Recarga de Aquíferos em Região de Clima Semiárido: uma Análise Acoplada entre Variabilidade Pluviométrica e Características Pedológicas

André Walczuk, José Eloi Guimarães Campos, Júlio Henrichs de Azevedo

Abstract


O conhecimento acerca de um recurso é base para sua gestão e para o desenvolvimento sustentável. No âmbito da explotação da água subterrânea, a consideração de questões ligadas à quantidade e à qualidade são diretrizes básicas. Entretanto, a estimativa das reservas aquíferas é cercada de incertezas e extrapolações, uma vez que o contato direto com essas águas é apenas pontual. O estudo dos processos de recarga surge como ferramenta para o aperfeiçoamento de modelos conceituais e numéricos. A pesquisa aqui apresentada foi desenvolvida no município de Caetité (Bahia) e tem por objetivo principal compreender os impactos que os fatores pluviométricos em associação com variações físicas do solo imprimem nas taxas de recarga de um aquífero. O estudo apresenta relevância social e científica, pois situa-se em região de clima semiárido e investiga um aquífero do tipo fraturado. Os resultados indicam que o volume de chuva propriamente dito relaciona-se em até 35% com a recarga, enquanto que variações na espessura dos solos impactam em até 9% as taxas percebidas em poços de monitoramento; por sua vez, a profundidade da superfície potenciométrica condiciona até 22% da eficiência dos processos de recarga. A não significância estatística dos testes de correlação cruzada entre as variáveis consideradas evidencia que questões distributivas da chuva apresentam relevância para a manutenção hídrica subterrânea. Volumes similares de precipitação podem se traduzir em diferentes taxas de recarga. Meses com concentração de precipitação beneficiam regiões de solos espessos e, a depender do período do ano, as diferenças nas taxas de recarga variam entre 34% e 335%. Anos com baixos volumes de precipitação contribuem para a recarga em locais com rochas fraturadas aflorantes ou mesmo onde os solos são pouco espessos, especialmente se há boa distribuição dentro do período chuvoso, isto é, eventos não concentrados.

Keywords


Taxas de recarga; Distribuição temporal; Cobertura pedológica



DOI: https://doi.org/10.11137/2019_3_536_557

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