Mineração e reestruturação espacial em Moatize (Moçambique)

Frédéric Monié, Maria Daniele Carvalho

Resumo


O século XX e o início do século XXI foram caracterizados por uma intensificação da exploração dos recursos naturais devido ao aumento global da demanda em energia e insumos industriais. Na África austral, os megaprojetos de mineração são tradicionalmente apresentados por seus promotores como vetores de crescimento econômico, progresso tecnológico e reestruturação espacial. Em Moçambique, os investimentos de grande porte realizados na prospecção, extração e escoamento do carvão mineral das minas de Moatize (Província de Tete) são legitimados por essa retórica desenvolvimentista. Autoridades moçambicanas, instituições internacionais e grandes corporações construíram a representação de um país transformado em global player do mercado mundial dos recursos energéticos no contexto de forte expansão da demanda em hard-commodities da década de 2000. Desde 2014, um novo cenário marcado pela queda do preço das matérias primas, por guerras comerciais e pela pandemia de novo Coronavírus abre, no entanto, um período de incertezas para os regimes de acumulação extrativistas.

Palavras-chave


Mineração; Extrativismo, Reestruturação espacial, Tete, Moçambique

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