Morro como um país: a interdição do luto sob o signo da permanência da morte
Resumo
Este artigo analisa o monólogo Morro como um país (2013), da Kiwi Companhia de Teatro (hoje Coletivo Comum), como uma intervenção crítica no debate sobre memória, luto e permanência do autoritarismo no Brasil pós-ditadura. Partindo do diagnóstico de que o luto histórico permanece interditado em um contexto no qual a violência de Estado não foi interrompida, o texto sustenta a hipótese de que a peça elabora essa interdição por meio de operações formais específicas, centradas no princípio de montagem. Articulando documentos históricos, testemunhos, música e dispositivos cênicos heterogêneos, a dramaturgia rompe com a linearidade temporal e subverte a forma subjetivizante do monólogo, deslocando-a para o plano do coletivo. O interesse do artigo reside em compreender como essa montagem não apenas tematiza a ditadura, mas faz emergir, no próprio funcionamento estético da obra, a exposição reiterada da não superação do luto, concebida como problema histórico e político ainda ativo no presente.
Palavras-chave: teatro político; luto histórico; ditadura militar; princípio de montagem; teatro documentário.
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