Enlutados ou desmemoriados: crítica literária, democratização e o fim da Nova República
Resumo
O artigo revisita intervenções críticas de Silviano Santiago, Flora Süssekind e Davi Arrigucci Jr. acerca da transição da última ditadura para a redemocratização no Brasil, destacando modos de articulação entre crítica, cultura e luto. A partir desse enquadramento, propomos a hipótese de uma interdição da figuração do trauma ditatorial na literatura da década de 1970, em favor de uma política cultural desmemoriada, conforme caracterizada por Santiago. Por fim, busca-se ler o romance Agora agora, de Carlos Eduardo Pereira, como elaboração de um luto do bloco institucional e cultural erigido a partir dos anos 1980 e como contraponto ao otimismo que acompanhou a abertura política.
Palavras-chave: democratização; luto; crítica literária; Silviano Santiago; Flora Süssekind.
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