Em torno da velha questão: seria Kant um metafísico?

Fernando Costa Mattos

Resumo


Como diz o título, este artigo pretende retomar a antiga discussão a respeito de como Kant se posiciona em relação à metafísica clássica. Procurando, inicialmente, esboçar um panorama das diferentes posições adotadas pelos seus intérpretes a esse respeito (1.1), passaremos em seguida a uma análise de como os postulados da razão prática, constituintes do que propomos chamar de conhecimento prático em sentido estrito (1.2), exercem um papel fundamental na instauração do novo tipo de metafísica com que Kant, tendo assegurado a fundamentação da moral na mera racionalidade humana (2.1), pretende tratar dos velhos temas -- notadamente Deus, alma e liberdade -- sem cair nem no dogmatismo nem no ceticismo (2.2). A partir dessa chave, ele não seria nem um destruidor nem um mero continuador da velha disciplina, mas uma espécie de restaurador que buscou conservar dela apenas aquele mínimo que seria necessário para que nós, seres racionais, possamos manter a nossa esperança de um sentido moral para a existência humana.

 

Abstract

As the title anticipates, this paper intends to return to the old discussion about how Kant stands toward classical metaphysics. Attempting initially to sketch a general outlook of the different positions of his interpreters regarding this issue (1.1), we shall proceed thereafter to an analysis of how the postulates of practical reason -- or what we propose to call a practical knowledge strictu senso (1.2) -- perform a fundamental role in establishing the new kind of metaphysics through which Kant, having grounded morality in human rationality alone (2.1), wants to deal with the old themes -- especially God, soul, and freedom -- without falling neither into dogmatism nor into skepticism (2.2). From this point of view he would be neither a demolisher nor a continuator of the old discipline, but a kind of restorer who attempted to keep from it just that minimum which would be necessary for us, rational beings, to hold to our hope in a moral sense for human existence.


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DOI: https://doi.org/10.35920/arf.2009.v13i1.95-133



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ISSN 1414-3003, Qualis A2

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