Os jogos fúnebres na tradição literária grego-romana: o intertexto entre os cantos XXIII da Ilíada de Homero e VI da Tebaida de Estácio

Ana Penha Gabrecht

Resumo


Ao longo da existência humana, todas as sociedades, de diferentes maneiras, criaram práticas e ritos para marcar a finitude da vida. Esses rituais visam amenizar o impacto causado pelo desaparecimento de determinado indivíduo em uma comunidade. O épico homérico nos mostra uma sociedade marcada pelo crivo de uma moral heroica que enaltece valores da aristocracia guerreira, tais como: o gosto pela guerra, valorização da morte em campo batalha, o culto à beleza e juventude que devem ser perpetuadas na memória após o perecimento do herói.  Esses temas serão retomados mais tarde, no século I da nossa era, pelo poeta romano Estácio que, embora viva em uma época com uma moralidade diferente, resgata os ideais aristocráticos helênicos ao construir sua Tebaida, poema épico sobre a disputa entre os filhos de Édipo pelo trono de Tebas. Nesse artigo, analisaremos as relações intertextuais entre o texto grego e o romano, no que se refere aos jogos em honra aos mortos. Na Ilíada, o canto XXXIII é dedicado aos jogos fúnebres consagrados a Pátroclo, guerreiro grego que tombou durante a guerra de Troia. Na Tebaida, os jogos são em honra ao jovem Ofeltes, morto por uma serpente. 


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DOI: https://doi.org/10.17074/cpc.v1i33.12797

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