Fenomenologia do Espírito como modelo filosófico. Uma apresentação de Como Nasce o Novo

Marcos Nobre

Resumo


Resumo
O artigo apresenta alguns dos elementos centrais do livro Como nasce o novo. Experiência e diagnóstico de tempo na Fenomenologia do espírito de Hegel, publicado em 2018 e composto de três partes, precedidas de uma breve introdução. No miolo do livro se encontra a tradução para o português do texto da Introdução à Fenomenologia do espírito, tendo ao lado o texto original em alemão. A terceira e última parte do livro, a mais extensa, analisa e comenta a Introdução. Essas segunda e terceira partes do livro vêm precedidas de uma Apresentação relativamente longa, cujo desenvolvimento em separado se impôs em razão da necessidade de procedimentos adicionais de justificação em relação a questões como a da posição do livro de 1807 no conjunto da obra de Hegel, de sua sistematicidade interna e de seu peculiar diagnóstico de tempo, assim como em relação a considerações indicativas e programáticas sobre possíveis conexões dessa interpretação com a Teoria Crítica. Tal olhar permite vislumbrar uma interpretação não metafísica de Hegel que pode evitar as violências exegéticas que costumam acompanhar um empreendimento dessa natureza. Nesse sentido, o livro propõe interpretar a Fenomenologia em termos de um modelo filosófico que subsiste por si mesmo, independentemente dos escritos anteriores e da obra posterior de Hegel. Tal caracterização se faz por meio do que o livro resume sob a expressão “condições intelectuais de produção”, o que implica não apenas reconstruir o diagnóstico de época e o diagnóstico de tempo de Hegel no momento da redação da Fenomenologia, mas igualmente o padrão de sistematicidade que adotou para redigi-lo.

Abstract
The article presents some of the central elements of the book Como nasce o novo. Experiência e diagnóstico de tempo na Fenomenologia do espírito de Hegel, published in 2018 and composed of three parts, preceded by a brief introduction. At the heart of the book is the translation into Portuguese of the text of the Introduction to the Phenomenology of Spirit, side-by-side with the original German text. The third and last part of the book, the most extensive, analyzes and comments the text of the Introduction. These second and third parts of the book are preceded by a relatively long Presentation, whose separate development was imposed by the need of
additional justification procedures in relation to issues such as the position of the 1807 book in Hegel’s work as a whole, its internal systematicity and diagnosis of time, and – although only through indicative and programmatic considerations – the relation to possible connections of the interpretation with Critical Theory. Such an interpretation aims at allowing a glimpse to a nonmetaphysical interpretation of Hegel that can avoid the exegetical violence that usually accompany an undertaking of this nature. In this sense, the book proposes to interpret the Phenomenology in terms of a philosophical model that subsists on its own, regardless of Hegel’s
earlier writings and later work. Such characterization is done by means of what the book summarizes under the expression “intellectual conditions of production”, which implies not only reconstructing the time diagnosis Hegel had at the moment in which he wrote the Phenomenology, but also the pattern of systematicity that he adopted to produce it.


Palavras-chave


Hegel, Fenomenologia do espírito, sistema, experiência, diagnóstico de tempo, Teoria Crítica

Texto completo:

PDF

Referências


ADORNO, T. 1986. Drei Studien zu Hegel. In: Gesammelte Schriften, vol. 5, Suhrkamp: Frankfurt/Main.

ARANTES, P. E. 1979. O partido da inteligência: notas sobre a ideologia alemã. Almanaque, n. 9, Brasiliense: São Paulo.

ARANTES, P. E. 1996. Ressentimento da dialética: dialética e experiência intelectual em Hegel (antigos estudos sobre o ABC da miséria alemã). São Paulo: Paz e Terra.

BERTRAM, G. 2017. Hegels “Phänomenologie des Geistes”. Ein systematischer Kommentar. Stuttgart: Philipp Reclam.

BOURGEOIS, B. 1992. Études hégéliennes. Raison et décision. Paris: Vrin.

BRANDOM, R. 1994. Making it Explicit. Cambridge: Cambridge University Press.

BRANDOM, R. 2019. A Spirit of Trust: A Reading of Hegel's Phenomenology. Harvard University Press, Cambridge. DOI: https://doi.org/10.4159/9780674239067

DURCHHARDT, H. 2015. Der Wiener Kongress. Die Neugestaltung Europas, 1814/15. Munique: Beck.

ESDAILE, C. 2007. Napoleon’s Wars. An International History, 1803-1815. Londres: Allen Lane/Penguin.

FALKE, G.-H. H. 1996. Begriffne Geschichte: das historische Substrat und die systematische Anordnung der Bewusstseinsgestalten in Hegels Phänomenologie des Geistes. Interpretation und Kommentar. Berlim: Lukas Verlag.

FORST, R. 2015. Normativität und Macht — Zur Analyse sozialer Rechtfertigungsordnungen. Suhrkamp: Berlim.

FÖRSTER, E. 2008. Entstehung und Aufbau der Phänomenologie des Geistes. In: VIEWEG, K.; WELSCH, W.orgs.). Hegels Phänomenologie des Geistes. Ein kooperativer Kommentar zu einem Schlüsselwerk der Moderne. Stuttgart: Friedrich Fromann.

FÖRSTER, E. E. 2012. Die 25 Jahre Philosophie. Eine systematische Rekonstruktion. Frankfurt/Main: Vittorio Klostermann.

FORSTER, M.N. 1998. Hegel’s Idea of a Phenomenology of Spirit. Chicago: The University of Chicago Press.

FULDA, H. F. 1973. Zur Logik der Phänomenologie. In: In: Fulda, H. F. e Henrich, D. (orgs.). Materialien zu Hegels Phänomenologie des Geistes. Frankfurt/Main: Suhrkamp.

FULDA, H. F. 2012. Hegels ‘Wissenschaft der Phänomenologie des Geistes’. Programm und Ausführung. In: Gerten, M. (org.). Hegel und die Phänomenologie des Geistes. Neue Perspektiven und Interpretationsansätze. Königshausen & Neumann: Würzburg/ DOI: https://doi.org/10.11588/heidok.00017236

FULDA, H.-H. 1965. Das Problem einer Einleitung in Hegels Wissenschaft der Logik, Frankfurt/Main: Vittorio Klostermann.

FULDA, H.-H. 2008a. Das erscheinende absolute Wissen. In: Vieweg, K. e Welsch, W. (orgs.), Hegels Phänomenologie des Geistes. Ein kooperativer Kommentar zu einem Schlüsselwerk der Moderne. Frankfurt/Main: Suhrkamp.

FULDA, H.-H. 2008b. Science of the ‘Phenomenology of the Spirit’: Hegel’s program and its implementation. In: Moyar, D. e Quante, M. (orgs.). Hegel’s Phenomenology of Spirit. A Critical Guide. Cambridge: Cambridge University Press. DOI: https://doi.org/10.1017/CBO9780511487286.003

GLOCKNER, H. 1968. Hegel. Stuttgart: Friedrich Fromann.

GRAESER, A. 1993. Hegel, Georg Wilhelm Friedrich: Einleitung zur Phänomenologie des Geistes. Kommentar. Stuttgart: Phillip Reclam.

HABERMAS, J. 2000. O Discurso Filosófico da Modernidade. Trad. de Luiz Sérgio Repa e Ródnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes.

HABERMAS, J. 2014. Trabalho e interação. In: Técnica e ciência como “ideologia”. Trad. Felipe Gonçalves Silva. São Paulo: Editora Unesp.

HAERING, T. 1934. Entstehungsgeschichte der Phänomenologie des Geistes. In: Wigersma, B. (ed.). Verhandlungen des dritten Hegelkongresses in Rom. Tübingen, pp. 118-138

HEGEL, 1954. Briefe von und an Hegel. Ed. J. Hoffmeister. Hamburgo: Felix Meiner.

HEGEL, 1987. Jenaer Systementwürfe II e Jenaer Systementwürfe III: Naturphilosophie und Philosophie des Geistes. Ed. Rolf-Peter Horstmann. Hamburgo: Felix Meiner.

HEGEL, 2006. Gesammelte Werke, vols. 10,1 e 10,2. Ed. Klaus Grotsch. Hamburgo: Felix Meiner.

HEGEL, G.W.F. 1964. Phänomenologie des Geistes In: Sämtliche Werke, vol. 2. Ed. H. Glockner. 4ª. Edição. Stuttgart: Friedrich Fromann.

HEGEL, G.W.F. 1979. Phänomenologie des Geistes. In: Werke. Auf der Grundlage der Werke von 1832-1845 neu edierte Ausgabe. vol. 3, Suhrkamp: Frankfurt.

HEGEL, G.W.F. 1980. Phänomenologie des Geistes. In: Gesammelte Werke. Ed. W. Bonsiepen e R. Heede. vol. 9. Hamburgo: Felix Meiner.

HEGEL, G.W.F. 2005. Fenomenologia do espírito. Trad. Paulo Meneses, com colaboração de Karl Heinz Efken e José Nogueira Machado. Ed. Vozes/Editora Universitária São Francisco, Petrópolis/Bragança Paulista.

HEIDEGGER, M. 1988. Hegels Phänomenologie des Geistes, In: Gesamtausgabe, vol. 32. Vittorio Klostermann: Frankfurt/Main.

HEIDEGGER, M. 1992. Hegels Begriff der Erfahrung. In: Holzwege. Vittorio Klostermann, Frankfurt/Main.

HEIDEGGER, M. 1993. Erläuterungen der ‘Einleitung’ zu Hegels ‘Phänomenologie des Geistes. In: Gesamtausgabe, vol. 68. Frankfurt/Main: Vittorio Klostermann.

HEINRICHS. J. 1974. Die Logik der ‘Phänomenologie des Geistes‘. Bonn: Bouvier.

HONNETH, A. 1994. Kampf um Anerkennung: zur moralischen Gramatik sozialer Konflikte. Frankfurt/Main: Suhrkamp.

HONNETH, A. 2001. Leiden an Unbestimmtheit. Eine Reaktualisierung der Hegelschen Rechtsphilosophie. Stuttgart: Phillip Reclam.

HONNETH, A. 2003. Luta por reconhecimento. A gramática moral dos conflitos sociais/ Trad. Luiz Repa. São Paulo: Editora 34.

HONNETH, A. 2007a. Pathologien der Vernunft. Geschichte und Gegenwart der Kritischen Theorie. Suhrkamp: Frankfurt

HONNETH, A. 2007b. Sofrimento de indeterminação. Uma reatualização da Filosofia do Direito de Hegel. Trad. Rúrion Melo. São Paulo: Singular.

HONNETH, A. 2011. Das Recht der Freiheit. Grundriss einer demokratischen Sittlichkeit. Berlim: Suhrkamp.

HÖSLE, V. 2008. Nach dem absoluten Wissen. Welche Erfahrungen des nachhegelschen Bewusstseins muss die Philosophie begreifen, bevor sie wieder absolutes Wissen einfordern kann? In: Vieweg, K. e Welsch W. (orgs.). Hegels Phänomenologie des Geistes. Ein kooperativer Kommentar zu einem Schlüsselwerk der Moderne. Frankfurt/Main: Suhrkamp.

KERVÉGAN, J.-F. 2000. L’Effectif et le Rationnel. Observations sur un topos hégélien et anti-hégélien. In: Dagognet, F. e Cosmo, P. (orgs.). Autour de Hegel. Hommage à Bernard Bourgeois. Paris : Vrin.

KERVÉGAN, J.-F. 2007. L’effectif et le rationnel. Hegel et l’esprit objectif. Paris: Vrin.

KERVÉGAN, J.-F. 2014. La Phénomenologie de l’esprit est-elle la fondation ultime du ‘système de la science’ hégélien? In Marmasse, G. e Schnell, A. (orgs.). Comment fonder la philosophie? L’idéalisme allemand et la question du principe premier. Paris: CNRS.

KESSELRING, T. 1984. Die Produktivität der Antinomie. Hegels Dialektik im Lichte der genetischen Erkenntnistheorie und der formalen Logik. Stuttgart: Friedrich Fromann.

LABARRIÈRE, P.-J. 1968. La Phénomenologie de l’esprit de Hegel. Introduction à une lecture. Paris: Aubier.

LENTZ, T. 2013. Le congrès de Vienne. Une refondation de l’Europe, 1814-1815. Perrin, Paris.

LUKÁCKS, G. 1988. Geschichte und Klassenbewusstsein. Studien über marxistische Dialektik. Darmstadt: Luchterhand.

LUKÁCKS, G. 2003. História e consciência de classe. Estudos sobre a dialética marxista. Trad. Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes.

LUMSDEN, S. 2008. “The Rise of the Non-Metaphysical Hegel”. Philosophy Compass, no. 3, volume 1. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1747-9991.2007.00115.x

MABILLE, B. 2004. Hegel, Heidegger et la Métaphysique. Recherches pour une constitution. Paris: Vrin.

MARCUSE, H. 1960. Reason and Revolution: Hegel and the Rise of Social Theory: Boston: Beacon.

MARCUSE, H. 1978. Razão e revolução: Hegel e o advento da teoria social. Trad. Marília Barroso. São Paulo: Paz e Terra.

MARX, K. 1883. Das Kapital, vol. 1. In: Marx-Engels Werke, vol. 23. Berlim: Dietz.

MCDOWELL, J. 1994. Mind and World. Cambridge: Harvard University Press. DOI: https://doi.org/10.4159/9780674417892

MICHELET. K. L. 1838. Geschichte der letzten Systeme der Philosophie in Deutschland von Kant bis Hegel. vol. ii, Berlim.

NEUHOUSER, F. 2000. Foundations of Hegel’s Social Theory. Actualizing Freedom. Cambridge: Harvard University Press.

NICOLIN, G. (org.) 1970. Hegel in Berichten seiner Zeitgenossen. Hamburgo: Felix Meiner.

NOBRE, M. 2013. Reconstrução em dois níveis. Um aspecto do modelo crítico de Axel Honneth”. in: Melo, R. (org.), A Teoria Crítica de Axel Honneth. Reconhecimento, liberdade e justiça. São Paulo : Saraiva.

NOBRE, M. 2017. La controverse sur le langage commun de la collaboration interdisciplinaire : le modèle durable de la Dialectique de la Raison. In: Genel, K. (ed.), La Dialectique de la Raison : sous bénéfice d’inventaire. Paris : Éditions de la Maison des Sciences de l’Homme.

PIGEARD, A. 2013. L’Allemagne de Napoléon. La Confédération du Rhin (1806-1813). Paris: Éditions de la Bisquine.

PINKARD. T. 2000. From the Phenomenology to the ‘System’: Hegel’s Logic”. In: Hegel: A Biography. Cambridge: Cambridge University Press.

PODETTI, A. 2007. Comentario a la Introducción a la Fenomenología del Espíritu. Buenos Aires: Biblos.

PÖGGELER, O. 1973. Die Komposition der Phänomenologie des Geistes. In: Fulda, H. F. e Henrich, D. (orgs.). Materialien zu Hegels Phänomenologie des Geistes. Frankfurt/Main: Suhrkamp.

POSTONE, M. 2003. Time, Labour, and Social Domination. A reinterpretation of Marx’s Critical Theory. Reimpressão com correções. Cambridge: Cambridge University Press

RAMEIL, U. 1990. Die Phänomenologie des Geistes in Hegels Nürnberger Propädeutik”. In: Eley, L. (org.), Hegels Theorie des subjektiven Geistes in der “Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaften im Grundrisse”. Stuttgart-Bad Canstatt : Frommann-Holzboog.

REDDING, P. 2007. Analytic Philosophy and the Return of Hegelian Thought. Cambridge: Cambridge University Press.

ROUSSET, B. (1977). Introduction et commentaires. In: Hegel, G.W.F. Le savoir absolu. Paris: Aubier.

RUSSON, J. 2011. The Project of Hegel’s Phenomenology of Spirit. In: Houlgate, S. e Baur, M. (orgs.), A Companion to Hegel. Oxford: Blackwell. DOI: https://doi.org/10.1002/9781444397161.ch2

SCHMITZ, H. 1957. Hegel als Denker der Individualität. Meisenheim/Glan: Anton Hain.

SELLARS, W. 1996. Empiricism and the Philosophy of Mind. Cambridge: Cambridge University Press.

Sellars, W. 1996. In: Empiricism and the Philosophy of Mind. Cambridge: Cambridge University Press.

SIEP, L. 1979. Annerkennung als Prinzip der Praktischen Philosophie: Untersuchungen zu Hegels Jenaer Philosophie des Geistes. Hamburgo: Meiner,.

SIEP, L. 2000. Der Weg der «Phänomenologie des Geistes». Ein einführender Kommentar zu Hegels «Differenzschrift» und zur «Phänomenologie des Geistes». Frankfurt/Main: Suhrkamp.

STERN, R. 1993. Introdução. In: G.W.F. Hegel: Critical Assessments, 5 vols., vol 3. Londres/New York: Routledge.

TERRA, R. 1986. Algumas questões sobre a filosofia da história em Kant. In: Kant, I. Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. Brasiliense: São Paulo.

TERRA, R. 1995. A política tensa. Ideia e realidade na filosofia da história de Kant. São Paulo: Iluminuras/ Fapesp.

TYLER, C. 2004. Hegel, war and the tragedy of imperialism. History of European Ideas, volume 30, n. 4. DOI: https://doi.org/10.1016/j.histeuroideas.2003.11.017

VICK, B.E. 2014. The Congress of Vienna: Power and Politics after Napoleon. Cambridge: Harvard University Press.

WILDT, A. 1982. Autonomie und Anerkennung: Hegels Moralitätskritik im Lichte seiner Fichte-Rezeption. Munique: Klett-Cotta.

WÜLFLING, W; BRUNS, K. e PARR, R. 1991. Historische Mythologie der Deutschen: 1798-1918. Munique: Wilhelm Fink Verlag.




DOI: https://doi.org/10.35920/arf.2019.v1i1.%25p



Direitos autorais 2021 Analytica - Revista de Filosofia

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Sem derivações 4.0 Internacional.

ISSN 1414-3003, Qualis A2

Analytica. Revista de Filosofia é indexada pelo Philosopher's Index e pelo GeoDados.