Conhecimento e prazer na estética de Kant

Pedro Costa Rego

Resumo


O argumento de que Kant se serve para distinguir de saída, na Crítica da Faculdade do Juízo, o juízo de gosto do juízo de conhecimento teórico é o de que este último não é acompanhado de modo necessário por um sentimento de prazer, ao contrário do primeiro, que tem num sentimento de prazer sua razão determinante. Mas uma certa passagem da Introdução definitiva da obra parece infirmar essa posição clara da terceira Crítica, a de que onde há conhecimento (stricto sensu) não há geração necessária de sentimento de prazer, e de que se há prazer, então não estamos diante de um juízo de conhecimento pura e simplesmente. O que Kant sugere aí é que, se não há, por um lado, prazer na subsunção de dados sob categorias do entendimento, por outro, existiria um certo prazer no processo judicativo pelo qual reconhecemos objetos segundo conceitos empíricosao subsumirmos indivíduos sob conceitos de espécies e de gêneros. O objetivo do presente trabalho é explicitar essa aparente contradição e buscar uma solução para ela. De um lado, a irredutibilidade do gosto ao conhecimento, seja ele puro ou empírico, segundo os critérios do sentimento de prazer e da referência a conceitos. De outro, a aproximação de gosto e conhecimento na estratégia da dedução e, sobretudo, na identificação, sugerida pela Introdução, de uma finalidade formal e de um certo prazer a ela ligado no processo do conhecimento empírico.

 

Abstract

The argument Kant appeals to in order to distinguish, in the Critique of Judgment, the judgment of taste from the cognitive judgment is that the latter is not necessarily followed by a feeling of pleasure. In spite of that, this clear point from the third Critique - namely, that where is cognition (stricto sensu), there is no necessary pleasure, and where is pleasure, we are not confronted to a pure cognitive judgment -- seems to be disenfranchised by a certain passage in the Introduction. Kant suggests that if there isn't, on the one hand, pleasure in the subsumption of data under categories of understanding, on the other, there would be some pleasure in the judging process through which we recognize objects under empirical concepts when subsume individuals under concepts of species and genera. The aim of this essay is to make explicit and find a solution to this apparent paradox: on the one hand, the irreducibility of taste to cognition, be it pure or empirical, according to the criteria of the feeling of pleasure and the reference to concepts. On the other hand, the reconciliation between taste and cognition in the strategy of the Deduction and, especially, in the identification, implied by the Introduction, of a formal purposiveness and a certain pleasure applied to it in the process of empirical cognition.


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DOI: https://doi.org/10.35920/arf.2007.v11i2.33-59



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ISSN 1414-3003, Qualis A2

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