Kant e a Refutação do Idealismo II

Guido Antonio de Almeida

Resumo


No presente artigo proponho uma leitura da Refutação do Idealismo baseada em duas considerações acerca das condições que devem ser satisfeitas para que o argumento kantiano possa se apresentar como uma refutação em sentido próprio, isto é, como um argumento irrecusável pelo defensor do idealismo. A primeira é que o argumento kantiano tem de tomar sua tese sobre a "existência de objetos no espaço fora de nós" no mesmo sentido em que a expressão é entendida pelo idealista. A segunda é que o argumento kantiano tem de se basear apenas na análise imanente da doutrina a ser refutada, sem nenhum empréstimo a teses doutrinais da filosofia kantiana. Baseando-me nessas considerações iniciais, procuro mostrar que o argumento kantiano escapa às objeções usuais e pode ser considerado como sendo pelo menos formalmente correto, de tal modo que, para recusá-lo, seria preciso mostrar ou bem que premissa inicial é falsa ou bem baseada em meras construções filosóficas. 


Abstract 

In the present paper I propose an interpretation of Kant's Refutation of Idealism based on two considerations regarding the conditions that must be met so that it can be accepted as a refutation in the proper sense, ie, as an argument that cannot be discarded by the idealist himself. The first one is that Kant's argument has to take its thesis about the "existence of objects in space outside us" in the same sense in which it is taken by the idealist. The second one is that Kant's argument must rest solely on the immanent analysis of the idealist doctrine, without recourse to any thesis belonging to Kant's own doctrine. On the basis of these initial considerations, I argue Kant's argument can be shown to escape the standard objections, and that it can rightfully demand to be accepted as being at least formally correct, so that it would be necessary to prove that its initial premise is either false or based on mere constructions in order to discard it.

 

Recebido em 07/2014

Aprovado em 08/2014


Palavras-chave


Kant; idealismo; Refutação do Idealismo; idealism; Refutation of Idealism

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