Kant e a ideia de uma história universal no contexto da Crítica da Razão Pura

Joel Thiago Klein

Resumo


É opinião corrente entre intérpretes de Kant que a história universal não se funda sobre uma teoria mecânica e constitutiva da natureza, mas sim sobre um uso regulativo das ideias da razão. O que ainda permanece em aberto é como e em que medida a capacidade reflexiva de julgar ou o uso regulativo das ideias na filosofia da história está relacionado com o uso teórico ou com o uso prático da razão. Este artigo defende que o ensaio Ideia de uma história universal com um propósito cosmopolita se legitima essencialmente a partir de um interesse prático ao invés de um interesse teórico da razão. Como resultado, a ideia de uma historia universal é válida e útil apenas para o campo do agir e não para o campo do conhecimento.

 

Abstract

It is a common opinion among Kantian scholars that universal history is not grounded in a constitutive and mechanical theory of nature but is based, instead, on the regulative use of the ideas of pure reason. What remains under debate is how and to what extent the reflective capacity to judge or the regulative use of ideas in the philosophy of history is related either to the theoretical or to the practical use of reason. This paper defends that Kant's essay Idea for a universal history with a cosmopolitan aim establishes its legitimacy essentially in that practical rather than a theoretical interest of reason. As a result, the idea of universal history is validated and useful merely in the field of action rather than in that of cognition.

Recebido em outubro de 2014
Aprovado em fevereiro de 2015


Palavras-chave


Kant; história universal; ideias regulativas; Crítica da razão pura; universal history;regulative ideas; Critique of pure reason

Texto completo:

PDF

Referências


GUYER, P. 2000. Kant on freedom, law, and happiness. Cambridge: University Press.

GUYER, P. 2009. Kant's teleological conception of philosophy and its development. In: Dietmar Heidemann (ed). Kant Yearbook 1/2009 (Berlin/New York: de Gruyter), pp. 57-97.

KANT, I. 1900ff. Gesammelte Schriften. Hrsg.: Bd. 1-22 Preussische Akademie der Wissenschaften, Bd. 23 Deutsche Akademie der Wissenschaften zu Berlin, ab Bd. 24 Akademie der Wissenschaften zu G¶ttingen, Berlin.

KANT, I. 2006. Antropologia de um ponto de vista pragmático. [Anth] Trad. Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras.

KANT, I. 2004. À paz perpétua. [ZeF] Trad. Artur Morão. In: KANT, I. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa: Edições 70.

KANT, I. 1980. Fundamentação da metafísica dos costumes. [GMS]. Trad. Paulo Quintela. In: Kant II (Coleção os pensadores). São Paulo: Abril Cultural.

KANT, I. 2004. Ideia de uma história universal com um propósito cosmopolita. [IaG] Trad. Artur Morão. In: KANT, I. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa: Edições 70.

KANT, I. 2009. Início conjectural da história humana. [MAM] Trad. Joel Thiago Klein. In: Ethic@, v.8, n.1, 157-168.

KANT, I. 2002. Crítica da faculdade do juízo. [KU] Trad.Valerio Rohden e António Marques. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

KANT, I. 2002. Crítica da razão prática. [KpV] Trad. Valerio Rohden. São Paulo: Martins Fontes.

KANT, I. 1980. Crítica da razão pura. [KrV]. Trad. da edição B de Valerio Rohden e Udo Baldur Moosburger. In: Kant I (Coleção os pensadores). São Paulo: Abril Cultural.

KANT, I. 1993. O conflito das faculdades. [SF] Trad. Artur Morão. Lisboa: Edições 70.

KANT, I. Reflexionen zur Anthropologie. [Refl] Bd. 15.

KANT, I. 2004. Sobre a expressão corrente: isso pode ser correto na teoria, mas nada vale na prática. [TP] Trad. Artur Morão. In: KANT, I. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa: Edições 70.

KANT, I. Vorlesungen über Moralphilosophie 1777/1778 Pillau. [V-Anth/Pillau] Bd. 25.

KAULBACH, F. 1975. Welchen Nutzen gibt Kant der Geschichtsphilosophie? In: Kant-Studien, v. 66, p. 65-84.

KLEIN, J. T. 2014. Sobre o significado e a legitimidade transcendental dos conceitos de precisão, interesse, esperança e crença na filosofia kantiana. In: Revista Veritas, v. 59, p. 143-173.

KLEIN, J. T. 2013. Die Weltgeschichte im Kontext der Kritik der Urteilskraft. In: Kant-Studien, v. 104, p. 188-212.

KLEIN, J. T. 2009. Os fundamentos teóricos e práticos da filosofia kantiana da história no ensaio Ideia de uma história universal com um propósito cosmopolita. In: Studia Kantiana, v. 9, p. 161-186.

KLEINGELD, P. 1995. Fortschritt und Vernunft: Zur Geschichtsphilosophie Kants. Würzburg: K¶nigshausen & Neumann.

KLEINGELD, P. 1998. Kant on the unity of theoretical and practical reason. In: The Rewiew of Metaphysics, v. 52, n. 2, 311-339.

KLEINGELD, P. 2001. Nature or providence? On the theoretical and practical importance of Kant's philosophy of history. In: American Catholic Philosophical Quarterly, v. LXXV, n.2, 201-219.

RAUSCHER, F. 2001. The nature of “wholly empirical” history. In. GERHARD, V. et.al. Kant und die Berliner Aufklärung. Akten des IX. Internationalen Kant-Kongress. Bd.4. Berlin/New York: Walter de Gruyter, 44-51.

YOVEL, Y. 1980. Kant and the philosophy of history. Princeton: University Press.

WOOD, A. W. 2005. Kant. Malden: Blackwell.




DOI: https://doi.org/10.35920/arf.2014.v18i1.47-81



Direitos autorais 2015 Analytica. Revista de Filosofia

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

ISSN 1414-3003, Qualis A2

Analytica. Revista de Filosofia é indexada pelo Philosopher's Index e pelo GeoDados.