A água como arquivo do luto: maternidade, nação e contratemporalidade em A água é uma máquina do tempo, de Aline Motta
Resumo
Este artigo analisa A água é uma máquina do tempo (2022), de Aline Motta, como um livro-montagem que converte arquivo, fotografia e escrita em um dispositivo estético de reinscrição histórica. Partindo da hipótese de que na obra o luto funciona como método de acesso ao arquivo e às suas lacunas, investiga-se o modo como a narrativa produz uma contratemporalidade que desmonta as linearidades de uma genealogia nacional e evidencia violências que estruturam pertencimentos, filiações e apagamentos. Em diálogo com Achille Mbembe, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, o texto compreende o arquivo como campo de disputa, e a maternidade aparece, então, como um operador crítico para pensar a nação e suas formas de interromper vidas. Mobilizando ainda Saidiya Hartman e Leda Maria Martins, o artigo lê a obra como contra-arquivo que reabre, por imagens e palavras, aquilo que a história oficial brasileira tende a silenciar.
Palavras-chave: arquivo; luto; memória; Aline Motta; nação.
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