O conteúdo exíguo segundo uma ótica não-individualista

Roberto Horácio de Sá Pereira

Resumo


Este artigo objetiva desenvolver e defender uma nova abordagem para a noção de conteúdo exíguo no âmbito da vertente não-individualista na filosofia da mente e da teoria da informação na semântica. Seu objetivo consiste em mostrar que o conteúdo de certos estados mentais é determinado em parte pelas relações que o indivíduo entretém com as entidades do seu ambiente, mas em parte também pela instanciação de propriedades físicas do seu cérebro de modo a preservar a superveniência local. O propósito é endossar uma mudança de perspectiva sobre o conteúdo exíguo, visto tradicionalmente ou como uma representação determinada inteiramente pelo que passa à cabeça do agente ou como uma mera contribuição interna ao conteúdo amplo. De acordo com a abordagem aqui proposta, o conteúdo exíguo de ocorrências mentais deve ser entendido como uma proposição russelliana no qual figura uma propriedade de ordem superior, implementada metafisicamente por diferentes propriedades de nível inferior. Um conceito exíguo se referediretamente a tal propriedade se e somente se for instanciado em um ato de pensamento pela instanciação de tal propriedade e por causa da instanciação de tal propriedade em todos os indivíduos indiscerníveis relativamente a alguma propriedade relevante dos seus cérebros.

 

Abstract

This paper aims at developing and defending a new account of narrow content along the lines of the anti-individualistic strand in philosophy of mind and the information tradition in semantics. The purpose is to endorse a shift of perspective on narrow content, traditionally viewed either as a representation wholly determined by what goes inside the head or as the mere internal contribution to wide content. Its burden is to show that the content of some mental states are determined in part by the relations the individual bear to entities of his environment, but also in part by the instantiation of some property of his brain in a way that ensures local supervenience. On the account offered here, narrow content of mental states and events must be construed as the Russellian proposition consisting of a higher-order property, metaphysically realized by different lower-order properties A narrow concept refers directly to such higher-order property if and only if it is instantiated in some act of thought by the instantiation of such higher-order property and because of the instantiation of such property in all individuals indistinguishable in respect to some relevant neurological property of their brains.


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ISSN 1414-3003, Qualis A2

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