A noção de phainómenon em Sexto Empírico

Oswaldo Porchat Pereira

Resumo


Os filósofos estoicos, na antiguidade grega, assim como Hume e sua posterioridade filosófica moderna, opuseram ao ceticismo pirrônico a famosa objeção da inação e da inconsistência, segundo a qual seria impossível a um cético agir e permanecer vivo se permanecesse coerente com sua própria filosofia. E isso precisamente porque essa sua filosofia proíbe, de fato, ao cético ter crenças de qualquer espécie que seja. Essa objeção, repetida insistentemente durante quase dois milênios, continua sendo brandida contra os céticos nos meios filosóficos de nossos dias, inclusive entre importantes estudiosos do pirronismo antigo. Sexto Empírico conheceu obviamente a objeção e nos explica como os adversários a entendem. O propósito principal deste artigo é mostrar como Sexto responde à objeção, dissolvendo-a inteiramente. Ele afirma que a formulação da objeção se deve à total ignorância do ceticismo pirrônico por parte de seus adversários e, particularmente, à sua incompreensão da linguagem (lógos) cética. E ele nos mostra como e por que os adversários foram levados a uma tal concepção distorcida do lógos cético. Se esses pontos são estabelecidos -- e eu penso que eles podem ser claramente estabelecidos com base nos textos de Sexto Empírico -- eu ouso sustentar que uma nova interpretação do pirronismo de Sexto deles inexoravelmente resulta, em oposição frontal à interpretação tradicional. E a nova interpretação não é desumana como a tradicional.

 

Abstract

As much as Stoic philosophers, in Greek Ancient philosophy, also Hume and his modern philosophical posteriority, have opposed to Pyrrhonian Skepticism the famous objection of inaction and inconsistency, according to which it would be impossible for a Skeptic to act and to remain alive, if he were to remain coherent with his own philosophy. And so, precisely because this very philosophy as a matter of fact prohibits the Skeptic from having beliefs of any kind whatsoever. This objection has been insistently repeated during almost two millennia and keeps being used against the Skeptics in the philosophical circles of our days, not less by some of the more important scholars on Sextian pyrrhonism. Sextus Empiricus knew obviously the objection and explains to us how the adversaries understand it. The main purpose of this paper is to show how Sextus answers to the objection and dissolves it entirely. He affirms that the formulation of the objection is due to a total ignorance of the adversaries concerning the Pyrrhonian skepticism and, particularly, to their incomprehension of the skeptic language (lógos). And he indicates to us how and why the adversaries have been led to such a distorted conception of the skeptical lógos. If these points are established -- and I do think that they can be clearly established on the basis of Sextus Empiricus' texts -- I dare to claim that a new interpretation of Sextus' Pyrrhonism results inexorably from them, in frontal opposition to the traditional interpretation. And the new interpretation is not inhumane like the traditional one.

 


Recebido em 07/2014
Aprovado em 08/2014


Palavras-chave


pirronismo; objeção da inação; resposta de Sexto; o lógos cético; Pyrrhonism; the objection of inaction; Sextus's answer; the Skeptical lógos

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ISSN 1414-3003, Qualis A2

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