou não do conteúdo.

Considerando o problema de pesquisa e de acordo com as categorias construídas a partir das características encontradas no referencial teórico, 67,3% ou 230 referências de um total de 342 dos títulos analisados exibem títulos de boa qualidade. Já 32,7% das pesquisas apresentam algum ou mais de um tipo de problema. Esse percentual poderia ser reduzido consideravelmente com pequenos ajustes, como não usar abreviações, termos em demasia, interrogações, afirmações e símbolos ou fórmulas.

A subcategoria de títulos com abreviações, considerada de baixa qualidade em um título, apresentou o maior número de referências, aparecendo em 46 títulos, seguido dos títulos com uso de termos em demasia, com 30 referências, e títulos não específicos, com 22 referências.

Entende-se que limitar o número de caracteres de um título está associado à padronização de layout dos anais do ENANCIB, entretanto, cabe refletir se a quantidade orientada nas diretrizes do evento pode interferir no fator qualidade de um título. As abreviações de conceitos, termos e acrônicos representam 45,7% da categoria de títulos com abreviações, sendo utilizados pelos autores, mesmo que de maneira errada, como alternativa para passar a mensagem sobre o que se trata o texto.

A hipótese da pesquisa foi confirmada parcialmente em números quantitativos, de acordo com as categorias e as classificações realizadas, entretanto, acredita-se que a aplicação de uma pesquisa com leitores sobre a percepção que eles têm sobre determinados títulos possa contribuir quantitativamente e qualitativamente para a concretude dos resultados.

Os objetivos da pesquisa foram atingidos, com destaque para a criação de duas categorias e nove subcategorias, bem como suas respectivas relações com os títulos das pesquisas cientificas. Uma das contribuições da pesquisa está em identificar problemas que possam contribuir para uma melhor qualidade na escrita científica, recuperação da informação e, principalmente, para que os textos sejam lidos e entendidos não só por membros da comunidade científica, mas também pela sociedade em geral.

Sugere-se para pesquisas futuras o aprofundamento das análises realizadas, como, por exemplo, a identificação se os principais problemas encontrados estão relacionados com coautores com pouca prática na escrita científica ou se os autores com experiência acadêmica necessitam de atualização com relação aos elementos da escrita científica.

Correlacionando a temática da escrita científica e a importância do ENANCIB para a comunidade acadêmica, além de visar ao fator da qualidade das pesquisas, sugere-se também uma análise dos demais elementos que constituem uma pesquisa científica, como, por exemplo: problema; hipótese; objetivos; justificativa; e metodologia.

Referências:

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MICHEL, M. H. Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais: um guia prático para acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.

SAVICKAS, M. L. Como redigir um relatório de pesquisa: Finalidades e problemas em artigos científicos. Revista Brasileira de Orientação Profissional, Campinas, v. 10, n. 1, p. 7-10, 2009. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/2030/203014934003.pdf. Acesso em: 15 mar. 2022.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 24. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2016.

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SILVA, E. L.; MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertações. 4. ed. Florianópolis: UFSC, 2005.

SOUZA, M. O comportamento de termos da Ciência da Informação por meio da modelagem de tópicos. 2020. 404 f. Tese (Doutorado em Gestão e Organização do Conhecimento) – Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, Belo Horizonte, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/34292. Acesso em: 1 maio 2022.

VIEIRA, S. Como escrever uma tese. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

VOLPATO, G. L. Dicas para redação científica. 3. ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

Fonte: (VIEIRA, 2008).

Quadro 1 - Características de títulos em pesquisa científicas.

1

Dados da pesquisa. Disponível em: https://doi.org/10.6084/m9.figshare.c.5922902.v1/. Acesso em: 30 mar. 2022.

2

Stop words – Técnica de processamento de linguagem natural que permite realizar a limpeza das palavras irrelevantes do corpus como “as”, “e”, “os”, “de”, “para”, “com”, “sem”, “foi”, “aquela” (SOUZA, 2020).

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