Entre escrevivências e narrativas de vida
o conto como disparador de identidades étnico-raciais
Resumo
Este artigo analisa uma experiência pedagógica desenvolvida no Ensino Médio Profissionalizante que articula literatura afro-brasileira, narrativas de vida e práticas multiletradas como dispositivos de construção da identidade étnico-racial. A intervenção, intitulada Narrativas de Vida: a construção da identidade étnico-racial, teve como eixo a leitura e interpretação do conto Maria, de Conceição Evaristo, compreendido como documento histórico e tecnologia de memória capaz de acionar experiências subjetivas silenciadas nos arquivos institucionais. Ancorado nos aportes da historiografia cultural, dos estudos da memória, da noção de escrevivência e da Análise de Discurso Crítica, o estudo adotou abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, configurando-se como pesquisa-ação e estudo de caso. Participaram da investigação estudantes do curso técnico em Eventos de uma Escola Estadual de Educação Profissional em Fortaleza/CE. Os dados foram produzidos por meio de produções textuais e multimodais, registros em caderno de campo e questionário online, analisados a partir da triangulação de fontes. Os resultados indicam que a literatura afro-brasileira, quando mobilizada em práticas pedagógicas participativas, favorece a emergência de memórias subterrâneas, fortalece o autorreconhecimento racial e contribui para a construção de uma consciência histórica crítica sobre o racismo estrutural, ampliando o papel da escola como espaço de formação antirracista.
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