A vez de morrer: granizo e chuva no lugar total de Simone Campos

Milena Magalhães

Resumo


A partir do romance A vez de morrer, de Simone Campos, define-se uma reflexão sobre a difícil equação do “viver-junto” muito mais próxima da fantasia idiorrítmica aludida por Roland Barthes -- sem, no entanto, acatá-la por inteiro -- do que das concepções de Zygmunt Bauman, na tentativa de pensar quais são as perguntas que a literatura brasileira contemporânea tem feito às molduras discursivas que apontam para a constituição de comunidades cada vez mais afeitas às relações entre os iguais. Ao confrontar distintas comunidades, Campos permite dissertar sobre questões tão urgentes como a sexualidade e a religião em tempos de “concentração dos poderes capitalístico-midiáticos”, na expressão de Jacques Derrida.


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Referências


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DOI: https://doi.org/10.1590/1517-106x/2018202121136

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