A fotografia como significado natural
Paul Grice e o problema da comunicação fotográfica
Palavras-chave:
Filosofia da fotografia, comunicação, intenção comunicativa, significado não naturalResumo
Embora a comunicação via fotografias seja um fato corriqueiro, na tradição analítica, falta-nos elementos para compreender a estrutura e dinâmica dessa forma de comunicação. A ausência de ferramentas conceituais para compreender a comunicação fotográfica pode ser retraçada ao ponto de vista predominante estabelecido por Paul Grice, em seu seminal artigo de 1957. A fotografia, por ser, segundo ele, uma forma de significado natural, não constituiria um meio de comunicação genuíno. Argumentarei que há ao menos dois caminhos para a fundamentação da teoria comunicacional da fotografia a partir do viés intencionalista de Grice. Se aceitarmos os desenvolvimentos recentes da filosofia da fotografia, que rompem com o caráter necessariamente factual da fotografia, poderíamos dizer, nos termos de Grice, que a fotografia também poderia ser uma forma de significado não natural. Um caminho mais frutífero de crítica a Grice pode ser encontrado no abandono de uma das exigências por ele imposta à comunicação.
Downloads
Referências
Atencia-Linares, P. (2012). Fiction, Non-Fiction, and Deceptive Photographic Representation. In D. Costello & D. M. Lopes (Eds.), The Media of Photography, a special issue of Journal of Aesthetics and Art Criticism, 70(1) (Winter 2012). DOI: 10.1111/j.1540-6245.2011.01505.x
Borg, E., Scarafone, A., & Shardimgaliev, M. (2021). Meaning and communication. In Internet Encyclopedia of Philosophy. URL: https://iep.utm.edu/meaning-and-communication/
Costello, D. (2017). What’s So New about the “New” Theory of Photography? The Journal of Aesthetics and Art Criticism, 75(4), 439-452. DOI: 10.1111/jaac.12396
Costello, D. (2018). On Photography: A Philosophical Inquiry. Routledge, New York. DOI: 10.4324/9781315106349
Fodor, J. (2012). Déjà vu: All Over Again: How Danto’s Aesthetics Recapitulates the Philosophy of Mind. In Rollins (Ed.), Danto and his critics (2nd ed., pp. XX-XX). Blackwell Publishing, Oxford.
Grice, P. (1957). Meaning. The Philosophical Review, 66(3), 377-388. DOI: 10.2307/2182440
Grice, P. (1989). Studies in the Way of Words. Harvard University Press, Cambridge.
Lopes, D. (2016). Four Arts of Photography. Oxford: Wiley-Blackwell. DOI: 10.1002/9781119055065
Maynard, P. (1997). The Engine of Visualization: Thinking through Photography. Cornell University Press.
Moore, R. (2017). Convergent minds: ostension, inference and Grice’s third clause. Interface Focus, 7(3). DOI: 10.1098/rsfs.2017.0007
Neale, S. (1992). Paul Grice and the Philosophy of Language. Linguistics and Philosophy, 15, 509-559. DOI: 10.1007/BF00630629
Recanati, F. (1986). On Defining Communicative Intentions. Mind and Language, 1(3), Autumn. DOI: 10.1111/j.1468-0017.1986.tb00343.x
Recanati, F. (1987). Meaning and Force: The Pragmatics of Performative Utterances. Cambridge University Press.
Schiffer, S. (1972). Meaning. Oxford University Press.
Scruton, R. (2008). Photography and Representation. In S. Walden (Ed.), Photography and Philosophy: Essays on the Pencil of Nature (pp. 138-166). Blackwell Publishing, Oxford.
Sperber, D., & Wilson, D. (1995). Relevance Communication and Cognition. Blackwell Publishers Ltd, Oxford.
Sperber, D., & Wilson, D. (2004). Relevance Theory. In L. R. Horn & G. Ward (Eds.), The Handbook of Pragmatics (pp. 607-632). Blackwell. DOI: 10.1002/9780470756959.ch27
Strawson, P. F. (1964). Intention and Convention in Speech Acts. The Philosophical Review, 73(4), 439-460. DOI: 10.2307/2183301
Walton, K. (2008). Transparent Pictures: On the Nature of Photographic Realism. In S. Walden (Ed.), Photography and Philosophy: Essays on the Pencil of Nature (pp. 14-49). Blackwell Publishing, Oxford.
Wilson, D. (2009). Photography and Causation: Responding to Scruton’s Scepticism. British Journal of Aesthetics, 49(4), 327–340. DOI: 10.1093/aesthj/ayp035
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Guilherme Ghisoni da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-ND 4.0), que permite a redistribuição, comercial ou não comercial, desde que a obra original não seja modificada e que seja atribuído o crédito ao autor.
- Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Os autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).